Universidade do Texas compra arquivo


3 de Março, 2015

Fotografia: Reuters

A Universidade do Texas, nos EUA, pagou 2,2 milhões de dólares à família de Gabriel García Márquez pela aquisição do arquivo pessoal do falecido vencedor do Nobel de Literatura, segundo revelou esta instituição.

A compra do arquivo, que contém vários manuscritos, duas mil cartas, 40 álbuns de fotos e inumeráveis notas e apontamentos, além de outros objectos, foi anunciada no final de Novembro de 2014, mas o custo não havia sido divulgado até então.
A transacção realizou-se meses antes através de Glenn Horowitz, um intermediário com escritório em Nova Iorque.
Entre os objectos mais valiosos do arquivo estão o documento definitivo de “Cem anos de solidão”, que o escritor entregou à imprensa em 1967, e um dos poucos manuscritos que existem de “En agosto nos vemos”, o seu romance inédito.
A Universidade do Texas negou-se, em princípio, a tornar público o contrato da compra do arquivo pessoal e solicitou às autoridades texanas uma permissão especial para mantê-lo em segredo, contrariando uma lei estadual, mas o pedido foi rejeitado há poucos dias.
Por isso, a instituição revelou há dias o montante da operação, segundo confirmou à Agência Efe Jen Tisdale, uma porta-voz da universidade.
O Centro Harry Ransom, o departamento da universidade que cuida do arquivo, tem uma das colecções literárias mais importantes do país, com objectos de James Joyce, Ernest Hemingway, Jorge Luis Borges e William Faulkner, entre muitos outros. O seu director, Steve Enniss, disse à Efe em Novembro do ano passado que a decisão do Centro Harry Ransom acolher o legado de García Márquez foi tomada pela sua viúva, Mercedes Barcha, e os seus filhos, Rodrigo e Gonzalo García.
De facto, Rodrigo García Barcha disse então que “a intenção da família do prémio Nobel sempre foi encontrar o melhor lugar para o arquivo, independentemente de onde fosse”.
“Queríamos que estivesse bem acompanhado”, explicou García Barcha, ao argumentar que na Universidade do Texas existem “colecções similares”.
A notícia despertou reacções na Colômbia, país natal de García Márquez, ainda mais quando o filho de García Márquez afirmou que “o governo colombiano nunca se fez presente nem fez nenhuma oferta”. O escritor Gabriel García Márquez, também conhecido por “Gabo”, nasceu em 6 de Março de 1927, na cidade de Aracataca, Colômbia, e morreu no dia 17 de Abril na Cidade do México, onde morava há décadas.
“Gabo” passou a juventude a ouvir contos das “Mil e Uma Noites”; a sua adolescência foi marcada por livros, em especial “A Metamorfose”, de Franz Kafka. Ao ler a primeira frase do livro, “Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se na sua cama metamorfoseado num insecto monstruoso”, pensou “então eu posso fazer isso com as personagens? Criar várias situações impossíveis?”. 
“Gabo” iniciou o seu trabalho como jornalista, em 1948, em Cartagena das Índias, Colômbia. Os seus livros alcançaram repercussão na Europa nos anos 1960 e 1970 e reflectiam sobre os rumos políticos e sociais da América Latina. Teve como seu primeiro trabalho o romance “La Hojarasca”, publicado em 1955. O escritor colombiano possui obras de ficção e não ficção, tais como “Crónica de uma morte anunciada”, “O amor nos tempos de cólera” e “Cem Anos de Solidão”.
As suas novelas e histórias curtas - fusões entre a realidade e a fantasia - levaram-no ao Nobel de Literatura em 1982. Em 2002 publicou a sua autobiografia “Viver para contar”, logo após ter sido diagnosticado um cancro linfático. Marquéz apontou como seu mestre o escritor norte-americano William Faulkner.

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