Cultura

Vencedores destacam segredo

Manuel Albano |

A perseverança, pesquisas permanentes e superação dos desafios foram  destacados, ontem, em Luanda, pelo escritor António Fonseca, como um dos elementos fundamentais na conquista do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2017, na categoria de Literatura.

Escritor disse que o prémio procura promover e valorizar a excelência das criações artísticas
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

O escritor disse ao Jornal de Angola, que nas suas pesquisas, tem procurado desenvolver trabalhos metódicos e de continuidade, sobretudo na abordagem de textos com conteúdos que promovam os vários grupos e subgrupos etnolinguísticos do país.
Embora ter sido uma surpresa essa distinção, António Fonseca considera o prémio como um reconhecimento do Estado angolano pelas três décadas de carreira dedicada à arte, fundamentalmente à escrita.
O escritor disse que, nas suas obras, tem procurado transmitir conhecimentos sobre a questão dos indígenas, a necessidade permanente de procurar-se formas consensuais para a preservação do património cultural e a concentração da riqueza em apenas um grupo restrito de indivíduos.
Para Maria Luísa Fançony, radialista e actual directora da rádio Luanda Antena Comercial (LAC), vencedora na categoria de Jornalismo Cultural, o prémio “é um sinal de reconhecimento do trabalho desenvolvido ao longo desses anos com profissional, fundamentalmente como apresentadora dos programas ‘Reencontrar África’ e ‘Afrikiya’”.
A formação, conhecimentos sólidos sobre cultura geral, fazer um melhor aproveitamento das mais variadas fontes de informação actualmente disponíveis, principalmente para os jovens jornalistas, explicou  Maria Luísa Fançony, devem constituir ferramentas indispensáveis para se produzir bons conteúdos.
Actualmente e com todos os recursos tecnológicos disponíveis, disse a radialista, já não se justifica a apresentação de trabalhos com pouca qualidade. “No tempo em que comecei, havia maior dificuldade em conseguir biografias, sobretudo de personalidades africanas que eram apresentadas nos meus programas. Hoje, nem tanto, por isso, aconselho aos jovens a se cultivarem mais e a beber da experiência dos mais antigos como forma de superarem-se profissionalmente”.
Maria Luísa Fançony dedicou também o prémio aos seus colaboradores, com particular destaque pelo contributo prestado pelo malogrado jornalista de créditos firmados e formador de várias gerações, Américo Gonçalves.
Na categoria de Música, o prémio foi atribuído ao cantor e compositor Carlos Lamartine, que considera a distinção “um estímulo que há muito merecia, fundamentalmente numa fase de mudanças no país”.
Com cinco décadas de carreira, para Carlos Lamartine, o prémio não é apenas o reconhecimento do trabalho que tem vindo a desenvolver ao longo dos anos de carreira musical, mas fundamentalmente por procurar transmitir valores culturais e cívicos à sociedade.
O músico recorda ter sido um dos compositores que marcou a época de ouro da canção revolucionária, que contribuiu nos arranjos do Hino Nacional, tendo agradecido o Ministério da Cultura pela atribuição do prémio.
No teatro, o vencedor é o grupo Protevida. Outra categoria introduzida este ano tem a ver com as Festividades Culturais populares, cujo júri atribuiu o prémio às Festas da Nossa Senhora do Monte, na província da Huíla por existir há mais de 100 anos, desde 1902.
Foram igualmente premiados, o artista plástico Horário Dá Mesquita, na categoria de Artes Visuais e Plásticas, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola, na disciplina da Dança. O de Cinema e Audiovisuais foi atribuído ao realizador Abel Couto.
O prémio de Cultura e Artes na disciplina de Investigação em Ciências Humanas e Sociais foi atribuído a título póstumo ao historiador Emmanuel Esteves.

Gala de premiação

Os vencedores do Prémio Nacional de Cultura e Artes, edição 2017, recebem, hoje às 19h00, os troféus referentes às várias categorias, durante uma gala a ser realizada no Cine Tropical, em Luanda.
Durante a gala, vai haver intervenções da companhia de dança tradicional Ballet Njinga Mbande, a actuação de um violinista angolano, na presença do Presidente da República, João Gonçalves Lourenço, e da ministra da Cultura, Carolina Cerqueira.  Yola Semedo, Legalize, Anabela Aya e um grupo coral vão preencher a actividade com um concerto acompanhado pela Banda Maravilha.

                                                                Políticas para potencializar os bens culturais
Potencializar e valorizar os bens culturais em todo o território nacional é um dos grandes desafios do Ministério Cultura para os próximos cinco anos, garantiu na terça-feira, em Luanda, a titular da pasta deste departamento ministerial.
Carolina Cerqueira, que falava na conferência de imprensa do Prémio Nacional de Cultural e Artes, edição 2017, afirmou que as pinturas rupestres, do Tchitundulo na província do Namibe, fazem parte da lista de candidatos a Património Mundial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
A ministra da Cultura garantiu que Angola vai participar na Feira do Livro na Guiné Conacri, considerada a décima sétima “Capital Mundial do Livro”, a primeira no continente africano.
Carolina Cerqueira, que não avançou títulos, nomes de autores nacionais e quantidades de obras a serem expostas na feira, deu a conhecer as obras de escritores nacionais que vão estar expostas na feira na Guiné Conacri, garantiu que o país vai participar neste importante evento cultural continental, cujo dia de Angola, segundo apurou o Jornal de Angola de uma fonte, comemora-se neste sábado.
A escolhida este ano pela Unesco como “Capital Mundial do Livro”, Guiné Conacri recebe desde  23 de Abril último a 22 de Abril de 2018 um intenso programa cultural com o objectivo de promover a leitura, divulgar e fomentar o panorama livreiro naquele país. Carolina Cerqueira disse que o departamento ministerial que dirige vai envidar esforços no sentido de modernizar as bibliotecas em todo o território nacional, bem como criar bibliotecas móveis para que a sociedade esteja mais próximo da leitura e aumentar os seus conhecimentos nos vários domínios do saber, assim como intensificar a municipalização da cultura.
Um combate cerrado ao índice crescente de seitas religiosas que têm servido de fonte financeira de muitos indivíduos é outra das metas a ser alcançada pelo Ministério da Cultura.
Mário Cohen

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