Desporto

Basquetebol: Campeões voltam a estar ligados ao cordão umbilical

Anaximandro Magalhães

Ambos têm o estatuto de campeões e o cordão desportivo umbilicalmente ligado ao Petro de Luanda, clube onde coincidiram e partilharam o balneário enquanto jogadores na década de 90 e ao qual regressaram para coabitarem, pela primeira vez, nas vestes de treinadores. As respec tivas atribuições ainda não foram tornadas públicas.

Direcção presidida por Tomás Faria foi buscá-los às equipas do 1º de Agosto e Ferroviário
Fotografia: José Cola | Edições Novembro

Os personagens são Aníbal Moreira e Manuel Silva “Gi”, profissionais com impressões digitais evidentes no percurso glorioso do basquetebol angolano. E a trajectória da carreira atribui-lhes o estatuto dos melhores treinadores angolanos no activo.

Depois de sucessivos falhanços de chegar ao ouro, tendo sido a terceira posição, medalha de bronze em 1981, 1986, 1994, 2007 e 2009, a melhor prestação, Aníbal Moreira, treinador principal da Selecção Nacional sénior feminina, consegue conquistar em 2011 o inédito e ambicionado título do Campeonato Africano das Nações, disputado em Bamako, Mali, com vitória na final por 62-54 sobre o temível Senegal.

No ano seguinte, disputou de forma insólita os Jogos Olímpicos de Londres´2012, na Inglaterra. Em 2013, em Maputo, Moçambique, revalidou o ceptro africano ao vergar no derradeiro encontro as anfitriãs por 64-61. O feito permitiu a si e a Angola jogar pela primeira vez, em 2014, num Campeonato do Mundo, realizado na Turquia.

Com a equipa sénior feminina do 1º de Agosto, conquistou três campeonatos nacionais em 2005, 2007 e 2008. Levantou ainda quatro Taças de Angola e igual número de Supertaças.

Por sua vez, Gi, a quem foi confiada a missão de revolucionar o basquetebol de escalões etários abaixo dos 18 anos pela direcção da Federação Angolana de Basquetebol (FAB), na altura presidida por Paulo Madeira, também alcançou proeza única ao erguer, em 2013, em Antananarivo, Madagáscar, com a Selecção Nacional Sub-16 masculina, a Taça de campeão africano.

O primeiro lugar do pódio permitiu ao combinado angolano jogar, em 2014, o Campeonato do Mundo Sub-17, disputado em Dubai, Emirados Árabes. Merecedor de dar sequência ao trabalho desenvolvido, o treinador foi responsável por voltar a conquistar o africano Sub-18 (júnior) masculino, em 2016, no Rwanda, 28 anos depois. Em sequência, qualificou a selecção nacional para o Mundial Sub-19 com palco no Egipto, em 2017.

O percurso com os sub´s valeu a “Gi”, a ascensão ao car-go de seleccionador nacional sénior masculino no consulado do presidente Hélder Martins da Cruz “Maneda”. O compromisso era resgatar o título do Afrobasket´2015, perdido para a Nigéria.

Novo modelo

Com o propósito de seguir o modelo adoptado em boa parte dos países europeus, particularmente nos Estados Unidos, destaque para as equipas da NBA, a Liga mais mediática de basquetebol do mundo, os tricolores, agora com Anselmo Monteiro no leme da vice-presidência, não se fizeram rogados e foram ao mercado contratar Aníbal, ao 1º de Agosto, e Gi, ao Ferroviário de Luanda.

O Jornal de Angola apurou de fonte ligada aos petrolíferos e com conhecimento do novo projecto para o basquetebol, que um dos técnicos deverá orientar a equipa satélite sénior masculina. O outro, além de fazer parte da formação principal, campeã em título, como um dos adjuntos do substituto de Lazare Adingono, também poderá integrar a estrutura dos escalões de mini-basket feminino a serem revitalizados ainda este ano.

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