Cultura

Vandalismo preocupa autoridades no Namibe

João Upale | Moçâmedes

O Governo do Namibe está preocupado com o estado do património cultural desde o seu uso, conservação, catalogação em cartas de localização e roteiros para guiar turistas e todas as pessoas em conhecer a província.

Pinturas rupestres do Tchitundu Hulu é candidata a Património Mundial da Humanidade
Fotografia: Afonso Costa | Edições Novembro-Namibe

Esta inquietação foi apresentada, segunda-feira, pelo governador Carlos da Rocha Cruz, quando intervinha no acto das comemorações de 8 de Janeiro, Dia Nacional da Cultura.
O governante mostrou o seu desagrado com alguns cidadãos que saqueiam e invadem o património material e imaterial como igrejas, cemitérios, monumentos e sítios e centros culturais recentemente construídos na perife­ria, entre outras infraestruturas públicas.
Acrescentou que, este comportamento “é mau” e dever ser repudiado e combatido veementemente por todas as forças vivas da sociedade, porque para além de eliminarem a história, também enterram um passado rico.
Para isso, acrescentou, banir estas práticas maléficas urge a necessidade da participação de todos os cidadãos na denúncia dos infractores.
“Hoje assistimos impávidos e com muita tristeza concidadãos a saquearem e vandalizar o nosso património cultural”, disse, para quem o momento é de reflexão à volta disso, não podendo deixar os familiares, vizinhos e amigos a danificarem os bens públicos, com particular realce o património cultural que é parte da história, evitando que as gerações vindouras venham fazer cobrança disso.
Carlos da Rocha Cruz frisou que não se pode pensar em cultura, se não tiver em conta a relação entre ela, os hábitos e costumes dos “nossos povos”, porque daí advém a nossa história e os princípios fundamentais do comportamento cívico e moral dos cidadãos.
Disse ser preciso a criatividade e ousadia para isso, e apelou aos órgãos afins no sentido de procederem maior investigação sobre os “nossos hábitos e costumes”, que culminarão com os resgates dos verdadeiros valores culturais que norteiam a história e identidade nacional dos povos.   

Balanço e perspectivas
Carlos da Rocha Cruz referiu ter em conta que o conceito de cultura “não encerra simplesmente na produção das artes musicais, cénicas, plásticas e outras demonstrações artísticas”. />O governante anunciou para o quinquénio 2017-2022 várias acções que constam do Programa do Governo Provincial, que visam a re­abi­li­tação e recuperação de monumentos e sítios, bem como de outras infraestruturas do sector, com prioridade para a construção de casas de cultura nos municípios, bibliotecas virtuais e a realização de feiras culturais.
Aos fazedores das artes, os muitos problemas por que passam mormente a falta de recursos financeiros e infraestruturas de apoio aos serviços, são do domínio do Governo da Província, neste sentido, e como se tem dito que os problemas só se conhecem conversando, Carlos Cruz prometeu manter brevemente um encontro com todos os fazedores das artes.
O director da classe artística, Genilson Himi, pediu as autoridades de direito algum apoio para incrementar as actividades programas.
A directora da Cultura, Euracema Ambrósio, enumerou algumas realizações feitas ao longo do ano passado. Do balanço feito sobre o estado actual da cultura na província, disse ter assistido o grande envolvimento de artistas em todas as artes, “ o que é positivo”, mas apelou para as formações constantes no sentido da classe embrionária poder crescer e no futuro ajudar passando conhecimento à geração vindoura.
Realçou que em termos de matriz cultural a província do Namibe ostenta um enorme potencial patrimonial, com destaque as pinturas rupestres do Tchitundu Hulu, localizado na zona de Capolopopo, município do Virei,que espe-ra a sua inscrição na lista de património mundial junto a UNESCO.
Euracema Ambrósio informou que o seu pelouro tem cumprido com a fiscalização, o que tem sido um grande desafio no intuito de transmitir às novas gerações e ao mundo, valores simbólicos da cultura a nível local.
A actividade que decorreu sob o lema “pela preservação da nossa identidade cultural, comemoremos o dia da cultura nacional”, a directora  apelou os líderes religiosos, sociedade civil, fazedores da arte, e população em geral no sentido de “desempenharem com zelo” as actividades para qual são chamados.

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