Desporto

1º de Agosto conquista Taça com revolução no balneário

Honorato Silva

Maturidade e força competitiva deram ao 1º de Agosto a terceira “dobradinha” no futebol angolano, com a vitória (2-1) frente ao Desportivo da Huíla, ontem no Estádio Nacional 11 de Novembro, na final da 37ª edição da Taça de Angola.

Conjunto do Rio Seco interrompe jejum na competição que já durava há uma década
Fotografia: José Cola | Edições Novembro

Como previsto, os militares da Região Sul, a grande sensação da temporada futebolística finda, justificaram a presença na decisão do título. Longe de serem meros figurantes num baile de consagração, obrigaram os tetra-campeões do Girabola a puxar dos galões para evitar o prolongamento do jejum na prova, que já durava há uma década.
O bloco médio/baixo, a suportar o 1-4-2-3-1 armado por Mário Soares, limitou a movimentação e profundidade do ataque da equipa rubra e negra, que não conseguiu esconder a ausência de Show, castigado, na organização do jogo a meio campo.
Macaia manteve o registo habitual, enquanto Mário, pouco utilizado ao longo da época, levou tempo a ajustar as marcações, daí ter sido um dos escolhidos nas substituições operadas no balneário, que mudaram a história do jogo.
Num autêntico golpe cénico, o camaronês Leonel Yombi, o explosivo do ataque do Desportivo da Huíla, sustentado por transições rápidas, fez, no último lance antes do apito de Benjamin Andrade para o intervalo, o golo que gelou o estádio. Os adeptos, maioritariamente do 1º de Agosto, exibiam a máscara de espanto, pela expressão do marcador.
Abertos nos flancos, Zé e Manico, na esquerda, Sidney e Milton, na direita, apoiados por Cagodó e Malamba, levavam a bola viva a Yombi, que obrigou o quase intransponível Bobô a trabalhar o dobro, ao ponto de perder a calma e descontar o aborrecimento no assistente Bernabé Ngulo.
Mas os membros dos “Gloriosos VIPS do PRI”, o grupo de adeptos que vai com a equipa para todo o lado, diziam que os pupilos de Dragan Jovic dariam a cambalhota no resultado. A confirmação foi uma questão de tempo e começou com a entrada de Buá e Aquino, mudança que deu lugar ao 1-4-3-3, em substituição do 1-4-4-2.
Apesar de colectivo, o triunfo agostino teve a chancela de dois artistas destacados do resto da equipa. Ary Papel, em claro ascendente competitivo, e Zito Luvumbo, o baixinho da Selecção Nacional de Sub-17, idolatrado na Taça de África das Nações disputada na Tanzânia, pela enormidade da bola que bate.
Em vertigem ofensiva, os médios montaram um “consórcio” que em três minutos escreveu a história da segunda parte e, no resumo, o desfecho do desafio. Zito empatou, assistido por Ary que, no lance seguinte, fez na transformação de um penaltie, arrancado pelo colega, o golo que selou o triunfo. A julgar pela produção das equipas, o resultado acabou por premiar a solidez competitiva do 1º de Agosto, que igualou o feito alcançado em 1991, com Dusan Kondic, e 2006, com Jan Brouwer, ao juntar a Taça de Angola ao Girabola, na sua 12ª presença na final, ao passo que o Desportivo da Huíla falhou a terceira tentativa, depois das derrotas 0-3, em 2002, e 0-1, em 2013, ambas diante do Petro de Luanda. As equipas militares voltam a jogar em Agosto, para a disputa da Supertaça, na abertura da próxima temporada.

Poucos convidados

A falta de adeptos nas bancadas do 11 de Novembro foi a grande pecha da final da Taça de Angola, poucos dias depois de 1º de Agosto e Petro de Luanda terem preenchido quase metade do estádio, num dia normal de trabalho.
Estimada em menos de 4 mil espectadores, números muito aquém dos 50 mil da capacidade do recinto, a assistência inexpressiva põe em causa o estatuto de grande do futebol angolano dos militares do Rio Seco, que voltaram a mostrar que têm apenas adeptos para os jogos grandes e discussões nas redes sociais.
Em tempos de globalização, em que o melhor do desporto mundial é servido em casa, na velocidade de um "click", nas transmissões televisivas, os clubes devem investir na divulgação do seu produto, com abordagens direccionadas à presença do público.

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