Desporto

Angola falha meta ao cair nos quartos

Anaximandro Magalhães | Tunis

Os seleccionadores oriundos dos seus respectivos países estão representados em maior escala na 29ª edição do Campeonato Africano das Nações, Afrobasket, cuja etapa derradeira é disputada na cidade de Tunis, Tunísia, com a final a ser jogada amanhã no Pavilhão da Vila Olímpica de Radès, com capacidade para 12 mil espectadores.

Leonel Paulo assumiu em campo a liderança da equipa
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

Dos 16 treinadores presentes na maior prova do calendário de competições da FIBA-África, 10 são naturais dos países que orientam. Angola, selecção mais vezes campeã africana, com 11 troféus conquistados em 1989, 91, 93, 95, 99, 2001, 2003, 2005, 2007, 2009, 2011 e 2013, é dirigida pelo angolano Manuel Silva "Gi".
A República Centro Africana (RCA) é liderada pelo técnico nascido do país, Ulrich Gabin Isidore Marida. O Egipto é comandado por Amr Abouelkhir, o Marrocos por Said El Bouzidi, o Congo Democrático por Papy Kiembe, o Mali por Moussa Sogore, o Ruanda por Moise Mutokambali e a África do Sul por Craig Gilchrist.
Campeã inédita em 2015, taça ganha sob a orientação do norte-americano Will Voigt, a Nigéria apostou num seleccionador nacional, Alexandre Nwora, o responsável máximo da equipa.
Pelos “estrangeiros”presentes na prova, a Espanha lidera o pódio com Porfírio Diego, na condução do Senegal, e Inaki Martin Garcia, por Moçambique. A França fez-se representar com um técnico Hugues Occansey, pela Costa do Marfim, selecção três vezes campeã do Afrobasket. 
Anfitriã da fase derradeira da prova, organizada de forma conjunta e disputada em simultâneo na fase preliminar de 8 a 10 em duas cidades de dois países, Dakar e Tunis, a Tunísia foi contratar um dos mais conceituados treinadores da lusofonia, o português Mário Palma, que tem no currículo a conquista de quatro campeonatos das nações, sendo com isso o treinador com mais títulos, 1999, 2001, 2003 e 2005, na cidade de Argel, Argélia.
O Uganda, que marcou presença pela segunda vez na maior cimeira da bola ao cesto africana, é comandado pelo norte-americano George Dean Galanopoulos. O brasileiro António Barbosa está na prova ao serviço dos Camarões. Gi, Palma e Barbosa são os únicos falantes da língua portuguesa. Hugues é o único dos seleccionadores repetentes dos que estiveram em 2015. No referido ano, realce ainda para a aparição de oito treinadores nacionais, contra 10 este ano.

Arbitragem africana


A qualidade da arbitragem africana regrediu. Quem o afirmou, em declarações ao Jornal de Angola, foi o marroquino Abdelilah Chlif, um dos mais categorizados árbitros do continente.
Presente na 29ª edição do Campeonato Africano das Nações, Afrobasket o juiz de 49 anos, 28 dos quais dedicados ao apito, falou sem tabus de vários aspectos, dentre os quais o domínio da língua francesa e inglesa, para si um dos factores impeditivos para o sucesso de alguns árbitros angolanos.
"Já tivemos melhores árbitros. Neste momento assiste-se a um estágio pouco evolutivo. Eu, o Carlos Júlio, o Soares de Campos, o Fernando Pacheco "Baganha”e alguns outros africanos, mas citei os angolanos não por obstinação ou por serem angolanos mas por  terem sido bons exemplos, e sempre representámos condignamente o continente. Agora vemos muitas debilidades técnicas e má interpretação constante dos lances. Quanto à língua, julgo ser importante para o domínio das novas técnicas e escolha do órgão reitor da modalidade a nível mundial", explicou.
Promovido a árbitro de categoria internacional em 1994 Chlif, que vai ser homenageado na final do campeonato, anunciou: "Será a minha última participação num campeonato africano, enquanto árbitro internacional".
O juiz marroquino, que já apitou em 13 edições do Afrobasket, dos quais dez em seniores masculinos e três femininos, cuja folha de serviço regista ainda a presença em dois campeonatos do Mundo e igual número de Jogos Olímpicos, assumiu que não ganhou dinheiro com a arbitragem, “porque num campeonato recebemos apenas 600 dólares, mas eu, Júlio e outros recebíamos 1.200.00 (mil e duzentos) dólares".

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