Van expõe percurso artístico em mostra


9 de Julho, 2016

Fotografia: José Soares

O percurso artístico de Francisco Van-Dúnem “Van”, ao longo de 40 anos, é apresentado na sua exposição individual, denominada “Ícones e paisagens da minha terra”, a ser inaugurada na terça-feira, às 18h30, no Camões - Centro Cultural Português, em Luanda, onde fica patente até ao dia 6 de Agosto.

Na exposição, Van apresenta quase 90 obras inéditas em expressões diversificadas, sendo dez trabalhos de pintura, 70 de desenho, uma instalação, um vídeo e cinco objectos de arte, produzidos com materiais diversos.
O artista plástico disse ontem, ao Jornal de Angola, ter feito com essa mostra uma revisita à sua carreira artística, na qual reinventa a sua angolanidade, reafirmada como recorrente fonte de inspiração e fio condutor de toda a sua obra.
Van refere ter “mergulhado nas raízes profundas de Angola, em especial da sua terra natal, sem, contudo, deixar de assumir-se como um artista da sua época”, que reflecte, interroga e questiona, chamando atenção para contradições que marcam as novas realidades sociais e urbanas do mundo actual.
Sobre “Ícones e paisagens da minha terra”, diz o artista: “tentei, mais uma vez, fazer aproximações com outras linguagens construtivas e interpretativas, reinventando formas e reutilizando materiais considerados pobres, tais como desperdícios de serralharia, carpintaria, alvenaria, pedaços de imprensa escrita e peças artesanais.”
Nesta missão, o pintor realça ter-se esforçado por permanecer como um dos iniciados nas linhas estilísticas das artes tradicionais angolanas, aliado às tendências mundiais de arte contemporânea. “As sensações aqui transmitidas foram colhidas nos meios urbanos, periféricos e rurais e de informações prévias do mundo das artes visuais e plásticas. Nada foi inventado em absoluto.”
Para o artista, essa exposição é o “modo eleito” para homenagear o país com figuras e ícones históricos, costumes, natureza, vivências e relação dos homens. “A exposição é também um pouco o reflexo dos anos que o país foi passando até os dias actuais.”
O artista explicou ter também aliado e “mergulhado” na arte contemporânea, para explorar temas muito sensíveis como a política do ambiente, utilizando materiais não convencionas nas suas criações, como forma de despertar as consciências sobre a forma como temos utilizado os recursos naturais à nossa disposição.

Evolução das artes

O crescimento das artes em particular, especialmente as plásticas, no país, ao longo dos anos, tem permitido o surgimento de novos artistas, fruto dos reflexos da paz e do trabalho que tem sido desenvolvido pelos artistas consagrados em prol do crescimento das artes plásticas em Angola.
Van espera que o país continue a fazer investimentos nas infra-estruturas culturais, com a construção de mais escolas do nível médio e superior, para, desta forma, permitir dar uma formação sólida à juventude e isso se reflectir nas suas obras. “Os meios de comunicação social também têm desenvolvido um trabalho positivo, para a promoção e divulgação dos artistas e das suas criações, ao longo destes 40 anos de Independência Nacional.”
O curador da exposição Amilkar Feria Flores refere que “o artista elevou-se, ganhou uma distância crítica para compreender, com a acuidade da sua experiência, tudo o que conforma o vasto horizonte dos seus domínios poéticos. É, sem margem de suspeita, um caminho rico que abre novas rotas a outros espaços de conhecimento e sabedoria; digamos que uma contribuição, ao mesmo tempo que um alerta sobre os perigos que ameaçam a diversidade ecológica, biológica, étnica ou linguística, num alerta para aquilo que ainda podemos.”
 
 Percurso de um mestre


Francisco Van-Dúnem “Van” nasceu em Icolo e Bengo e fez os estudos primários e secundários em Luanda. Concluiu o curso geral de Artes Visuais na antiga Escola Industrial de Luanda (1976).
É membro fundador da União dos Artistas Plásticos (1977). Concluiu o curso médio de Pintura em Havana em (1981) e a licenciatura em Educação Visual e Tecnológica na Escola Superior de Viana do Castelo (1994).  Foi co-fundador e professor de desenho, gravura e pintura e também director da Escola Média de Artes Plásticas em Luanda (1994/1997).
O seu percurso académico continua, quando conclui o mestrado em Educação Artística na  University of Surrey Roehampton em Londres. Foi secretário-geral da UNAP e director nacional de Formação Artística. Actualmente, é docente da disciplina de desenho no curso de Arquitectura da Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto e professor colaborador do Instituto Superior de Artes.
Conta no seu percurso com perto de 30 exposições individuais e mais de uma centena de exposições colectivas apresentadas em Angola e no estrangeiro.Entre os prémios recebidos, incluem-se: o Mural Cidade de Luanda (1985); Banco de Fomento Exterior (1990); Ens`Arte (1996 e 2004) e Nacional de Cultura e Artes (2008).

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