Desporto

Apoios da FIFA motivam candidatura de Artur Silva

António de Brito

O presidente cessante da Federação Angolana de Futebol (FAF), Artur de Almeida e Silva, afirmou nesta quinta-feira, em Luanda, que se recandidatou ao cargo para o período 2020/2024, a fim de materializar os projectos de desenvolvimento a serem financiados pela Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA).

Número um do órgão reitor diz ter cumprido 70 por cento do programa apresentado em 2016
Fotografia: DR

O dirigente admite que o elenco cumpriu apenas 70 por cento do programa, muito condicionado pela crise financeira no país, que afectou também a FAF. Em declarações à Rádio Cinco, explicou, a título de exemplo, que a FAF necessitava de 12 milhões de dólares por ano, mas recebeu apenas cerca de 600 mil dólares do Ministério da Juventude e Desportos.

Acrescentou que tinha como pretensão transformar o futebol nacional numa grande indústria, mas teve de recorrer à “diplomacia internacional”, já que os patrocinadores internos haviam-se retirado, e pendia também sobre a federação a suspensão dos apoios da FIFA. 

Artur Almeida e Silva argumentou que quando assumiu o cargo, em 2016, encontrou um passivo equivalente a 10 milhões de dólares, relativos ao atraso de três meses de salários, 15 anos de dívidas com a segurança social, entre outras, agora já liquidadas na totalidade.

“O país entrou numa grande crise que afectou o futebol, condicionando os planos e objectivos. Assim, quem nos poderia salvar é a FIFA, a quem recorremos e nos prometeu ajuda, depois da conclusão da auditoria interna. Por isso, somos candidatos a dar cumprimento e materialização dos projectos existentes”, disse. Sobre promessas de apoios da FIFA, apontou a quantia de um milhão e meio de dólares, dos quais uma parte será canalizada na aposta e desenvolvimento do futebol feminino.

As questões de organização interna, afastamento de responsáveis, relacionamento com as Associações Provinciais, clubes, Selecções Nacionais, trabalhos da comissão para criação da futura liga, também mereceram referências do líder cessante da FAF, anunciando a indicação dos treinadores Kito Ribeiro, para a equipa de Sub-20, e Mitó da Silva, nos Sub-17.

Nas provas internas, devido à pandemia da Covid-19, a FAF cancelou o Campeonato Nacional da I Divisão (Girabola'2019/20), quando faltavam cinco jornadas para o fim. Na altura, o Petro de Luanda era líder, com 54 pontos, seguido do 1º de Agosto (51, com menos um jogo), sendo que os dois clubes representarão o país na Liga dos Clubes Campeões Africanos.

<\/scr"+"ipt>"); //]]>--> justify;">Artur Almeida e Silva vai ter a concorrência de Norberto de Castro, Dino Paulo e António Gomes “Tony Estraga” na corrida ao cadeirão máximo da FAF.

Número de candidatos surpreende Carlos Brecha

Carlos Brecha, antigo secretário-geral do Benfica de Luanda, considera um caso inédito na história do futebol angolano, a existência de quatro candidatos à presidência da Federação Angolana de Futebol (FAF), casos de Artur Almeida, presidente cessante, Norberto de Castro, ex-vice-presidente para o futebol jovem, Dino Paulo, antigo director executivo da instituição, e Tony Estraga, ex- director Nacional para a Política dos Desportos do MINJUD.

Em declarações ao Jornal de Angola, Carlos Brecha referiu que durante os anos em que esteve ligado ao dirigismo desportivo, as eleições na FAF nunca registaram quatro concorrentes. “Fiquei surpreso, e espero que os candidatos sejam pessoas conscientes, e a lista vencedora procure resolver os problemas do futebol.

Estamos cansados de lamentações, tais como 'encontrámos a instituição sem recursos financeiros para pagar salários e solucionar várias preocupações'”, disse, acrescentando que “estou convencido de que os candidatos são capazes de apresentarem propostas concretas e programas consistentes”. Interpelado sobre o actual momento do futebol nacional, o ex-dirigente do Sport Luanda e Benfica foi peremptório.” Regrediu bastante. É urgente que se mude o paradigma.

A qualidade do futebol baixou muito e as pessoas desinteressam-se da vez mais. Não há espectáculo. Os adeptos só acorrem ao Estádio para assistirem ao clássico 1º de Agosto-Petro de Luanda”, lamentou. A residir em Gaberone, Botswana, Carlos Brecha sublinhou ainda que acompanha o panorama desportivo nacional, através do Jornal de Angola online e outros meios de comunicação social.

“ Leio todos os dias o Jornal de Angola. Portanto, sou uma pessoa bem informada, não só no que toca ao desporto, como noutras matérias relacionadas com política, sociedade e cultura”. Em 1991, Carlos Brecha tornou-se dirigente desportivo, no extinto Saneamento Rangol FC, onde desempenhou várias funções.

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