World Press Photo retira prémio


10 de Março, 2015

Fotografia: REUTERS

A direcção do World Press Photo, o mais importante concurso de fotojornalismo do mundo, retirou a distinção atribuída ao fotografo italiano Giovanni Troilo, na 58ª edição, devido à descoberta de uma manipulação da realidade no seu trabalho.

A organização disse que em causa não está o uso do Photoshop, mas sim a manipulação da realidade e por Giovanni Troilo ter apresentado “informações enganadoras”, quando obteve o primeiro lugar na categoria de “Histórias da Vida Quotidiana”.
O italiano Giovanni Troilo tinha-se candidatado com dez fotografias da cidade belga de Charleroi. A vida como ela era naquele recanto na Bélgica depressa começou a dar que falar na Internet. Quem conhecia a cidade não a reconhecia nas imagens premiadas. O próprio presidente da Câmara de Charleroi, Paul Magnette, não ficou indiferente e escreveu à organização do World Press Photo a pedir a retirada do prémio.
“Não sou especialista em fotografia mas sei reconhecer o mau jornalismo quando o vejo”, começou por escrever o autarca belga, argumentando que o fotógrafo tinha recorrido a luzes muito dramáticas e frias para reforçar a sensação de uma cidade abalada pela crise económica e social. Paul Magnette não duvidava que a série que tinha por título “La Ville Noir – The Dark Heart of Europe” (O Coração Negro da Europa) foi construída de forma a mostrar isso mesmo. Ela não representava a realidade mas aquilo que Giovanni Troilo quis retratar.
Numa das imagens vemos um homem, meio despido, sentado em casa e que, segundo a história do italiano, vive sozinho com problemas de obesidade e com medo de sair à rua. Acontece que afinal esse homem é uma figura conhecida da cidade, dono de uma loja de vinhos, alega Paul Magnette que incluiu um vídeo para provar o que diz.
A revista “Time” escreve ainda que pelo menos uma das fotografias não foi sequer tirada em Charleroi, informação que foi confirmada por Giovanni Troilo por telefone e e-mail. “Cometi um erro, não o posso negar”, confessou o fotógrafo de 37 anos a viver em Roma. A organização dos prémios, atribuídos pela fundação homónima com sede em Amesterdão desde 1955, abriu uma investigação ao caso e ontem revelou os resultados.
A distinção já não é de Giovanni Troilo. Giulio Di Sturco que tinha ficado em segundo lugar na categoria de “Histórias da Vida Quotidiana” ficou com o primeiro prémio. No site, do World Press Photo o trabalho de Troilo já desapareceu.
“O concurso do World Press Photo tem de ser baseado na confiança de que os fotógrafos submetem os trabalhos de acordo com a ética profissional. Temos controlo e verificação no local, claro, mas o prémio não funciona se não existir confiança”, lê-se numa nota de Lars Boering, director do World Press Photo, que confirma que este é “um caso claro de informação enganosa que altera a forma como a história é percebida”.
O grande prémio do World Press Photo foi entregue este ano ao fotógrafo dinamarquês Mads Nissen com o retrato de um momento íntimo entre Jon e Alex, um casal homossexual. A imagem foi tirada em São Petersburgo, na Rússia.

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