Cultura

UNESCO impõe regras ao Património Mundial

A realização anual do Festival do Kongo (Festikongo) na província do Zaire é um dos requisitos da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), para perpetuar a cidade de Mbanza Kongo como Património da Humanidade.

O Museu dos Reis integra o centro histórico da cidade Património da Humanidade
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

O Festikongo, que encerra no próximo dia 25, está aberto a países de África e de outros continentes.
O país tem pela frente inúmeras tarefas sobre conservação e divulgação, quer do património material, quer do património imaterial da região, através de realizações culturais, artísticas, investigação, pesquisa e troca de experiências entre académicos de vários países, em particular africanos.
Atenta aos princípios sobre manutenção do Património Mundial, a UNESCO exige a construção do novo aeroporto de Mbanza Kongo fora da zona histórica classificada, também chamada “zona tampão”, e o prosseguimento dos estudos e das pesquisas multidisciplinares.
A lista de encargos inclui a transmissão dos costumes do Lumbu (Corte Real do Kongo) às novas gerações, dando a conhecer ideais sobre tolerância, solidariedade, compreensão, diálogo e solução pacífica dos diferendos por meio do direito consuetudinário, até ao momento ainda praticados pelas autoridades tradicionais. O desenvolvimento das indústrias culturais, para o fomento do turismo e o incentivo da população e empresariado para a geração de emprego, consta igualmente das exigências.
As pequenas indústrias de artesanato, produção musical e escultura, entre outras manifestações artísticas, além de ajudarem na transmissão de conhecimentos sobre as tradições de Mbanza Kongo, podem também concorrer para o combate à pobreza.

Comité de Gestão

Criado pelo despacho presidencial nº° 178/15, de 28 de Setembro, e coordenado pelo governador da província do Zaire, o Comité de Gestão Participativa tem por missão a criação de condições e a execução de tarefas para alavancar o desenvolvimento do centro histórico.
É uma das condicionantes exigidas pela UNESCO, organismo responsável pela classificação de sítios e bens culturais, para a preservação e conservação do Património Mundial, assim como a divulgação do seu valor excepcional.
Ao longo da época colonial, a cidade conheceu várias designações, tendo-se destacado a denominação de São Salvador do Congo, nome atribuído pelos portugueses. De acordo com a génese histórica e cultural, a designação de Mbanza Kongo advém de Kongo dya Ntotela, símbolo de unidade e indivisibilidade dos bakongo. A cidade foi a capital, o centro político, económico, social e cultural, sede do rei e da corte, e como tal o centro das decisões.
Com uma superfície de 7.651 quilómetros quadrados, Mbanza Kongo confina a norte com o município do Kuimba e a RDC, a sul e a leste com a província do Uíge, e a Oeste com os municípios do Tomboco e Nóqui. 
Localizada 472 quilómetros a norte de Luanda, Mbanza Kongo tem 155.174 habitantes, e possui cinco bairros: Sagrada Esperança, 4 de Fevereiro, 11 de Novembro, Álvaro Buta e Martins Kidito. Os habitantes, na sua maioria, falam kikongo.

Potencial arqueológico
Para convencer os especialistas da UNES-CO, o Executivo, por intermédio do Ministério da Cultura, apresentou o potencial histórico e arqueológico da capital do antigo Reino do Kongo, um testemunho único e excepcional, como as ruínas do Kulumbimbi, a primeira igreja católica construída na África a Sul do Equador em 1596, pelos missionários.
O projecto para a inscrição de Mbanza Kongo na lista do Património Mundial destacou, entre outras, a componente científica para a descoberta dos elementos materiais e imateriais para fundamentar o valor excepcional e universal desta cidade.
Esta etapa incluiu as acções de pesquisa sobre o património imaterial, o levantamento arquitectónico dos edifícios mais emblemáticos e históricos da cidade, e o estudo e a inventariação para posterior classificação.

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