Trajectória de Neto contada em palestras


24 de Setembro, 2014

Fotografia: Cedida pela organização

Os feitos de Agostinho Neto e a importância dos seus poemas no resgate da cultura e da afirmação da identidade foram recordados, no fim-de-semana, em Budapeste, numa série de conferências sobre a sua vida e obra.

Enquadradas nas jornadas do Herói Nacional, as actividades foram realizadas na Faculdade de Letras da Universidade Eötvös Loránd da Hungria e serviram para aproximar mais os leitores e estudantes, particularmente os jovens, de Agostinho Neto, através de um maior conhecimento sobre os seus actos.
O percurso do primeiro Presidente de Angola foi abordado nos painéis “Vida e Obra de Agostinho Neto” e “Agostinho Neto: o Poeta”.
No primeiro foram feitas três comunicações, duas das quais proferidas pelo docente da Faculdade de Ciências Sociais e director do Gabinete de Informação e Documentação da Universidade Agostinho Neto, Arlindo Isabel, sobre os temas “Agostinho Neto: Estudante, Médico e Político” e “Agostinho Neto: O Revolucionário e Primeiro Presidente de Angola Independente”.
Arlindo Isabel destacou na sua comunicação um pouco mais sobre o perfil de Agostinho Neto como estudante exemplar, político e estadista preocupado com a verdadeira independência do seu país e pela dignificação do homem angolano, pela sua emancipação social, política e económica.
O professor e director do Departamento de História Contemporânea da Faculdade de Letras da Hungria apresentou neste painel a comunicação “O Perfil de Agostinho Neto entre os Dirigentes Africanos do Século XX”. No segundo painel, a tradutora para húngaro, Éva Tóth, do livro “Sagrada Esperança”, abordou o tema “Agostinho Neto: o literato”.
Além das palestras, o programa incluiu leitura de poemas de Agostinho Neto publicados em “Sagrada Esperança” e “A Renúncia Impossível” por estudantes e leitores do Departamento de Língua Portuguesa da Faculdade de letras da Universidade Eotvos e trabalhadores da embaixada de Angola em Budapeste.
Uma exposição de livros de autores angolanos, editados pela editora angolana Mayamba, DVD com discursos de e sobre Agostinho Neto, numa oferta da Fundação Agostinho Neto, e uma mostra de retratos do “Poeta Maior”, pintados por Moisés Kwanza, fizeram parte das actividades.
A organização inaugurou uma exposição de capas de livros existentes na Biblioteca Central da Universidade da Hungria, sob o título “Angola nos Espólios da Biblioteca da Universidade ELTE”, cuja apresentação coube à sua curadora e directora.
A embaixadora de Angola na Hungria, Lizeth Pena, o decano da Faculdade de Letras da Universidade da Hungria, Tamás Dezsó, o presidente da Associação África-Hungria, Sándor Balogh, e a representante da Secção África Austral da Casa do Comércio Húngaro, Edit Kiss, participaram na iniciativa cultural em homenagem ao “Poeta Maior”. António Agostinho Neto nasceu nas margens do rio Kwanza, na região de Icolo e Bengo. Fez o ensino primário e secundário em Luanda e licenciou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa em 1958. Foi o líder da luta de libertação nacional de Angola contra o regime colonialista e fascista português de António Salazar e Marcelo Caetano.
Após 14 anos de Luta Armada (1961-1974), proclamou a independência de Angola em 11 de Novembro de 1975, depois de quase 500 anos de dominação colonial portuguesa.
Agostinho Neto fez parte da geração de estudantes africanos que viria a desempenhar um papel decisivo na independência dos seus países naquela que ficou designada como a Guerra Colonial Portuguesa. Foi preso pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado, a polícia política do regime Salazarista então vigente em Portugal, e deportado para o Tarrafal, uma prisão política em Cabo Verde.
Depois de fugir para o exílio, assumiu a direcção do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), do qual já era presidente honorário desde 1962. Em paralelo, desenvolveu uma actividade literária, escrevendo nomeadamente poemas.

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