Cultura

Um novo super-herói para a era moderna

Adriano de Melo

Um novo recomeço para um universo já conhecido. Se o Super-Homem e o Batman foram por muitos anos o “rosto” da editora DC nos cinemas, agora tudo mudou. Surgiu um novo herói. Mais adaptado a nova era e muito mais humano do que os anteriores. “Shazam”. O filme, que chegou aos cinemas este mês, com o selo da Warner Bros, tem o encanto e a premissa de uma grande produção.

Fotografia: DR

Para quem está habituado a ver os velhos filmes da DC, onde o herói aprendeu com os seus erros e se tornou mais maduro, vai ver em “Shazam”, um novo tipo de super-herói, afinal o que se pode esperar de um adolescente de 14 anos com um grande poder?
No filme o adolescente Billy Batson (vivido por Asher Angel) recebe de um mago o poder de se transformar num super-herói adulto, “Shazam” (interpretado por Zachary Levi). Porém, se alguns acreditam que com “grande poder, vem a grande responsabilidade”, para Billy isso é uma mentira, pois o poder o daria inúmeros benefícios. Ele decide usar o seu dom para obter dinheiro e favoritismo das pessoas.
Porém é na descoberta dos seus poderes e das várias coisas que ele poderia fazer com o mesmo que reside a essência do filme. Com “Shazam”, o realizador David Sandberg, mostra que todos temos um herói dentro de nós e só cabe a cada um definir o seu poder. “Voo ou invisibilidade?” é a pergunta feita a Billy para saber que tipo de super-herói ele seria. Para um adolescente cheio de dúvidas, que cresce sem os pais e com incertezas sobre o seu futuro a escolha mais fácil era, claro, invisibilidade. Só no final é que vemos ele a descobrir o significado da palavra herói.
Mas pensa errado quem espera ir aos cinemas e ver apenas um filme de heróis. Desta vez a DC e a Warner Bros foram mais além. Eles exploraram (e muito bem) o universo adolescente, com análises profundas. Um dos destaques é a forma perspicaz como são abordadas as consequências dos problemas familiares no futuro dos adolescentes.
O facto de hoje os adolescentes serem uma das camadas sociais mais preocupantes no mundo torna “Shazam” uma boa escolha para ser levado ao cinema sobre esta perspectiva actualizada e muito instrutiva, onde as pequenas lições tornam o filme num destes por ver com a família. Quando o mago escolhe Billy Batson como o seu campeão este o diz que procura uma pessoa boa de verdade, forte de espírito e com bom de coração. É na resposta do adolescente onde podemos analisar como estes encaram a actual sociedade moderna.
Numa mistura de comédia, acção, ficção e aventura, “Shazam” é uma das melhores produções da DC e da Warner deste ano, que se iguala a “Aquaman”, entre aquelas que vão ajudar a dar um novo tipo de super-heróis ao mundo, em particular os adolescentes.

ALUSÕES

Paternidade

A responsabilidade dos pais na educação das crianças e a fuga a paternidade são dois pontos recorrentes no filme, que foge dos padrões convencionais ao explorar o assunto sob a perspectiva feminina, com a fuga a maternidade como destaque. Embora seja incomum, pois, geralmente, são os pais a não assumirem a criança, o assunto é real e pouco abordado. As consequências de um filho crescer sem a educação da mãe, que é o esteio da família, é o que “Shazam” nos leva a analisar ao introduzir um adolescente rejeitado, que por não ter amor materno, não vê o significado de uma família.

Maturidade

O crescimento é um passo importante na construção do homem e da própria sociedade. Nesta era moderna, em que as novas tecnologias predominam e os princípios morais estão, cada vez mais, banalizados, é bom termos filmes como “Shazam” que ainda procuram focar para a questão social, mesmo de uma forma cómica, e destacam o papel da maturidade. Para alguns a palavra é mais associada ao factor idade. Um erro que deve ser corrigido, pois ser adolescente ou jovem não significa ser imaturo, afinal as consequências dos erros não distinguem idades.

ALTOS

A garantia

Com o lançamento de “Shazam”, a DC e a Warner mostraram, que a semelhança da sua rival, a Disney, estão atentos ao que se passa com a geração mais nova e pretendem, a todo o custo, passar um legado a estes, assente nos valores do passado. Com o filme vemos o início de uma nova era para estes dois gigantes das artes, antes mais centrados nos jovens e adultos, mas hoje dispostos a pensar no futuro e a garantirem um legado.

BAIXOS

A trivialidade dos vilões

Os filmes ainda continuam a colocar a figura do vilão em segundo plano. Muitas vezes vemos no cinema um “vilão perfeito” com tudo para vencer (dinheiro, os meios humanos), mas por um erro “infantil” perde tudo. É preciso que as grandes industrias cinematográficas e os argumentistas parem de ver o mundo a preto e branco, onde “o bem prevalece sempre sobre o mal”, pois na vida real as coisas acontecem de uma forma completamente diferente e os vilões conseguem muito bem, de várias formas, derrotar os “mocinhos”.

 

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