Desporto

António Costa : “Deixo a casa arrumada e vou integrar uma das listas da FAF”

António Ferreira

Anto?nio Costa e? o actual presidente da Associação Provincial de Futebol (APF) de Benguela, cargo que ocupa desde 2012. Em fim de mandato, na?o e? candidato à sua pro?pria sucessa?o; mostrando-se, inclusive, satisfeito por ter sido convidado para integrar uma lista de “verdadeiros homens do futebol” concorrente ao pleito marcado para Julho no órgão reitor da modalidade-rainha no país.

residente cessante, de 59 anos, com vasta experiência em gestão desportiva exalta os ganhos alcançados no seu consulado
Fotografia: Edições Novembro

No entanto, não “abriu o livro” e prefere esperar pelo arranque da campanha eleitoral para falar da lista concorrente. Os nomes dos integrantes estão guardados a sete chaves. Na hora da sai?da deixa a APF de Benguela como a melhor do pai?s, distinc?a?o recebida na única gala realizada pela Federação Angolana de Futebol (FAF). Actualmente, a APFB conta com oito equipas no escalão principal, 12 juniores, 15 juvenis e 16 iniciados.

Comedido no discurso, o nosso entrevistado falou de si, do seu percurso, e dos objectivos a ni?vel do futebol. A arbitragem, infra-estruturas desportivas, eventos de cariz provincial, nacional e regional continuam a ser a sua preocupac?a?o. Aos 59 anos de idade, Costinha, nome como carinhosamente e? tratado nas lides desportivas, teve desde cedo uma vocac?a?o para a prática desportiva, com passagem pelo motocross, em que chegou a exercer o cargo de presidente da Associac?a?o Provincial de Luanda de 1998 a 2004; com relevância na construc?a?o, com seu próprio punho, do Circuito Jorge Varela, para ale?m de ter relanc?ado o karting em Benguela e da sua passagem pelo andebol, em que chegou a representar os clubes Neves Bendinha e Ferrovia?rio em Luanda.

Mudou-se para Benguela e no ano de 2004, na altura por indicac?a?o do malogrado Valentim Amões, assumiu a direcc?a?o do Estrela 1º de Maio de Benguela, e em 2008 dirigiu a Comissa?o de Gesta?o da Acade?mica Petróleos do Lobito. E? o homem do momento de quem se fala com muito carinho e respeito nos ci?rculos ligados ao futebol na cidade das “Acácias Rubras”. Em primeira ma?o ja? o disse que na?o concorrera? ao cargo de presidente da APF de Benguela para o quadrie?nio 2020/2024. Deixa a casa arrumada e que vai sentir saudades dos anos de trabalho.

A pergunta e? inevita?vel. Qual e? a realidade do futebol em Benguela?
- “O futebol na provi?ncia de Benguela esta? bem. Na u?ltima e?poca desportiva no?s tivemos em competic?a?o oito equipas no escala?o se?nior, 12 em juniores, 15 em juvenis e 16 em iniciados que comparativamente ao ano anterior registamos um aumento de 15 por cento de equipas. Sa?o nu?meros animadores que reflectem o trabalho conjunto desenvolvido entre a APF de Benguela e os clubes locais”.

O futuro pelo que diz esta? acautelado. Preparou a saída?
- “De facto a minha sai?da foi devidamente preparada. O futuro esta? acautelado porque o meu sucessor identifica-se com as linhas de trabalho existentes. Na?o obstante o momento que vivemos temos tudo acautelado para o arranque da nova e?poca desportiva em todos os escalões eta?rios. Vamos ainda esse ano, criar o museu do futebol numa das salas no Esta?dio de Ombaka, a ser disponibilizada pelo Ministério da Juventude e Desportos (MINJUD).
Temos ainda projectado antes da minha sai?da, a exemplo do que fizemos nos últimos sete anos, a entrega de troféus aos clubes e atletas que mais se destacaram no ano de 2019. Estou certo de que o meu sucessor continuará a apostar no crescimento do futebol em Benguela. A realizac?a?o de torneios intermunicipais estara? certamente na agenda do meu sucessor. Levar o futebol a todos os munici?pios e? o nosso grande objectivo. Os clubes esta?o a preparar-se cada vez melhor, a nossa arbitragem tambe?m está mais preparada. Queremos ter campeonatos cada vez mais competitivos, mas sempre com um grande espírito de “Fair Play. Queremos aumentar o nu?mero de clubes em Benguela e continuaremos a trabalhar para o efeito”.

E o panorama do futebol feminino?
- “O futebol feminino, por escalões, e? tambe?m uma aposta da APF. Temos em mão um projecto que vamos lançar na província com o apoio das administrações municipais e da própria Federac?a?o Angolana de Futebol, pois essa é uma orientação da FIFA. O futebol feminino tem que sair do marasmo em que se encontra a ni?vel nacional”.

Esse projecto vai cingir-se à província de Benguela...
- “O nosso projecto provincial deverá abranger outras provi?ncias a ni?vel da nossa regia?o, pelo que o nosso desejo e? realizar regularmente torneios interprovínciais. No passado tivemos um ensaio com a provi?ncia do Huambo”.
A nível da formac?ão que ganhos teve a província de Benguela?
- “Tivemos muitos ganhos e quero aqui felicitar as direcc?õ?es dos clubes pela aposta na formac?ã?o”. Actualmente, a exigência em qualquer modalidade desportiva, e no futebol em particular por ser considerado o desporto rei, que recai sobre os clubes é grande, independentemente da dimensão ou estatuto. Será que todos estão preparados para tal exigência? Ou terão capacidade para corresponder a um “serviço” de qualidade, enquanto clubes formadores. É evidente que os resultados são importantes, o mais preocupante é o desnivelamento na capacidade de execução do processo formativo e competitivo existente entre clubes, onde se assiste equipas com atletas sem estímulos suficientes para evoluir a competir no seu escalão, ganhando por cento dos jogos, sem grandes dificuldades e problemas criados pelos adversários ou o inverso”.

Que outras realizac?o?es teve a APF durante os seus mandatos?
- “No?s realizámos um curso de treinadores de ni?vel C da Confederação Africana de Futebol (CAF), formámos 126 a?rbitros e 47 socorristas e vamos apostar também na formac?ão dos dirigentes dos clubes. Continuaremos a melhorar a qualidade da nossa arbitragem, cujo Conselho Provincial tudo tem estado a fazer para que isso acontec?a, acompanhando muito de perto a evoluc?a?o de cada árbitro”.

“Ja? se joga menos em campos pelados a nível do nosso futebol”

inda há campos pelados em Benguela. Como estamos em infra-estruturas?
- “Ja? se joga menos em campos pelados a nível do nosso futebol. Tal como atrás referi, integrarei uma lista que vai concorrer às eleic?o?es na FAF e se vencermos, elaboraremos um projecto especi?fico para Benguela para aproveitar os campos relvados existentes que sa?o muitos, ou seja doze (12). Vamos integrar nesse projecto os proprieta?rios dos campos relvados e estou certo de que sairemos todos a ganhar”.

Oito anos de mandato. De que se orgulha?
- “O meu grande orgulho e? deixar duas equipas na I Divisão. Deveriam estar três mas assim a actual Direcc?ão da FAF não quis”.

A Direcção da FAF não quis?
- “Prefiro ficar calado. Sabe que numa casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Investiguem e verão que a APF Benguela tem razão”.

O que dizer em relação a outras acções associativas de relevo...
- “Trouxe quatro vezes a nossa Selecc?ão Nacional de honras a Benguela, num reconhecimento da direcc?ão presidida pelo general Pedro Neto pelo trabalho que realizamos. Deixaremos tambe?m as instalac?o?es da APF devidamente reabilitadas e mobiladas e uma viatura, que dá uma certa dignidade à nossa instituic?ão. Deixo tambe?m um staff administrativo muito competente para enfrentar o futuro”.

Qual o segredo do seu sucesso?
- “Ter conseguido harmonia, paz e tranquilidade entre todos os órgãos da APF e os clubes”.

E que mensagem deixa aos filiados e demais agentes do futebol?
- “Quero por vosso intermédio agradecer todos quantos comigo trabalharam pelo empenho demonstrado. Aos agentes desportivos de Benguela igualmente o meu muito obrigado pela amizade e carinho que sempre me dispensaram. O meu muito obrigado especial à Direcc?a?o Provincial da Juventude e Desportos, particularmente ao chefe de Departamento de desporto, senhor Júlio Paiva, por todo o apoio prestado à APF de Benguela , ao longo dos meus mandatos”.

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