Valorização da essência em detrimento da aparência

Jomo Fortunato |
4 de Janeiro, 2016

Fotografia: Rogério Tuti

O ano que ora finda, ficou marcado pelo discurso do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que, para além de apelar ao sentimento de fraternidade, solidariedade e ao pleno exercício da cidadania, alerta, de forma pedagógica, para a necessidade de ser, mais do que ter, valorizando o perfil cultural e académico dos angolanos, contrariando a lógica que propicia o estado actual de retrocesso económico.

Na introdução do tradicional discurso do ano que terminou, o Presidente da República desejou felicidade a todos os angolanos na quadra natalícia, apesar da adversidade da conjuntura económica internacional, que teve os seus reflexos negativos em Angola:
“ Desejo… que todos os angolanos possam passar um Natal Feliz, fraterno, solidário e de esperança no futuro. É justo que isso aconteça também entre nós, apesar de o país estar a atravessar dificuldades que decorrem de uma conjuntura internacional adversa, que exigem soluções criativas e eficazes para serem superadas”.
Na sua orientadora intervenção, o Chefe do Executivo abordou ainda questões relacionadas com a segurança, que, na sua óptica, deve se estender para além das nossas fronteiras, falou dos laços de boa vizinhança com os países limítrofes, para a manutenção da paz, não deixando de referir a necessidade de uma permanente estabilidade na região geográfica em que Angola está inserida.
Na sequência, o Chefe do Executivo falou do actual processo de diversificação da economia nacional, que vale a pena, embora seja tardia, da liberdade de criação, julgamos que a todos os níveis incluindo a artística, da “importância de relações humanas cordiais, pacíficas e de respeito mútuo na nossa sociedade”.
O Presidente evocou também a necessidade da “formação intelectual e a educação moral dos jovens”, como forma do desenvolvimento individual e colectivo, ou seja, valorizando o homem cultural mais do que o cidadão que ostenta bens materiais.
O Presidente da República alertou-nos para que tenhamos uma leitura crítica dos conteúdos, muitas vezes nocivos e perniciosos, das redes sociais, apelidando-os de “degradantes e moralmente ofensivos”. Eis então a abordagem pormenorizada, dos vários momentos do discurso do Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

Diversificação

Neste capítulo, José Eduardo dos Santos apela à crença num futuro melhor, no investimento na agricultura, e na capacidade que os angolanos sempre tiveram de ultrapassar os grandes desafios ao longo da história: “Há que acreditar num futuro melhor. Os angolanos podem extrair tudo o que precisam do solo ou do subsolo do nosso país. Falamos durante muito tempo na diversificação da economia, mas fizemos muito pouco, mesmo assim mais vale começar tarde do que nunca começar. O povo angolano já venceu desafios mais complicados e difíceis do que aqueles que encaramos hoje, porque agiu sempre com confiança em si mesmo e com determinação. Assim devemos continuar”. É líquido concluir que a plena diversificação da economia e a obtenção de receitas, terá implicações na melhoria da investigação e da produção artística e cultural. 

Criação

Das referências à paz e estabilidade, passando pela consolidação da democracia e a garantia de liberdade de criação e expressão, reproduzimos, neste capítulo, um precioso momento do discurso do Chefe de Estado, que mais directamente se relaciona com a criação artística e a expressividade cultural:
“É preciso manter o país em paz e com estabilidade, consolidar a democracia e as instituições do Estado e garantir a liberdade de criação e expressão, para que a construção do bem-estar social seja obra de todos. Neste contexto, o desenvolvimento humano, e particularmente o conhecimento e a habilidade do homem para fazer coisas, constituem o factor decisivo da transformação social e a base do crescimento económico e do progresso social”.

Cordialidade

De facto, o tecido social angolano reclama mais cordialidade e solidariedade nas relações humanas, numa clara distinção entre as conflitualidades pessoais e os desígnios de natureza institucional: “Convém frisar também, a este propósito, a importância de relações humanas cordiais, pacíficas e de respeito mútuo na nossa sociedade. Essas relações permitem que se mantenha o seu equilíbrio e estabilidade, garantindo-se assim a segurança, a ordem e a tranquilidade públicas, importantes para que cada um possa fazer a sua vida e afirmar a sua cidadania”, alerta o Presidente da República.

Formação


A formação a todos os níveis é uma das grandes preocupações do Executivo angolano, realçada no discurso do mais alto mandatário da nação: “Por outro lado, consideramos também que a formação intelectual e a educação moral dos jovens, que é a componente maioritária da nossa população, são fundamentais não só para que sejam dotados de capacidades que lhes permitam alargar os seus horizontes e prepará-los para enfrentar a realidade da vida, mas também para que possam contribuir para a harmonia e coesão social.

Ostentação


Embora a repercussão cultural esteja presente na totalidade do Discurso do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, a alusão à posse e à ostentação foi um dos momentos mais importantes do seu discurso, pelas implicações directamente económicas:
“É necessário continuar a cultivar no espírito das novas gerações a ideia de que um cidadão, que é naturalmente portador de direitos e deveres constitucionalmente consagrados, deve valer por aquilo que ele é e não apenas por aquilo que do ponto de vista material possui ou ostenta. E assim, a nossa preocupação maior deve centrar-se cada vez mais no resgate e aperfeiçoamento dos valores morais e no desenvolvimento das suas qualidades pessoais e das aptidões profissionais”.

Redes


Ao contrário do que se tem interpretado, o Chefe de Estado  Angolano não é contra a existência  das redes sociais mas sim contra o seu uso indevido:
 “Temos de alterar o actual clima moral que tende a predominar nas relações sociais, sob o impacto das novas tecnologias de informação e comunicação”.
“As redes sociais constituem uma conquista técnica e científica de toda a Humanidade, de que os angolanos devem beneficiar para melhorar o seu acesso ao conhecimento, mas não devem ser utilizadas para violar o direito das pessoas, expor a vida íntima de quem quer que seja, caluniar, humilhar e veicular conteúdos degradantes e moralmente ofensivos. O país deve dispor o mais depressa possível de legislação adequada para orientar a sociedade e as instituições e reprovar ou prevenir o surgimento deste tipo de práticas, que são inaceitáveis”.

Receitas


Uma das vias de captação de receitas, assegura o mais alto mandatário da nação, é acelerar a intervenção na agricultura, pescas, turismo, indústria da madeira, indústria alimentar e indústria ligeira e mineira, e melhorar a gestão das finanças públicas:
“O país está a viver um momento difícil, em virtude da diminuição das receitas provocadas pela baixa do preço do petróleo no mercado internacional, mas temos que ajustar os nossos programas e planos para enfrentar com sucesso o próximo ano, acelerando a nossa intervenção na agricultura, pescas, turismo, indústria da madeira, indústria alimentar e indústria ligeira e mineira, para aumentar as exportações e reduzir as importações com o aumento da produção local e do comércio.Para que todo este processo possa decorrer sem perturbações, reitero que é indispensável melhorar a gestão das finanças públicas e melhorar e reforçar também a segurança e a ordem interna”.

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