Desporto

Arqui-rivais reeditam final depois do fecho do Girabola

Honorato Silva

No ano do regresso da competição, suprimida na época passada, por força do calendário apertado, preenchido apenas pelo Girabola, Petro de Luanda e 1º de Agosto reeditam quarta-feira, no Estádio Nacional 11 de Novembro, a final da última Taça de Angola de futebol, cujo título sorriu em 2017 para os tricolores.

Tiago Azulão marcou o golo solitário que colocou os tricolores nas meias-finais da competição
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

Envolvidos na decisão do vencedor do campeonato, petrolíferos e militares confirmaram, ontem, o alinhamento da chave da prova, que reservou para as meias-finais o terceiro desafio da temporada entre as duas maiores forças da modalidade no país.
Desejados como obstáculo mais à feição por Hélder Teixeira, técnico dos sambilas, os rubro e negros às ordens do bósnio Dragan Jovic tiveram, no Estádio Municipal dos Coqueiros, paciência para, primeiro aguardar pela entrada dos jogadores adversários, que reivindicam o pagamento de salário, e recuperar da desvantagem madrugadora no marcador.
Contra todas as expectativas, depois da demora no início do jogo, Chiló rematou, aos dois minutos, sem hipótese de defesa para o guarda-redes Neblu, que substituiu Tony Cabaça na baliza dos actuais tri-campeões do Girabola. Estava evidenciada a predisposição do Progresso criar dificuldades ao 1º de Agosto.
A reacção da equipa do Rio Seco foi imediata. O adiantamento das linhas forçou o recuo do adversário para os limites do seu terço de campo defensivo, com Show, Mário, Buá e Nelson da Luz a abrirem campinho, a solicitar a finalização de Mongo e Mabululu, a grande referência no ataque.
Seguindo a lógica da água mole que bate na pedra dura até furar, o empate surgiu à passagem dos 19 minutos, por intermédio de Mabululu. O goleador dos militares encontrou outro caminho para obrigar Nelson a recolher a bola no fundo das redes, ao desferir um remate à entrada da área, que acabou por pintar o marcador com cores mais justas, em função do desempenho das equipas.
O desafio, dirigido sem sobressaltos por Paulo Talaia, chegou igualado ao intervalo. No regresso dos balneários, o Progresso procurou reforçar a entrega na defesa, de modo a evitar sofrer novo golo e com isso continuar na discussão da presença na próxima eliminatória.
Ao lançar o brasileiro Anderson Aquino e o congolês democrata Dagó, Jovic procurou dar largura e, ao mesmo tempo, profundidade ao jogo 1º de Agosto, que com as mudanças assumiu o controlo dos acontecimentos. Já perto do fim, Mabululu aproveitou, aos 84 minutos, uma perda de bola no meio campo para selar a vitória.
No Estádio Nacional 11 de Novembro, o Petro de Luanda derrotou o FC Bravos do Maquis, por 1-0, com golo do inevitável Tiago Azulão, numa jogada de contra-ataque, típica das acções preferencialmente usadas pelos maquisardes orientados por Zeca Amaral.
Os tricolores conduzidos tecnicamente pelo espanhol Antonio Cosano contornaram as dificuldades impostas pela formação do Moxico, opositor talhado a causar embaraços ao recordista de títulos da Taça de Angola, que, apesar da magra expressão do resultado, esteve sempre no controlo da partida.
A fazer uma época assinalável, o Desportivo da Huíla garantiu a passagem à última barreira da grande decisão, com a vitória (5-4) no desempate nas grandes penalidades sobre o Kabuscorp do Palanca, depois da igualdade sem golos ao cabo dos 90 minutos. A equipa de Mário Soares acabou por justificar o maior ascendente na discussão do apuramento.
Para o preenchimento da segunda meia-final, o Interclube ultrapassou o Santa Rita de Cássia, no Estádio 4 de Janeiro, na cidade do Uíge, com o triunfo (4-3), também no desempate aos penalties, a desfazer o (0-0) do tempo regulamentar. Os polícias vão receber os militares da Região Sul, no Estádio 22 de Junho.

Federação recua e antecipa decisão do título

Os jogos Kabuscorp do Palanca - 1º de Agosto e Progresso Sambizanga - Petro de Luanda, referentes à 30ª jornada, que vão decidir o título do Girabola, foram antecipados para domingo, pelo Conselho Técnico da Federação, que recuou da decisão de terminar o campeonato na próxima quarta-feira, um dia útil.
A mudança de data vai permitir aos adeptos militares, no 11 de Novembro, e petrolíferos, nos Coqueiros, festejar, sem preocupação com eventual compromisso laboral, académico ou administrativo, se a conquista do troféu cair para o lado do seu clube.
A derradeira ronda da competição, que começa a ser disputada no sábado, com a realização das partidas Cuando Cubango FC - Recreativo do Libolo, Santa Rita de Cássia - Sporting de Cabinda, Académica do Lobito - Saurimo FC e ASA - Recreativo da Caála, reserva ainda para domingo os desafios Interclube - FC Bravos do Maquis e Desportivo da Huíla - Sagrada Esperança.

 

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