Desporto

1º de Agosto: elite africana recebe velho concorrente

Honorato Silva

Numa fase de maior maturidade nas suas estruturas organizativas e condições de trabalho, com destaque para a diversidade e qualidade dos recintos de treino, recuperação dos jogadores e local de concentração e estágio, o 1º de Agosto regressa à Liga dos Campeões Africanos de futebol a pensar grande.

Rubros e negros querem dar alegrias aos seus sócios e adeptos na etapa de grupos
Fotografia: Dombele Bernardo|Edições Novembro

Pioneiros da prova continental no modelo europeu, depois da extinção em 1997 da Taça dos Campeões, os militares do Rio Seco ambicionam figurar entre os me-lhores na 22ª edição da maior montra da modalidade em África, a julgar pelo discurso da direcção liderada por Carlos Hendrick da Silva.
Para tal, os bicampeões nacionais definem como estratégia a conquista do pleno nos jogos disputados no Estádio Nacional 11 de Novembro, por isso pedem aos seus sócios e adeptos que se unam em torno dos jogadores e equipa técnica, na procura do sucesso na prova, que pode influenciar a melhoria da pontuação do país e o consequente reforço da quota de equipas nas Afrotaças.
Se há 21 anos, na sua primeira e única presença, o futebol rubro e negro era temperado em campo “pe-lado” (terra batida), cenário que mereceu a admiração dos dirigentes do Esperance de Tunis, em 1998, por não acreditarem ser possível um finalista da Taça dos Vencedores da Taças trabalhar na-quelas condições, as novas gerações de talentos agostinos têm à disposição vários recintos em relva natural e sintética.  Os alicerces criados por Dragan Jovic, técnico retirado do clube por razões de saúde, deixando um legado de dois títulos consecutivos, em três épocas e meia pontuadas por um futebol de elevado teor competitivo, pela plasticidade das movimentações tácticas, sobretudo no processo ofensivo, permitem ao 1º de Agosto encarar os adversários numa relação de paridade, longe da atitude subserviente das equipas angolanas, inclusive nas provas de selecções.
Ao optar por dar primazia à preparação da campanha africana, a equipa técnica dos militares, comandada por Zoran Maki, um regresso ao clube, após ter sido adjunto da Lujbinko Drulovic, deixou claro que a presença na Liga dos Campeões tem de ser marcada por níveis competitivos de excelência, na contramão dos recorrentes pas-
seios turísticos dos embaixadores do país, cujas prestações em África se assemelham a “safaris futebolísticos”, pela falta de ambição.
Para dar maior solidez à estrutura defensiva, o 1º de Agosto contratou o nigeriano Yisa, uma alternativa de qualidade a Dany Massunguna e Bobó, no eixo do sector mais recuado. No meio campo, Mongo (ex-Kabuscorp do Palanca) dá nervo à casa das máquinas coordenada por Ibukun e Chow, sem perdeu de vista o papel determinante de Buá, quer na condição de titular quer como suplente utilizado.
Mas é nos corredores laterais que o futebol do militares expressa as suas virtudes. Geraldo, Natael e Isaac têm sido fonte de preocupações para os defensores contrários, numa estrutura reforçada pelo rigor táctico de Paizo, lateral esquerdo multifuncional, que disputa cada lance como se fosse o último.
Com Neblu seguro na baliza, Fofó espreita a titularidade no ataque. Criado numa família de futebolistas, na qual se destaca o goleador Love Cabungula, o avançado oriundo do Progresso Sambizanga corre para discutir a titularidade com Jacques, ponta-de-lança contratado do Kabuscorp que ainda não justificou a aposta nos seus préstimos.
   
Kondic no baptismo
A presença do 1º de Agosto na estreia da Liga dos Campeões foi marcada pelo re-gresso de Dusan Kondic, em substituição de Mário Calado, seu fiel escudeiro no Rio Seco, depois do sucesso que juntos alcançaram em 1991 e 92, no Girabola. O treinador sérvio conduziu a equipa na vitória por 2-1, no terreno dos sul-africanos do Orlando Pirates, com golos do “capitão” Muanza Teca e uma “obra prima” Dê.
Ntomas, Hélder Vicente, Neto, Julião (falecido), Castela, Stopirra, Bolefo, Mateus Nfuidimau, Kiss (falecido), Assis, Nsilulu e Isaac formavam o núcleo duro do plantel que deixou de contar com a orientação de Kondic após o empate (1-1) na mítica Cidadela, frente aos marroquinos do Raja Casablanca, vencedor do Grupo A e da competição.
Na terceira jornada o leme voltou para as mãos de Ca-lado, campeão do Girabola na época anterior. Em quatro jogos, triunfou diante do USM da Argélia e Orlando Pirates, por 2-1, e perdeu 0-4, na visita ao Raja, e 0-1, no reduto dos argelinos, números que colocaram os militares a um ponto da segunda fase, acabando na terceira posição, com 10 pontos.

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