Vencedores prometem trabalho

Mário Cohen
23 de Outubro, 2015

Fotografia: Maria Augusta

Os vencedores do Prémio Nacional de Cultura e Artes, nas disciplinas de Dança, Cinema e Teatro, prometeram trabalhar mais, para continuarem a divulgar, no país ou no estrangeiro, a cultura angolana.

O vice-presidente do grupo de dança Os Novatos da Ilha disse ao Jornal de Angola que a distinção, atribuída pelo Ministério da Cultura, pelo conjunto da sua obra, vem num momento propício, devido aos vários problemas que viviam.
“Não estávamos à espera desta distinção, porque sabemos que o país tem uma enorme riqueza cultural no domínio da dança, a nível nacional. Mas agora poderemos renovar os votos de continuar a fazer mais por esta arte e garantir o testemunho deste legado às gerações vindouras”, disse Horácio Dá Mesquita, para quem o prémio é também um ganho para a própria dança rebita, que assim, com este reconhecimento de mérito, ganha mais oportunidade de se afirmar como uma das danças de salão de referência do mercado nacional.
“O prémio é também o reconhecimento do esforço de um dos fundadores do grupo e mestre da dikanza, Bartolomeu Napoleão “Jaburú”, que embora adoentado no momento, pode ver, em breve, o seu trabalho ganhar novos contornos”, disse, acrescentado que esperam realizar novas pesquisas sobre a matriz da rebita.
O legado, adiantou o responsável, é uma das principais preocupações do grupo, que está a ministrar cursos de rebita a   jovens, as quartas e sextas-feiras, na sua sede, pode ganhar mais impulso com o valor do prémio, 3,5 milhões de kwanzas.
“Antes vivíamos do apoio de instituições como a Fundação Eduardo dos Santos ou o Ministério da Cultura. Agora podemos criar um fundo próprio para gerir as despesas do grupo, em termos de materiais técnicos e artísticos”, destacou.

Cinema e audiovisual

O impacto para as gerações vindouras do contributo de Deolinda Rodrigues na luta de Independência Nacional, descrito no documentário “Langidila”, deu o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na disciplina de Cinema e Audiovisual, a José Rodrigues e Nguxi dos Santos.
O prémio, disse Nguxi dos Santos, é um incentivo para qualquer realizador, assim como um acréscimo na responsabilidade deste como criador, na qualidade temática dos seus futuros trabalhos, e como um dos divulgadores da cultura nacional.
“O documentário é um contributo para que a sociedade conheça quem foi Deolinda Rodrigues e qual o seu auxílio no processo de luta de libertação nacional, assim como uma homenagem a todas as mulheres angolanas que lutam diariamente para sustentar as suas famílias”, disse.
A distinção, defendeu, é uma honra para qualquer artista, não só para a sua figura, mas para todo o seu trabalho e a repercussão de um galardão da dimensão do Prémio Nacional de Cultura e Artes obriga os vencedores a serem  os melhores. “Tenho ao longo destes anos trabalhado  para documentar alguns dos momentos únicos da História do país, inclusive sobre o conflito armado que deixou o país em escombros. A meta é continuar a divulgar a História nacional, através de algumas das suas figuras de referência ou de momentos que marcaram uma época.”
O cinema e o audiovisual, adiantou, são sectores que ainda têm muito a ser explorado em Angola e o reconhecimento dos seus fazedores é um incentivo que estimula  os jovens realizadores. “A sétima arte é um excelente veículo para divulgar   a cultura angolana e aqueles que tudo fizeram pela Independência do país.”

“A Filha do Bruxo”

O reconhecimento de vários anos de trabalho, em prol da divulgação das artes cénicas no país, eis como o grupo Julu vê a sua distinção no Prémio Nacional de Cultura e Artes deste ano, na disciplina de Teatro.
Para o director do grupo, as distinções deste nível apenas servem como incentivo na melhoria do trabalho a ser apresentado e na busca por novos mercados e públicos. “É preciso também rever mais o conteúdo dos textos adaptados ao cinema. Esta é uma preocupação que não deve ser apenas do Julu, mas sim da maioria dos colectivos de teatro do país, em especial os jovens”, disse Manuel Teixeira, que destacou  a importância de os grupos primarem  pelo teatro comunitário, que durante anos foi uma das bases de actuação do Julu, que trabalhou  em espectáculos de intervenção social para ajudar na educação da sociedade.
Em relação ao espectáculo “A Filha do Bruxo”, com o qual foi distinguido, Manuel Teixeira disse que é um trabalho de pesquisa e defesa da identidade nacional, numa época, assim como a actual, em que os nacionais viviam dificuldades devido as suas tradições. “Hoje o perigo chama-se globalização.”
Além destes, o prémio foi ainda atribuído ao músico Rui Mingas, pela defesa da angolanidade nas suas letras, o artista plástico António Gonga, cujas criações exploram a tradição oral, o escritor José Luís Mendonça, pelo valor cultural dos seus livros, e o investigador Ilídio do Amaral, pela abrangência das suas análises  sobre a evolução urbana da capital.

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