Desporto

Argélia chega ao título num lance de felicidade

Honorato Silva| Cairo

Quase três décadas depois, a Argélia chegou ao segundo título da Taça de África das Nações em futebol, após derrotar (1-0) ontem o Senegal, na final da 32ª edição, disputada no Estádio Internacional do Cairo, com um golo caído do céu.

Fotografia: DR

A vitória acabou por sorrir para os argelinos, os mais consistentes da prova, numa noite em que tiveram de defender, para preservar uma vantagem alcançada com pouco suor, visto que as camisolas ainda estavam secas.
Contra a lógica das leis da selva, as Raposas do Deserto fizeram mossa na estrutura anímica dos Leões da Teranga, logo na primeira subida ao ataque. Os relógios dos dois ecrãs gigantes do Estádio Internacional do Cairo, coordenados pelo tempo do cronómetro do árbitro camaronês Alioum Alioum, tinham acabado de completar uma volta aos 60 segundos, quando Baghdad Bounedjah recebeu um brinde do guarda-redes Amigo Gomis, que levado no golpe de vista viu a bola anichar-se caprichosamente na baliza.
Ficou aí definida a tendência de jogo, pelo menos do quarto de hora inicial. A Argélia baixou linhas, para um bloco médio-baixo, enquanto o Senegal, sem espaço para combinar jogadas no meio campo adversário, passou a alçar bolas, por forma a agredir a defesa pelas costas. Mas faltava esclarecimento.
A toada da partida mudou completamente, a partir dos 25 minutos. Livres do nervosismo inicial, do qual resultou o golo madrugador dos magrebinos, os senegaleses armaram tendas e acamparam no terço defensivo dos argelinos, que cerraram fileiras na defesa da baliza de Rais Mbolhi.
Fora do registo habitual na competição, de completo controlo das acções dos adversários, a Argélia viu-se obrigada a aceitar a proposta de jogo dos Leões da Teranga, que falhavam na escolha do melhor caminho para chegar ao golo da igualdade.

Mesma toada

A segunda parte começou na mesma toada com que terminou a primeira. Pressão da equipa de Cissé, quando os pupilos de Belmadi continuavam abrigados nas linhas defensivas, na expectativa de ver chegar um momento para no contra-ataque desferir o golpe de misericórdia.
Próximo da hora de jogo, o juiz camaronês apontou para a marca de penalties. Ouviu-se um forte aplauso, como se a partida estivesse a decorrer no Léopold Sédar Sengor, em Dakar. No entanto, o recurso ao VAR (vídeo árbitro) mudou a decisão, substituída pela bola ao solo.
A história do desafio seguiu na mesma nota até ao fim. O Senegal a forçar o ritmo, à procura do empate, e a Argélia a preservar a vantagem. Mbolhi, protagonista da defesa da noite, aos 68 minutos, foi considerado o “Homem do Jogo” e Ismael Bennacer, também argelino, o “Jogador Mais Valioso”.

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