Viteix considerado um ícone da cultura nacional

Francisco Pedro |
2 de Junho, 2016

Fotografia: Paulino Damião

Gratidão ao mestre Victor Teixeira, mais conhecido por Viteix, é o que representa a exposição “Rastos”, disse ontem em Luanda o seu mentor, Lino Damião.

A exposição de pintura está patente ao público desde terça-feira, no Camões-Centro Cultural Português, em Luanda.
Na cerimónia de inauguração a sala estava cheia, a maioria dos visitantes conversa mais e apreciava menos, pois não havia espaço para prática das duas acções. Logo à entrada da sala de exposição, o primeiro quadro é “Sem título”, o segundo, “Luanda, construção e desconstrução”, enquanto o terceiro também é “Sem título”. Depois seguem-se, em sentido horário, as obras “Gestação”, “Um Mambo Vermelho numa rua da minha banda” e, novamente, “Sem título”.
Sob técnica mista de acrílico sobre tela, alguns quadros têm motivos pictóricos que nos remetem ao espólio, ou marcas da estética deixada por Viteix, como os quadros “Muxaluando”, “Cangodiodio” e “Imagens Imaginadas”.
Lino Damião considerou Viteix, falecido há 23 anos, um ícone da cultura angolana, em particular das artes plásticas  a nível de África. “Viteix era um mestre das artes angolanas e esta exposição representa uma singela gratidão e reconhecimento pelo contributo dado em prol da cultura nacional. Em gesto de reconhecimento, que ocorre exactamente na data em que se completa mais um ano do seu desaparecimento físico”.
Inspirada na última exposição realizada em 1992, por Viteix, denominada “Restos, Rastos e Rostos”, a mostra reúne 14 quadros e está aberta ao público até ao dia 14, e congrega ainda os quadros “Encontros”, “Ser I”, “Kaus”, “Gestação I” e, à saída da sala da exposição, mais uma obra “Sem título”, prática que Lino Damião adopta, há largos anos, em não titular alguns dos seus trabalhos.
Para testemunhar a homenagem, familiares e artistas da mesma geração  de Viteix marcaram presença, como Francisco Van-Dúnem (Van) e Filomena Coquenão.
“Os triângulos, as linhas, os semicírculos, os pontos e a serpente que, para os seus painéis, Viteix foi buscar na tradição da pintura mural e dos ideogramas cokwes evidenciam uma estética bela, gerada a partir de uma pesquisa estética séria e de um colorido que, em parte, hoje também podemos ver na pintura de Lino Damião e talvez nos permita compreendê-la melhor”, lê-se no texto do catálogo, assinado pelo historiador e crítico de arte Adriano Mixinge, a propósito de “Pequeno pintor Lino Damião”.
A directora do Camões-Centro Cultural Português, Teresa Mateus, considerou ser uma honra associar-se a esta homenagem de Lino Damião a Viteix, e que o curto tempo de preparação de “Rastos” não impediu que “o sonho, quase obsessivo, de Lino Damião, acalentado há mais de duas décadas, se transformasse em realidade, neste ano e neste mês, em que se celebra 23 anos da morte de Viteix”. Acrescentou que, com “Rastos”, “o miúdo, agora graúdo, presta um tributo de gratidão ao seu mestre Viteix, que antes de morrer criou, para felicidade dos olhos deLuanda, a inesquecívl ‘Restos, Rastos e Rostos’, que continua viva entre nós”.

Carreira

Membro fundador da Cooperativa Pro-Memória dos Nacionalistas e membro da União dos Artistas Plásticos de Angola (UNAP), Lino Damião participou em várias exposições colectivas e individuais, tendo se destaco como gravador nos primeiros anos da sua carreira.
Ganhou o prémio de Gravura em 1989 atribuído pela UNAP. Frequentou, de 1985 a 1986, o curso de Desenho e Pintura no Barracão, e a Escola Experimental de Arte de Luanda, altura em que passava longas horas no atelier do Mestre Viteix. Em 1999 participou no “Workshop de Fotografia”, orientado pelo fotógrafo Rui Tavares. Em 1988 concluiu o curso de Desenho e Gravura na UNAP, e de 1997 a 2000, o curso Nacional de Artes Plásticas, do Instituto Nacional de Formação Artística (INFAC) em Luanda. Frequentou “workshop sobre Identificação e Elaboração de Projectos Sociais, Participação em ciclos de conferências, “workshop de Arte Moderna” orientado pelo artista americano Hard Berge no Elinga Teatro.

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