Desporto

Acordo coloca fim à greve no Progresso

António de Brito

A direcção do Progresso Sambizanga entrega hoje dois mini-autocarros à comissão de trabalhadores do clube, depois do levantamento da greve e vigília, que duraram 37 dias, no âmbito do acordo celebrado entre as partes.

Funcionários do Progresso suspendem greve
Fotografia: M. Machangongo | Edições Novembro

Os autocarros vão ser geridos pela Comissão de Trabalhadores, que terá a missão de criar fundos para dar solução aos problemas salariais.
No encontro de terça-feira com a Comissão de Trabalhadores, Paixão Júnior prometeu pagar dois salários dos 18 em atraso, no dia 15 de Fevereiro. Os restantes vão ser pagos de forma faseada, uma vez que o Progresso Sambizanga enfrenta uma grave crise financeira.
Contas feitas, a direcção “sambila” deve 350 milhões de kwanzas aos trabalhadores, daí a razão da greve e a vigília defronte às instalações do clube.
Além do pagamento dos salários em atraso, Paixão Júnior prometeu, depois do compromisso assinado, oferecer mais dois autocarros e criar uma empresa para benefício dos funcionários, a ser gerida por quatro elementos da comissão.
Em declarações ao Jornal de Angola, Azevedo de Sousa, coordenador e porta-voz  da Comissão de Trabalhadores, disse esperar que Paixão Júnior cumpra todas as promessas após a assinatura do compromisso.”Hoje (ontem) ficou de oferecer dois mini -autocarros para resolver parte dos problemas que enfrentámos.
 Estas viaturas vão fazer serviço de táxi e os fundos arrecadados vão, naturalmente, suprir muitos dos problemas com que nos debatemos”, disse, acrescentando que na reunião de terça-feira Paixão Júnior mostrou-se preocupado em resolvê-los, porque muitas famílias estão a passar dificuldades.
Caso Paixão Júnior volte a não honrar os compromissos, como fez da outra vez, os lesados ameaçam retomar a greve.”Ninguém sobrevive de promessas e boas intenções. Se o acordado não for satisfeito, iremos retomar a greve”, avisou o coordenador da comissão.

Famílias separadas

Com os atrasos nos pagamentos, muitas famílias ficaram desestruturadas, principalmente as que viviam em casas arrendadas. Como não pagavam, os senhorios passaram as residências a outros inquilinos com poder financeiro. Muitas crianças ficaram igualmente fora do sistema de ensino, porque os pais não tinham como pagar as propinas.”Estou em casa de familiares, como muitos colegas. As famílias ficaram desestruturadas”, lamentou Azevedo de Sousa.
Fundado há 44 anos, o Progresso Sambizanga movimenta as modalidades de futebol, basquetebol, andebol, voleibol, atletismo e xadrez.

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