Zinha Monteiro inaugura exposição

Manuel Albano |
28 de Junho, 2016

Fotografia: Paulino Damião

O olhar atento e optimista de uma mulher emancipada, que entre preocupações e falta de oportunidades numa sociedade machista procura conquistar a sua liberdade, é o que salta à vista ao observar-se, sexta-feira, os 15 quadros da autoria da pintora Zinha, na exposição “Reflexos de uma vida”, na Galeria Tamar Golan, em Luanda.

Treze meses depois de se ter estreado com a exposição “Luz e Vida”, no Salão de Exposições da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), Zinha volta às telas para  testar no geral, em particular, o conhecimento sobre as mensagens “quase confusas”, transmitidas nas suas obras.
Os anos de vivências e a experiência nas artes plásticas adquiridos parte deles na Caála, no Huambo, sua terra natal, em Luanda e em 2008 quando regressou definitivamente a Angola, depois de viver vários anos em Portugal, denunciam uma clara intenção da artista em chamar a atenção sobre a necessidade de um mundo de oportunidades igualadas.
Os traços e figuras geométricas quase presentes na maioria dos quadros pintados com a utilização da técnica de spray, que é o forte de Zinha Monteiro, espelham bem em “Reflexos de uma vida” a preocupação da artista, sobretudo para as questões da desigualdade social.
A pintora mostra nos seus quadros uma certa inquietação, no que respeita aos acontecimentos e temas propostos, numa tentativa de trazer à reflexão aspectos positivos e negativos do quotidiano.
No maior dos quadros expostos, denominado “A Lua em Minguante”, a diversidade de cores vivas pode entender-se como um recado à sociedade machista, mostrando a preocupação sobre a emancipação feminina. Para ajudar a compreender melhor as “críticas e sugestões”, nas mensagens das obras de Zinha, foi positivo o “embalo” proporcionado pelo momento musical do trovador Simão Cláudio “Art Jazz” e um grupo de dança tradicional, que tornaram a actividade mais “angolanizada”.

Incentivo à mulher


Também surgiu a dúvida, porém, se a falta de oportunidades e desigualdade social apresentadas em telas pela pintora Zinha não são um desafio para que cada mulher continue em busca dos seus sonhos e objectivos, explorando melhor o seu potencial, num mundo dinâmico e transformado em aldeia global.
A combinação entre preto e branco em alguns dos quadros é um apelo claro da artista à não discriminação, ao respeito pela diferença, à preservação da natureza como o maior património e boa convivência entre seres humanos.
Obras como “As 13 Taças da Última Ceia”, “Os Outros Tempos”, “A Noite em Lua Cheia”, “Palancas ao Sol”, “Mãe Terra”, “Positividade”, “Árvore da Vida”, “O Pecado Mora Aqui”, “O Pensador”, “A Pensadora” e “Aquele Abraço” são algumas das telas que relembram o percurso da pintora nas décadas de 50, 60 e 70, cujo objectivo é enaltecer o contributo da mulher angolana na reconstrução nacional e o resgate dos valores ao longo do seu processo de emancipação feminina. Na mostra, que vai estar patente durante três semanas na Tamar Golan, Zinha usa ainda a arte decorativa em garrafas, como parte integrante da exposição.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA