Zan está de regresso ao vanguardismo

Manuel Albano |
7 de Abril, 2015

Fotografia: João Gomes

O artista plástico Zan aconselhou, ontem, em Luanda, os criadores a pesquisarem e a lerem mais temas da especialidade, como forma de aumentarem os seus conhecimentos sobre as artes e em particular da pintura.

Zan disse ao Jornal de Angola que para dominar qualquer actividade artística é importante estar actualizado sobre as tendências contemporâneas.
Apesar de se considerar um autodidacta, sente que há evolução nos seus trabalhos, particularmente na utilização das cores e nas técnicas de pintar. “Para dominarmos as cores e técnicas de pintura devemos apostar fortemente na pesquisa e em leituras especializadas”.
Sobre a exposição “Absolut Zan” que reúne 25 quadros e é inaugura amanhã, às 18h30, no Instituto Camões, em Luanda, disse que aborda temas diversificados e livres sem nenhuma corrente ideológica.
A exposição, que fica patente ao público  até ao dia 22, tem temas livres e partiu de trabalhos seleccionados ao longo dos últimos dez anos, utilizando a técnica acrílico sobre tela.
O artista disse que tem acompanhado o trabalho que tem sido desenvolvido pelos criadores angolanos, apesar de estar mais tempo em Portugal. “Tenho visto e admirado os trabalhos dos pintores António Ole e Van. Existe uma corrente de artistas da nova geração que tem feito um bom trabalho, porque o surgimento de escolas tem ajudados a melhorar as técnicas”, defendeu.
O artista garantiu que vai passar a expor com mais regularidade no país, mas que a falta de apoios tem criado dificuldades. “Não tem sido fácil fazer exposições, porque é preciso encontramos pessoas dispostas a divulgar estes trabalhos”. O gosto pela ilustrações e pela pintura, contou, começou a surgir no Liceu Salvador Correia. “Sempre tive jeito para a pintura, mas só apostei nela profissionalmente na década de 80”, disse.
Antes de descobrir a pintura, percorreu outros caminhos artísticos. Durante anos, disse, foi um dos divulgadores do jazz em Angola, tendo feito audições no programa radiofónico “Equipa! Um contacto Popular”, na década de 70, em Luanda. José Zan Andrade era o produtor e Artur Queiroz o realizador do programa. Zan deu a grande pedrada no charco na rádio dessa época. Construiu todo o edifício sonoro do “Contacto Popular” com a Grande Música Negra, que além de jazz inclui algumas formas de música brasileira.  “Para gostar do jazz e da pintura é preciso ter alguma sensibilidade, porque não é fácil”, disse Zan ao Jornal de Angola.
Com 69 anos e em vésperas de completar 70, em Maio, disse que pretende publicar, em breve, várias crónicas sobre jazz e temas sociais publicados em vários jornais nacionais com destaque para o semanário “A Palavra”. Zan (José Andrade) foi o único cronista de jazz em Angola, antes do 25 de Abril. E com Rogério de Vasconcelos, foi pioneiro  na divulgação de jazz e da grande música negra, antes e depois da Independência Nacional. José Andrade e Rogério Vasconcelos eram os mestres. Todos os outros, seus discípulos. Como guitarrista, foi líder da banda de groover “Electronic”, na década de 60, onde o vocalista principal foi o cantor Vum Vum. “A banda tocava em bailes e casamentos. Era uma banda que experimentava e tocava de tudo um pouco”, lembrou.
José Zan Andrade que nasceu em Luanda em 1946, começou por ouvir rock e blues, desde muito cedo por influência dos amigos. A última exposição individual de Zan em Angola foi em 1997, na Galeria Humbi Humbi, com o título “Pinturas”. Em 1983, começou a pintar a tempo inteiro telas, outdoors, ilustrações para obras literárias. Em 1986, fez a sua primeira exposição individual em Luanda, na União dos Artistas Plásticos. Em 1992 saiu de Angola e radicou-se em Portugal, onde reside até agora.

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