Desporto

Angola quer ajustar contas no duelo com anfitriões

Melo Clemente | Radès

Com contas por ajustar, em função da derrota (56-67) sofrida na final da 26ª edição do Campeonato Africano das Nações, em 2011, a Selecção Nacional de basquetebol defronta hoje, a partir das 18H00, no Pavilhão de Radès, a similar da Tunísia, em partida referente à terceira e última jornada da quarta janela do Grupo E, fase de qualificação zona africana, para a Copa do Mundo de 2019.

A quarta janela de qualificação zona africana para o Mundial da China encerra esta noite
Fotografia: Edições Novembro

Moralizados com as exibições patenteadas, quer na ronda inaugural, quer na jornada número dois, os hendecacampeões africanos que encurtaram o caminho rumo à fase final do Mundial, pela terceira vez será disputado no continente asiático, depois das Filipinas, em 1978, e Japão, em 2006, vão procurar encerrar a sua participação nesta janela com mais uma vitória.
Quis o destino que o último adversário, desta quarta janela de qualificação ao Mundial, fosse  a Tunísia de Mário Palma, formação que em 2011 travou o ciclo vitorioso do “cinco”  nacional, que trazia seis títulos continentais de forma consecutiva.
Esta janela tem sido marcada pela ausência de público no magnífico Pavilhão de Radès, principalmente, quando entram em acção as selecções forasteiras.
Mário Palma, técnico luso-guineense, que ao serviço do “cinco” nacional arrebatou quatro títulos africanos, vai reencontrar o seu antigo pupilo, Carlos Morais, tendo sido ele, o responsável do lançamento do “capitão” dos hendecacampeões africanos no Afrobasket de 2005, prova disputada em Argel, capital da Argélia.
Aliás, da geração de jovens jogadores que o técnico Mário Palma lançou em 2005, apenas Carlos Morais continua de pedra e cal na Selecção Nacional, que procura a sua oitava presença numa fase final de um Mundial, depois da estreia em 1986, em Espanha, a convite do organismo que tutela a modalidade no mundo, ao que se seguiram os mundiais de 1990, Argentina, 1994, Toronto, Canadá, 2002, Indianápolis, EUA, 2006, Japão, 2010, Turquia, e Espanha, novamente, em 2014.
Eduardo Mingas, Olímpio Cipriano, Abdel Bouckar e Armando Costa completavam o quinteto de estreantes na altura, sob comando do categorizado técnico Mário Palma.
Uma eventual vitória do combinado nacional logo mais, frente à Tunísia, deixava a Selecção Nacional mais próxima da China, pelo que o seleccionador nacional vai procurar montar uma estratégia que seja capaz de neutralizar a formação tunisina, que está a ser liderada pelo poste Salah Mejri, jogador de dois metros e 17 centímetros de altura, que actua nos Dallas Mavericks da Liga Norte-Americana de Basquetebol (NBA).
Caso Angola consiga manter o rigor no capítulo defensivo, melhorando a sua percentagem nos lançamentos de longa distância, a vitória vai sorrir seguramente para os pupilos de Will Voigt, que apareceram completamente transfigurados nesta quarta janela de qualificação zona africana para a Copa do Mundo de 2019.
Ainda hoje, para o Grupo E, o Chad defronta a partir das 15h30, a similar de Marrocos, ao passo que Camarões e Egipto encerram a jornada número três.
Já no Grupo F, com sede em Lagos, capital da Nigéria, o Mali defronta a Costa do Marfim, a partir das 15h00, o Ruanda terá pela frente a República Centro Africana, às 17h30. Nigéria e Senegal enceram a ronda.
Sexta-feira, para a ronda um, isto para o Grupo E, a Tunísia bateu o Marrocos, por 65-50,  Angola vergou os Camarões, por 83-77, ao passo que o Egipto sofreu para suplantar o Chad, por 99-83.
Já no Grupo F, o Mali venceu à tangente a República Centro Africana, por 66-65, o Senegal derrotou o Ruanda, por 94-89, enquanto a Nigéria, actual vice-campeã africana, bateu a Costa do Marfim, por 84-73.

Moreira desvaloriza
presença de Mejri

O antigo poste do Clube Central das Forças Armadas Angolanas, que se “instalou” no seio da Selecção Nacional durante a disputa do Campeonato do Mundo de Espanha, em 2014, sob liderança do técnico angolano Paulo Macedo, voltou a ser peça fundamental na vitória de sexta-feira, frente aos Camarões, por 83-76, terminando a partida com 20 pontos, em 28 minutos.
Aliás, o jogador, que passou em várias universidades norte-americanas e no basquetebol russo, é nesta altura o melhor artilheiro do combinado nacional, com 138 pontos.
Em declarações à Comunicação Social, Yanick Moreira, que detém o recorde de pontos marcados numa só partida, 38, feito conseguido no Mundial de Espanha, em 2014, contra 33 do experiente Olímpio Cipriano, no Japão, em 2006, preferiu valorizar o trabalho colectivo, tendo afirmado que vão aparecer com a mesma determinação frente à Tunísia, de Salah Mejri.
“As minhas exibições passam a estar em segundo plano. Prefiro valorizar a união do grupo, que tem demonstrado força de vontade nesta campanha rumo ao Mundial”, disse.
Questionado sobre o craque Salah Mejri, tunisino que actua nos Dallas Mavericks, o internacional angolano assegurou que vão procurar anular as acções do seu colega de profissão. “Ele é um grande jogador, mas o basquetebol é uma modalidade colectiva”, finalizou o melhor marcador dos hendecacampeões africanos.

Voigt considera normal
O seleccionador nacional, Will Voigt, desvalorizou completamente o “apagão” que a Selecção Nacional sofreu na vitória diante dos Camarões, por 83-76, quando no terceiro período vencia por uma margem confortável de 20 pontos (66-46). Voigt, que não se faz acompanhar dos seus dois adjuntos nesta quarta janela de qualificação zona africana para a Copa do Mundo, nomeadamente, Mathias Eckhoff e John Bryant, preferiu valorizar a união do grupo, fundamentalmente, no jogo de estreia, frente aos Camarões.
“Penso que é completamente normal que, a dada altura do jogo, as coisas não correram como gostaríamos, até porque a maior parte destes jogadores não tem grande experiência em competições de alto nível”, defendeu-se Will Voigt, quando indagado sobre o “apagão” registado no “cinco” nacional.
Voigt, que pela primeira vez conseguiu atingir a cifra dos oitenta pontos, desde que foi contratado pela direcção do órgão reitor da modalidade no país, em Novembro do ano passado, enalteceu a união da sua rapaziada.
“Para mim, o mais importante é que este grupo se torne cada vez mais unido, para consumarmos o nosso objectivo”, finalizou o técnico norte-americano, de 42 anos.   

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