Cultura

União Recreativo Kilamba pretende revalidar o título

Manuel Albano

A contínua aposta na criatividade e singularidade no Carnaval de Luanda tem sido, até hoje, a principal aposta do grupo União Recreativo Kilamba, que já começou os preparativos e ensaios para revalidar o título este ano.

Grupo vê a inovação como o melhor caminho para disputarem o Carnaval de Luanda deste ano com os demais concorrentes
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

O comandante do grupo, Poly Rocha, disse, ontem, ao Jornal de Angola, que a constante aposta na inovação os permitiu atrair inúmeros fãs e conquistar dois títulos, consecutivos, do Carnaval de Luanda, em 2018 e 2019. Por isso, acrescentou, força de vontade e determinação têm sido as palavras chaves utilizadas para descrever a preparação do grupo, do Distrito Urbano do Rangel, que realiza os ensaios há meses, de forma a darem um show a altura, capaz de os garantir um dos três primeiro lugares da edição deste ano, cujo acto central está marcado para 25 de Fevereiro, na Marginal da Praia do Bispo, em Luanda. Poly Rocha confirmou que o grupo vai continuar a trabalhar para estar nos lugares cimeiros da “festa do povo”, sempre com a marca da criatividade, usada desde a criação do Recreativo Kilamba, há quatro anos.  Mesmo sendo o quarto a desfilar, o comandante prometeu levar muita cor, luz, emoção e alegria, quando chegarem a Marginal da Praia do Bispo. “Estamos a preparar, há meses, um enredo pertinente, trabalhado ao pormenor por muito. Ainda é uma surpresa, mas temos seis temas em carteira. Um deles vai ser o escolhido”, contou.
Quanto a questão do apoio financeiro, preferiu evitar falar no assunto, adiantando apenas que têm feito um esforço, em especial entre os membros, para reunirem as devidas condições e desfilarem condignamente. “Preferimos falar menos e trabalhar mais. Temos usado verba do Estado para cobrir pequenas coisas. Por isso criamos uma direcção forte e coesa, que tem conseguido garantir as mínimas condições do grupo”, aclarou.
Em relação a evolução dos grupos para associações, Poly Rocha considerou uma questão que deve ser analisada com ponderação. “Os passos neste sentido ainda não foram dados, mas têm de ser bem esclarecedores, porque os fazedores de cultura, no geral, vivem inúmeras dificuldades financeiras”, defendeu.

Ensaios e a maior aposta nos desfiles de rua
Fundado a 27 de Julho de 2015, o União Recreativo Kilamba tem como comandante Poly Rocha. Entre os meses de Dezembro e Janeiro, os membros têm feito uma experiência de Carnaval de rua, como forma de resgatar uma prática “esquecida com o passar dos anos”.  Geralmente, o grupo desfila entre às 14h00 e às 20h00, em zonas como o Nelito Soares, Avenida Brasil e Rangel. O desfile vai desde a rua Senado da Câmara, passa pela Eugénio de Castro, os arredores da Igreja São Domingos, da Escola Makarenko, Avenida Ho Chi Minh e Mercado dos Congoleses, culminando na Administração Distrital do Rangel. Durante este desfile de rua, os dançarinos apresentam parte do que estão a preparar para o acto central. O grupo tem o semba, como estilo de dança, e conta com mais de 300 dançarinos, entre a corte, “bessanganas” e falange de apoio.  O grupo, cuja sede está localizada próximo ao Centro Recreativo Kilamba, tem organizado, além deste desfile de rua, bailes e concursos, em recintos no Rangel, com intuito de promover a marca União Recreativo Kilamba, bem como angariar patrocinadores. O cantor e compositor Dom Caetano é um dos artistas que têm “apadrinhado” o grupo, no campo da música, cujos ensaios têm sido em particular nos finais de semana, apesar dos poucos recursos. Ao longo do desfile, o grupo tem procurado, também, mostrar a riqueza e a diversidade de estilos que existem no Carnaval de Luanda, especialmente os que têm tendências a desaparecer.

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