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Ausência de referências impõe profunda reflexão

Anaximandro Magalhães |

A ausência dos jogadores mais referenciados das selecções candidatas à conquista do título da 29ª edição do Afrobasket trazem à tona algumas inquietações e lançam um alerta a todos intervenientes do basquetebol em Angola, desde jogadores a treinadores, sem preterir os dirigentes, responsáveis por traçar as políticas desportivas e proporcionar condições dignas.

Sílvio Sousa é uma das apostas para o futuro imediato da Selecção Nacional sénior masculina
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

Bicampeã em 2011 e 2017, a Tunísia, co-anfitriã com o Senegal do Campeonato Africano das Nações sénior masculino, na fase preliminar, abordou o ataque ao resgate do título sem duas figuras de realce. O base Michael Roll, 1,98 metros, e o poste Salah Mejri, 2,18 metros.
O primeiro está ao serviço do Maccabi Tel Aviv, do Israel, enquanto o segundo defende os Dallas Mavericks, uma das equipas de monta da Liga Profissional dos Estados Unidos, a NBA.
Já a Nigéria, estreante como campeã em 2015, agora vice-campeã, apresentou-se na capital tunisina sem 11 jogadores da selecção vitória. Com destaque para Al-Farouq Aminu, extremo de 2,06 metros, que alinha pelos norte-americanos dos Portland Trail Blazers da NBA, grande parte dos demais atletas alinha em formações de primeiro plano na Europa, Ásia e nos EUA.
Quarto classificado, o Marrocos, segundo campeão da história da prova em 1965, cujo destaque nesta edição foi o triunfo, por 60-53, sobre Angola, no Grupo B, não trouxe Abelhakim Zouita, extremo de 2.01 metros.

Angola em força


Respeitada pelos seus 11 títulos (1989, 91, 93, 95, 99, 2001, 2003, 2005, 2007, 2009 e 2013), Angola, apostada na recuperação do troféu, não abdicou de nenhum dos seus esteios, com os extremos Carlos Morais e Olímpio Cipriano, 1,93 e 1,92 metros, respectivamente, a encabeçarem a lista dos “temíveis”.
Morais, campeão da Liga portuguesa pelo Benfica, e Cipriano, ao serviço do Libolo no BIC-Basket, estiveram aquém do expectável.
Manuel Silva “Gi” abdicou dos préstimos de base Milton Barros, duas vezes campeão africano, e Valdelício Joaquim, poste de 2,08 metros, este por alegado acto de indisciplina.
Como seria se os adversários directos dos hendecacampeões chegassem ao Afrobasket no máximo da sua força? Ao jogar a final com duas baixas de vulto, Tunísia, e com uma equipa renovada em 98 por cento, Nigéria, deram mostras da sua força competitiva, por isso têm o futuro salvaguardado.
É imperioso repensar a aposta na renovação do “cinco” nacional, com média de idade de 30 anos, de longe superior a dos nigerianos, 27, e próxima dos tunisinos, 29, pois no despique pela qualificação para o Campeonato do Mundo na China, em 2019, a constatação seria um facto digno de registo.
Mário Palma tem sido apontado como a próxima aposta do elenco directivo da Federação Angolana, encabeçado por Hélder Cruz “Maneda”.

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