Um olhar feminino ao poder da mulher

Roque Silva e Manuel Albano |
14 de Julho, 2016

Fotografia: Paulo Mulaza

Aspectos ligados à identidade, memória, tradição e modernidade no contexto global são representados pelas artistas plásticas Rita GT, Lola Keyezua e Ana Maria da Silva, na exposição colectiva “Conexões femininas”, patente na Galeria de Arte do Banco Económico, na Baixa de Luanda.

A mostra, aberta ao público até o dia 26 de Agosto, é o resultado do olhar individual de três mulheres artistas sobre a necessidade de reflectir-se sobre o poder da globalização e a tecnologia na protecção e promoção da história.
A exposição explora também o universo feminino, como a fertilidade e a criatividade, num contexto multi-cultural através de 52 objectos inéditos de arte, criados com diversas técnicas mistas, instalações, fotografia, quadros e um vídeo, montados em três diferentes espaços.
Lola Keyezua propõe uma reflexão sobre o poder da mulher angolana e da congolesa, a redescoberta do continente africano e o regresso ao passado para o ressurgimento de novas rainhas, aquelas que podem trazer a sabedoria e a educação no continente berço.
A artista provoca o público e a história, com a criação  da estátua de uma mulher africana (com lábios grossos, ancas largas e tranças compridas), num monte de areia, no contexto do Império Romano.
A escultura consiste em criar um debate em torno da ausência de estátuas antigas com a fisionomia da mulher africana, “uma vez que os livros de história se referem apenas aos deuses do ocidente”. A inovação de  Keyezua continua na exposição de quadros que ilustram uma mulher trajada com cascas de árvores personalizadas, como forma de realçar a produção do tecido no continente berço.
Rita GT fala do quotidiano da mulher e de alguns problemas intrinsecamente ligados a elas, como é o caso da falta de água potável.
A artista expõe 12 instalações de bidões plásticos por cima de bancas a retratar a mulher doméstica e vendedeira como forma de mostrar as dificuldades que enfrentam as mulheres que acarretam água em longas distâncias. A ideia foi transportar os objectos apresentados na sua função diária para um espaço institucional, onde as pessoas podem fazer uma análise crítica sobre as dificuldades enfrentadas pelas mulheres.
Rita GT apresenta ainda peças constituídas por artefactos de cerâmica e papel de parede, fotografias e uma tela com a performance de grupo de percussão numa fábrica abandonada. A artista plástica foi convidada a apresentar as suas mais recentes criações no dia 21 deste mês, em Londres, numa exposição colectiva de arte, a ter lugar num espaço alternativo, denominado The Cera Projects.
Ana Silva aborda a maternidade a partir da instalação de um ninho, no qual pretende realçar a mãe guerreira e o processo de evolução de uma criança. A artista apresenta os primeiros passos da filha em quadros e instalações, com abordagens plásticas diferentes através de fotografias da filha em casa e nas aulas de balett e utensílios usados para a prática da dança.

Relação homem e natureza


A relação do homem com a natureza, resultante da sua influência no meio ambiente na busca do equilíbrio entre si, é uma proposta do pintor Van, na sua exposição “Ícones e paisagens da minha terra”, inaugurada na terça-feira, no Centro Cultural Português, em Luanda.
Na mostra, que fica patente até ao dia 6 de Agosto, Van propõe aos amantes das artes plásticas fazer um posicionamento crítico e optimista de um artista, mestre e homem, o qual, ao longo de 40 anos está mergulhado nas artes, sobre preocupações com as novas realidades sociais e urbanas do mundo moderno.
Na instalação “Árvore primária”, na qual Van recorre à serralharia e à pintura, o artista apresenta um comportamento existencial entre a relação homem e ecossistemas, em diversas expressões traduzidas através das cores azul, amarela e vermelha.
Desde os desenhos preparatórios feitos a esferográfica e a lápis sobre papel, a obras melhor “elaboradas e acabadas”, o artista plástico tenta apresentar uma comunicação visual e estética dos trabalhos, de certa forma compreensível até para os menos “leigos” sobre a matéria. O -Camões-Centro Cultural Português, cheio, espelhou a dimensão e o percurso artístico de Van, que agradeceu o apoio incondicional dos admiradores da sua obra.
O pintor procura igualmente nos seus quadros passar uma mensagem de tranquilidade, serenidade, harmonia, optimismo, alegria, esperança, liberdade, saúde e vitalidade, assentes no simbolismo dos mares, rios, florestas e na rotatividade da noite e do dia.
Do seu percurso artístico apresentado em quase 90 trabalhos inéditos em várias manifestações, constam dez de pintura, 70 de desenho, uma instalação, um vídeo e cinco objectos de arte, produzidos com materiais diversos, dos quais destacam-se a folha de papel e das árvores, ferro, chapas, madeira e capim.
A directora do Camões - Centro Cultural Português, Teresa Mateus, disse, sobre a exposição “Ícones e paisagens da minha terra”, que o artistas plástico Van de forma sublime consegue ligar e harmonizar diferentes conceitos e temas ligados à memória sempre revistada da cultura tradicional angolana.
A responsável pela comunicação do Banco Caixa Angola (BCA), Ana Fernandes, disse que a instituição bancária vai continuar a apoiar projectos que permitam ajudar a promover o intercâmbio cultural, dando maior espaço a jovens talentos, futuramente, com o programa “Caixa Arte.”
Francisco Van-Dúnem “Van” nasceu em Icolo e Bengo e fez os estudos primários e secundários em Luanda. Concluiu o curso geral de Artes Visuais na antiga Escola Industrial de Luanda (1976). É membro fundador da União dos Artistas Plásticos (1977).

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