Vitória de Samotrácia regressa ao Louvre


13 de Julho, 2014

Fotografia: DR

Depois de dez meses de um restauro que custou quatro milhões, em parte financiado por pessoas desconhecidas, a Vitória de Samotrácia, uma das jóias do Museu do Louvre, em Paris, voltou ao seu lugar de destaque ao cimo da escadaria que dá as boas-vindas aos visitantes do museu.

A estátua é uma das peças chave do Louvre e durante dez meses foi submetida a uma operação de limpeza e restauro. A figura em mármore da deusa grega alada Nike, descoberta em 1863 nas ruínas do Santuário dos Grandes Deuses na ilha grega de Samotrácia, há muito que tinha perdido a cor de origem e a estrutura também estava a precisar de ser retocada.
De acordo com os peritos responsáveis pelo restauro, esta escultura, com 5,57 metros de altura e que pesa 30 toneladas não estava em risco, mas era preciso recuperar algumas das suas características, visto que com os anos ganhou um tom acastanhado. “A cor da escultura e da base é diferente mas com o passar do tempo já nem esta diferença era notória”, destacou a instituição.
Apesar de o restauro ter sido anunciado no início do ano passado, a intervenção só avançou em Setembro com uma equipa de oito arqueólogos que trabalhou meticulosamente a peça grega do período helénico, que representa a deusa da vitória, cuja feitura remonta a cerca de 190 anos antes de Cristo e assenta numa base em forma de proa de navio.
No que à limpeza diz respeito, o objectivo era recuperar “o contraste entre o mármore branco de Paros da estátua e o mármore cinzento da sua base em forma de barco”, como explicou o director do Museu do Louvre, Jean-Luc Martinez, na altura em que foi anunciada a intervenção. Antes do restauro, a obra ainda apresentava “alguns problemas de estrutura”, que não tinham sido solucionados por um outro restauro, que remonta a 1934. Segundo Jean-Luc Martinez, a base moderna em betão estava ligeiramente fissurada. Além disso, a equipa de especialistas, apoiados por peritos internacionais, corrigiram ainda umas pequenas falhas que o mármore já apresentava na asa esquerda.
Segundo o “Wall Street Journal”, estas correcções não se conseguem perceber a olho nu mas fazem toda a diferença na estrutura da estátua.
Como uma das peças mais importantes do Museu do Louvre, visitado em Paris anualmente por dez milhões de pessoas, esta foi a primeira vez, desde a II Guerra Mundial que a Vitória de Samotrácia foi mexida e a primeira que foi restaurada desde a sua instalação na escadaria principal do museu, que está também a ser alvo de um restauro, até 2015.
Ao longo dos dez meses que durou esta operação, os arqueólogos detectaram correcções à estátua que foram feitas quando foi descoberta no século XIX e actualmente não seriam permitidas por serem inadequadas, como por exemplo um acrescento em gesso na asa direita.
 Apesar disso, a equipa optou por não lhes mexer, como exemplo do gosto daquela época, disse ao “Le Fígaro” Ludovic Laugier, responsável pelo departamento de antiguidades do Museu do Louvre. A operação de restauro custou quatro milhões de euros, pagos em grande parte pelos mecenas do Louvre, como a japonesa Nippon Television Holdings, a holding francesa de gestão de activos e crédito de risco Fimalac e o programa de conservação de arte dos norte-americanos Bank of America e Merrill Lynch. No total, estas empresas investiram três milhões de euros. O restante milhão foi conseguido através de uma campanha de apoio lançada pelo museu.

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