Desporto

1º de Agosto visita Lumbumbashi com a eliminatória em branco

Honorato Silva

A igualdade sem golos, ontem, no Estádio Nacional 11 de Novembro, rematou para o jogo de Lubumbashi, no próximo final de semana, a decisão da eliminatória dos quartos-de-final da Liga dos Clubes Campeões Africanos de futebol, entre o 1º de Agosto e o TP Mazembe.

Guelor mostrou muita garra e determinação na disputa da bola com os avançados contrários
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Com honras de casa cheia, a maior enchente do moderno recinto desportivo, depois do CAN\'2010, os tri-campeões angolanos e o colosso do continente proporcionaram um espectáculo digno da fase que reúne a elite da competição, com um ligeiro ascendente dos forasteiros. Claramente limitados pela ausência de última hora de Geraldo, por acumulação de amarelos, os militares do Rio Seco, orientados pelo sérvio Zoran Macki, voltaram a mostrar que estão emancipados na África do futebol.
Obrigado a defender, diante do poderio ofensivo de um adversário que controla os ritmos do jogo, o embaixador angolano conseguiu preservar o seu traço identitário, grande coesão defensiva, bravura que assegurou a inviolabilidade da baliza à guarda de Tony Cabaça. Inferiores no porte físico, desnível que ditou a supremacia da formação congolesa nas acções no meio campo, sobretudo na disputa da segunda bola, os rubro e negros foram obrigados a redobrar esforços para manter a eliminatória aberta, num sinal de maturidade competitiva.
Mais desgastado fisicamente, o 1º de Agosto procurou assumir o comando do desafio nos instantes iniciais. E quase foi feliz, um pouco depois da passagem do quarto de hora, quando Ibukun, na sequência de uma perda de bola da defensiva contrária, ficou a centímetros do golo. Infelizmente, para os donos da casa, o desperdício afectou em grande medida o desempenho do nigeriano, uma das referências na organização dos militares.
Em ano de afirmação, Show e Mário procuraram colocar o talento ao serviço da equipa. Conseguiram a espaços, mas sem a profundidade necessária para incomodar o tranquilo Sylvain, entre os postes. A dupla forja no clube perdeu quase todos os duelos com os experientes Kouamé Koffi e Sinkala, bem apoiados por Elia Mechak, Mika e Muleka, tridente de médios que se juntou a Malango para assoberbar Masunguna e Bobó, no centro da defesa, bem como Guelor e Isaac, nas laterais.

Bravura de Guelor

Um pouco depois da meia hora de jogo, o jogador menos acarinhado pelos adeptos do campeão nacional assinou a defesa da tarde. Com Toni já batido, Guelor ofereceu o corpo à bola para negar o golo a Mika, acção que deixou mais uma vez vincada a importância no plantel, pela forma abnegada que aborda os lances.
Obrigado a aceitar a proposta de jogo do TP Mazembe, mais fresco fisicamente, por estar a sair de um ciclo preparatório, o 1º de Agosto foi pouco incisivo no ataque. Com poucas investidas junto da baliza, rematou apenas seis vezes, três em cada parte, ao passo que os forasteiros, algo contemplativos no primeiro tempo, com quatro tentativas de golo, na etapa complementar inflacionaram os registos. Fizeram nove remates, quase todos ensaios de “rugby”.
A história do desafio permite perspectivar a segunda “mão”, no próximo final de semana. Para passar a eliminatória e ficar de facto no lucro, uma vez os objectivos terem sido atingidos, com a presença na fase de grupos, a equipa de Zoran Macki, que volta a ter Geraldo, mas perde Show, por acumulação de amarelos, está obrigada a correr mais do que o adversário, conjunto forte do meio campo ao ataque e frágil na defesa.
O público voltou a mostrar, no espaço de uma semana, que é possível encher o 11 de Novembro, desde que os resultados desportivos apareçam e sejam criadas condições de mobilidade. O reforço dos serviços de transportes públicos permitiu a evacuação do perímetro do estádio em menos de uma hora, após o final da partida.

Ficha ténica

Estádio:  Nacional 11 de    Novembro
Espectadores: 49 mil pessoas
Comissário: Ismael Locate (Ilhas Maurícias)
Árbitro: Rédouane Jiyed (Marrocos)
1º Árbitro Assistente: Yahya Nouali (Marrocos)
2º Árbitro Assistente: Essam Benbapa (Marrocos)
4º Árbitro: Hicham Tiazi (Marrocos)
1º de Agosto: Tony Cabaça, Isaac (Buá, 60'), Bobó, Dani Massunguna (Cap.), Guelor, Mingo Bille, Chow (Macaia, 61'), Mário, Mongo, Ibukun e Jacques (Razak, 78').
Treinador: Zoran Macki (Sérvio).
Acção disciplinar:
TP Mazembe: Sylvain Guelassiognon, Jean Kilitsho, Issama Mpeko (Cap.), Nathan Sinkala, Chongo  Kabaso, Kevin Zatu, Koffi Kouame, Jackson Muleka (Chico Kubanza, 73'), Mechak Elia (Glody Likonza, 83'), Michee Mika (Trésor Mputo Mabi, 69')
e Ben Ngita.
Treinador: Pamphile Mihayo Kazembe (congolês).
Acção disciplinar:  Cartão amarelo a Kasula ,8 min, e kouamé Koffi, 46 m.
Ao intervalo: 0-0.
Resultado final
: 0-0.

Equilíbrio marcaos primeiros jogos da eliminatória
O Al Ahly do Egipto conseguiu, sexta-feira um precioso empate sem golos, em casa do Horoya da Guiné Conacri, noutro desafio dos quartos-de-final da Liga dos Clubes Campeões de futebol. Apesar do empate no estádio 28 de Setembro ser considerado vantajoso, a equipa egípcia precisa de vencer no seu reduto para confirmar a passagem para as semi-finais.
O desafio da segunda-mão está marcado para o dia 22 deste mês.
No estádio 8 de Maio, na cidade de Setit na Argélia, o Entent recebeu e venceu, na sexta-feira o Widad Athletic de Casablanca, por 1-0.
O jogo da segunda-mão disputa-se em Casablanca, Marrocos, no Estádio Mohamed V, onde o Widad vai procurar, no dia 21 do corrente virar
a eliminatória.  À hora do fecho da edição o jogo entre as equipas tunisinas do Esperance e Étoile du Shael, estavam empatadas a um golo.

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