Vice-governadora prestigia acto de abertura

Jomo Fortunato |
29 de Agosto, 2016

Fotografia: Contreiras Pipas

A Vice-Governadora da Província de Luanda para área Política e Social, Jovelina Imperial, prestigiou o acto de abertura da Feira Internacional do Livro e do Disco, que encerrou ontem as suas portas no Centro de Formação de Jornalistas (Cefojor),

com um discurso que apontou a importância estratégica do livro, e da promoção da leitura para o desenvolvimento da “Nova Angola”.
Mandatada pelo Governador da Província de Luanda, Higino Carneiro, eminente homem de cultura, a Vice-governadora apontou no seu discurso, o compromisso do Governo Provincial de Luanda, com a literatura e a produção discográfica, ficando expressa a importância que a edilidade local confere à generalidade dos criadores e às diferentes linguagens da produção artística.
A satisfação de estar presente no certame ficou logoexpressa no início do discurso da Vice-governadora: “Foi com grande prazer que aceitei o convite da Arte Viva, edições e eventos culturais, para estar presente nesta cerimónia de abertura da 10ª edição da Feira Internacional do Livro e do Disco, porque o Governo Provincial de Luanda reconhece a importância estratégica do livro, da promoção da leitura, da produção discográfica e do consequente alargamento da rede de bibliotecas públicas, no processo de construção da “Nova Angola”. Apoiando iniciativas do género, o Governo Provincial de Luandaestá a contribuir para que a democratização do saber, e a socialização do conhecimento seja um factor de acesso ao emprego e de diminuição das assimetrias sociais, sobretudo na camada  mais jovem da nossa população.  Neste sentido, o Governo Provincial de Luanda pretende incentivar os editores,  agentes culturais, produtores discográficos e livreiros, públicos e privados, a desenvolver e estender as suas acções em todo território nacional, numa agenda de trabalho solidária, definida por objectivos”. “Com o advento da paz, rumo ao progresso social e económico, disse a dado passo a Vice-governadora, é importante que a promoção da leitura seja abrangente nos seus mais nobres objectivos e contornos estruturais, para que o conhecimento científico e literário se alargue à toda população, possibilitando o acesso e beneficiando do consequente baixo custo do livro, uma reconhecida preocupação do Chefe do Executivo Angolano, José Eduardo dos Santos”.

Signo

A  Feira Internacional do Livro e do Disco acontece sob o signo “Criar novos factos culturais”, uma orientação extraída do discurso de fim do ano, em 2005, proferido pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e sua a filosofia organizacional, de periodicidade anual, obedece às linhas mestras do discurso do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, proferido no III Simpósio Sobre Cultura Nacional, em 2006.

Sistema

A Feira Internacional do Livro e do Disco é um momento, entre vários outros, que completa o sistema literário que inclui a promoção e defesa dos direitos do autor, do editor, do importador, do livreiro, e dos distribuidores, que devem estar articulados, para que a cultura angolana e a produção do livro e do disco sejam conhecidas em todo o território nacional e além-fronteiras.

Tecnologias

Apesar dos inegáveis avanços das novas tecnologias, e ao contrário dos profetas que advogam o fim do livro, onde a escrita alfabética seria substituída por uma cultura de sinais, o livro continua a ser a nossa melhor ferramenta de trabalho, de acesso à cultura, e companheiro ideal em todos os momentos.
O livro não dispersa, e uma das suas grandes características é fixar e condensar os conhecimentos que estão na base de todo o progresso individual e colectivo.
O livro, através do impacto daliteratura angolana, é útil à coesão cultural dos membros da grande família angolana e o Governo da Província de Luanda está atento ao crescente movimento editorial angolano, que já teve um passado glorioso depois da Independência, e vem dando sinais de qualidade concorrencial, e consequente afirmação internacional.

Bibliotecas

Com o adventodas mediatecas em todo o território nacional, redefiniu-se o conceito das bibliotecas tradicionais, passando dos habituais espaços de leitura e pesquisas de materiais impressos, para os processos digitalizados de acesso à informação. Sobre o assunto a Vice-governadora ressaltou o seguinte: “Temos consciência que a construção de uma rede de bibliotecas públicas modernas e digitalizadas, para a fruição da leitura pelos munícipes, associados a espaços de lazer cultural, pode inverter a tendência crescente da delinquência juvenil, um mal com que nos deparamos frontalmente no nosso quotidiano”. De facto, a inauguração da “Mediateca Zé Dú” no último dia 25 de Agosto, uma homenagem ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos, grande mentor e impulsionador da Rede de Mediatecas de Angola, vem cumprir com a preocupação do Executivo na promoção do livro e do aumento dos hábitos de leitura.

Edilidade

A presença de uma alta figura do Governo da Província de Luanda, na Feira Internacional do Livro e do Disco pode ser o início de um processo mais amplo de articulação entre a edilidade local e os promotores culturais, visando a criação de uma agenda cultural solidária, de periodicidade anual, que venha a engajar a totalidade dos eventos que indiciam alguma consistência e importância social, e, fundamentalmente, cultural. Neste sentido o Governo da Provincial de Luanda, passa a constituir uma instância que valida a componente institucional da generalidade das artes, do entretenimento e da investigação no domínio da cultura.

Palestras

O ciclo de palestras da Feira Internacional do Livro e do Disco ficou marcado por dois momentos de elevado interesse do público, maioritariamente jovem, um dos quais a dissertação do tema: “Uso da língua portuguesa na imprensa”, palestra proferida pela Professora, Maria Helena Miguel, Vice-Reitora da Universidade Católica, moderada por Pedro Neto, jornalista da Rádio Nacional de Angola, e o tema “O papel da juventude na comunicação social”, por Salomão Abílio, estudante de direito e radialista da RNA, moderada por, Victor Hugo Mendes, apresentador de Televisão. Salomão Abílio, enquanto apresentador do programa “Geração Digital”, incentivou os estudantes de Comunicação Social a cultivarem o hábito da leitura e suas pesquisas com o propósito de exercerem da melhor maneira a profissão de jornalista. A competência linguística, salientou Salomão Abílio, e o domínio das línguas estrangeiras foram igualmente assinaladas durante o evento como condições indispensáveis para que se tenha êxito na profissão. De facto, a língua, para além de ser o meio de comunicação, é um elemento de identidade cultural, razão pela qual é frequente a alusão à “Dimensão cultural do jornalismo”.

Objectivos

A Feira Internacional do Livro e do Disco persegue os seguintes objectivos: promover a circulação do livro e do disco entre os países convidados, ou que se venham a inscrever, facilitar o acesso e circulação, num só espaço, de livros e discos, mais representativos, produzidos pelas editoras destes países, proporcionar à juventude angolana, principal público-alvo, e às comunidades estrangeiras residentes e visitantes em geral, o gosto e o conhecimento dos principais referentes culturais no domínio da literatura, da música e das culturas internacionais, reforçar o intercâmbio cultural e comercial entre editores, livreiros, discotecários, músicos e artistas angolanos e os expositores estrangeiros, e proporcionar o debate sobre a música e a literatura, constituindo o resultado do ciclo de palestras e debates uma fonte de documentação e registo.

Função

Distintas das feiras profissionais, de carácter comercial e industrial, as feiras de pendor cultural, cumprem uma função social, mais educativa e pedagógica. Da necessidade de trocar e vender produtos em excesso, as feiras, actualmente, constituem uma importante “ferramenta de marketing utilizada na promoção de produtos e serviços, ampliação da carteira de clientes, expondo directamente os produtos junto dos compradores e fornecedores”. Para além de constituir um indispensável instrumento de comunicação, as feiras, nas suas mais variadas tipologias, complementam o ciclo de interacção entre as instituições e dos diferentes protagonistas interessados no desenvolvimento e abordagem de determinado tema ou promoção de certo produto. 

Balanço

A comissão organizadora da feira deu a conhecer aos editores, livreiros, produtores discográficos, alfarrabistas e imprensa que esteve presente no acto de encerramento, o balanço provisório do número de visitantes, coeficiente de títulos bibliográficos vendidos, e a incidência percentual de livros técnicos e literários vendidos. De 22 a 28 de Agosto, passaram pela Feira Internacional do Livro e do Disco cerca de 8 500 visitantes, com uma venda de 7 200 títulos bibliográficos, sendo oitenta por cento de livros literários, contos, novelas e romances, e vinte por cento de livros técnicos, nos domínios da política, sociologia, direito, economia, pedagogia e psicologia.   A música angolana esteve em alta com uma venda 12 000 discos vendidos, e os CD de música estrangeira com uma venda de cerca 5000. Os preços mais baratos tanto de livros como de discos variaram entre 500  a  1000 kwanzas, com livros de literatura infantil ao preço de 100 kwanzas.

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