Desporto

Abandono fictício da aldeia olímpica

Amândio Clemente |

Muito se tem falado sobre a construção de novas infra-estruturas desportivas e a necessidade de preservação e manutenção das já existentes.

O estado de degradação em que se encontram os estádios construídos para acolher os jogos do CAN'2010, com sede no nosso país, é conhecido e tem merecido as mais variadas abordagens, que vão desde a responsabilização dos supostos “culpados” a sugestões sobre a forma de como devem ser encontradas soluções para que situações idênticas não voltem a acontecer, sem que haja sobre quem recaia a culpa, como acontece agora.
No entanto, os estádios do CAN são apenas a ponta do iceberg, pois há outros casos de infra-estruturas votadas ao abandono ou quase. Um exemplo muito próximo é o campo de São Paulo, um monstro que podia ser bem conservado e melhor aproveitado para o fomento da modalidade e caça de talentos.
Vale aqui lembrar a quem de direito a existência, em Benguela, de uma espécie de “vila olímpica”, que estava a ser erguida para acolher os Jogos da Região Cinco, que o país acolheu em Dezembro do ano passado. Foram investidas somas avultadas para a construção de um recinto multidisciplinar, que pudesse acolher jogos de algumas modalidades e, ao mesmo tempo, alojar os participantes no evento. A cidade das acácias rubras tinha sido eleita sede dos jogos.
Mas, por uma razão não bem explicada, a sede foi transferida para a capital. Daí para cá, nunca mais se falou do empreendimento. Não se sabe se as obras continuam, nem quando vão estar concluídas, para estarem ao serviço do desporto e da juventude. Mas, ao que parece, anda alguém interessado que o assunto e a obra sejam esquecidos, para tirar proveito pessoal de um empreendimento que custou dinheiro aos contribuintes.
Aos novos responsáveis do pelouro dos Desportos, fica o recado, caso não saibam da existência de mais um empreendimento de vulto “votado ao abandono.” As aspas significam que o abandono é propositado, pelo que fiquem atentos e façam as diligências para apurar o que se passa, sob pena de vermos, tal como aconteceu com a Casa do Desportista, mais um bem público a passar para terceiros sem qualquer compensação financeira para o Estado. É preciso que a sociedade desportiva saiba em que pé anda o projecto, porque, pelo adiantado das obras, não pode ter sido “abandonado” e deixado à sorte dos “chicos espertos.”

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