UNESCO colabora na formação de técnicos

Roque Silva |
17 de Novembro, 2015

Fotografia: Kindala Manuel

O reforço da protecção do Património Cultural Imaterial ganha outra dinâmica com a realização da primeira fase do curso teórico organizado por especialistas da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), disse ontem, em Luanda, o director do gabinete Jurídico do Ministério da Cultura.

Aguinaldo Cristóvão informou que a formação vai permitir que os 15 técnicos angolanos possam dar um tratamento mais adequado às questões sobre património imaterial.
Entre os formandos estão técnicos de Luanda, Malanje e Huíla, que   agora estão “credenciadas para acompanharem a dinâmica das comunidades para que saibam dar resposta a lei que salvaguarda as matérias ligadas ao Património Cultural Imaterial”, disse   Aguinaldo Cristóvão, embora tenha reconhecido que se trata de uma questão complexa e que carece de especialização, acompanhada através de uma rede de maior interacção com a sociedade civil.
Na sua óptica, a formação preencheu uma lacuna existente há anos no sector. 
O gestor de projectos da UNESCO, Júlio Rabelo Ferrego, considerou o curso  um processo inicial para os técnicos compreenderem o que representa o Património Imaterial e os seus instrumentos de preservação e divulgação para o desenvolvimento das comunidades.
Júlio Rabelo Ferrego frisou ser essencial a propagação dos conhecimentos para as comunidades por formas a dinamizar o processo de protecção dos bens culturais. “O trabalho dos técnicos deve ser dinâmico porque as comunidades estão em constante movimento.”
 Domingas Henrique, chefe do Património Cultural em Malanje, disse que o curso vai munir os técnicos com valências e por isso é importante para o desenvolvimento do sector.  “Em Malanje não existem técnicos para realizar trabalhos específicos na área do património e por isso  a minha formação é uma mais-valia para o sector, pois vai permitir que a província de Malanje comece a dar os primeiros passos no tratamento do registo cultural imaterial que é vasto”.
Kitoko Mayavanga, mais conhecido por Papá Kitoko,  um dos formados, referiu que o projecto da UNESCO constitui fonte de conhecimento intelectual sobre aspectos de extrema importância e delicadeza. Conhecido como terapeuta tradicional, Papá Kitoko considerou que a qualificação vai obrigar com que os técnicos possam trabalhar com mais responsabilidade junto das comunidades. No seu entender, o património, de uma forma geral, ganha técnicos capazes de preservar “o que é cultura viva e não  palpável”. 
O curso, uma iniciativa da UNESCO, com financiamento do Governo Noruega e do Ministério da Cultura, foi ministrado por especialistas moçambicanos, e  prevê-se a realização da segunda fase em Janeiro de 2016.  Angola aderiu, há dois anos, à Convenção da UNESCO sobre o Património Cultural Imaterial.

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