Desporto

Bravos do Maquis: Fabrício pondera renovação

Paulo Caculo

O defesa-central Fabrício Mafuta pode estar de saída do FC Bravos do Maquis. O jogador da equipa às ordens de Zeca Amaral está em final de contrato com o clube maquisarde e confessou, ontem, em entrevista ao Jornal de Angola, por whatsaap, estar a ponderar o regresso a Luanda por questões familiares.

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Fotografia: Vigas da Purificação| Edições Novembro

De acordo com o jogador de 31 anos de idade, o facto de não ter a família por perto constitui motivo de preocupação, tendo admitido ser mais difícil trabalhar longe da família, sobretudo, quando confrontado com as situações de doença dos filhos ou da esposa. 

“Por muito que a gente queira, não conseguimos estar concentrados. É a minha primeira experiência longe de Luanda e da família. Não estou habituado. Estou a aguentar, mas não sei se vou continuar aqui (no Luena). A minha continuidade dependerá de muitos factores. Assinei apenas por uma época e estou à espera que acaba o campeonato, para tomar uma decisão”, disse.
O central sublinhou estar igualmente à espera que a direcção do clube, encabeçada por Manuel Quitadica “Docas”, manifeste algum interesse na sua continuidade na equipa para que, em conjunto, possam avaliar as possibilidades de renovação ou não.
“Quando o campeonato acabar, vamos procurar a melhor maneira para resolver o assunto. O grande problema, para mim, é ter a família distante. Quando surgem as situações de emergência, nunca estamos por perto, sobretudo, em caso de doença. Isso nos tira a concentração”, justificou.
O jogador disse também estar expectante no desfecho de uma época em grande no FC Bravos do Maquis. Garantiu estar a viver um ano histórico a título colectivo, pois, asseverou, não haver nos registos do clube um campeonato com feitos semelhantes ao patenteado actualmente.
“Os objectivos do Bravos estão mais próximos de serem alcançados. Nunca no seu historial, a equipa foi capaz de vencer sete jogos consecutivos e realizar 12 partidas sem sofrer qualquer derrota. A posição, que a equipa ocupa hoje na tabela de classificação geral (terceiro), comprova o excelente campeonato que estamos a realizar”, disse o central, um dos titulares indiscutíveis na estratégia defensiva do técnico Zeca Amaral.
“Estamos próximos de alcançar uma posição histórica com o FC Bravos do Maquis. O trabalho é positivo e, pessoalmente, me alegra o facto de ter sempre sucesso nos clubes que represento. Foi assim, também, no Kabuscorp do Palanca e no Interclube”, acrescentou.

“Tenho cumprido os exercícios”

Fabrício garantiu estar a cumprir, de forma minuciosa, o plano de preparação individual traçado pela equipa técnica do FC Bravos do Maquis. O defesa diz estar ansioso por voltar à competição e aplaude a decisão tomada pelas autoridades de suspender o Girabola por tempo indeterminado.
“A equipa técnica mantém contacto connosco, via whatsaap, e envia-nos os programas de exercícios diários. Cumpro com as sessões de abdominagem e flexões de braços, uma vez que não podemos fazer corridas, porque estamos fechados em casa”, referiu, para em seguida alertar para o facto de as equipas poderem registar quebra de ritmo.
“A paragem do campeonato vai prejudicar bastante a nossa equipa, assim como as demais, pois, estávamos num ritmo de competição muito bom e a suspensão quebra a intensidade”, disse.
Apesar de antever a quebra de ritmo competitivo das equipas, Fabrício Mafuta vê vantagens para o FC Bravos do Maquis. Considera favorável a paragem para o conjunto de Zeca Amaral, em virtude de vir de três derrotas consecutivas e precisar de recuperar a motivação dos jogos anteriores.
“Desde que a paragem não se prolongue por muitos meses, pode ser bom para a nossa equipa retemperar o ânimo. Viemos de três derrotas seguidas, duas com o 1º de Agosto e uma com o Petro de Luanda. Depois da paragem, podemos regressar aos relvados com outra disposição, para inverter os resultados negativos. Creio que podemos voltar aos nossos melhores jogos, porque tivemos uma fase complicada, antes da suspensão do campeonato. Queremos fazer melhor nas cinco jornadas restantes do campeonato nacional”, perspectivou.
Fabrício aplaudiu a paralisação do Girabola. Considera ter sido “a decisão mais acertada” e justifica que “primeiro é a saúde e nunca ficaria bem enfrentar esta pandemia, colocando todas as pessoas em risco” de contaminação pelo vírus do Covid-19.
“A Federação fez muito bem em seguir o exemplo de outros campeonatos no mundo. Apesar de termos poucos casos, o nosso país está de parabéns por tomar rapidamente essa decisão”, rematou.

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