Bruno Araújo define objectivos

Teresa Luís |*
19 de Maio, 2017

Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro

Ser atleta profissional, conquistar medalhas no próximo Campeonato Africano e aprender para ensinar os colegas em Angola são as metas definidas por Bruno Araújo, ciclista da equipa Sub-23 da Sicasal Constantino de Portugal.

De férias em Luanda, o ciclista participa em algumas provas para ganhar consistência e melhorar a forma física. Prestes a regressar a Portugal, Bruno Araújo afirmou que está psicologicamente mais motivado e pronto a defender a bandeira nacional, caso seja convocado para determinadas competições.
Em entrevista concedida ao Jornal de Angola, o filho do antigo ciclista Justiano Araújo explicou que apesar da ausência no último Campeonato Africano, a Selecção Nacional deixou bons indicadores na prova que disputou em Marrocos, onde ocupou o terceiro lugar do pódio em juniores, no contra-relógio por equipas.
Bruno Araújo terminou o contra-relógio individual no sétimo lugar, classificação repetida na categoria de elite, enquanto na prova de fundo ficou no quinto posto: “Na África subsariana somos a segunda melhor equipa, depois do Ruanda. Os ruandeses têm uma grande selecção, porque investem muito e são organizados. Mas vamos melhorar. O Misto de Luanda e a Jair Transportes têm atletas muito bons, cuja média de idade ronda os 23 anos. Com trabalho, também podemos conquistar medalhas”.
Quanto à massificação no país, o atleta da Sicasal Constantino disse que algumas pessoas vêem as bicicletas como objecto para passeio. Já tentou muitas vezes convidar outros jovens, mas sem sucesso. Parte da juventude está mais inclinada para comportamentos menos correctos, disse. “Não gostam de praticar desporto. Preferem estar na bebedeira e drogas. Se não fosse o ciclismo, hoje estaria na mesma situação. A família é muito importante. Há senhores a treinar aqui na centralidade do Kilamba, mas não trazem os filhos. Dedico muito tempo ao ciclismo. É preciso ser regrado, dormir e comer a horas e descansar o necessário.”
Apesar das contrariedades, o ciclista defende que houve evolução na modalidade em Angola desde 2013, fruto do investimento e o empenho da Federação. Relativamente ao nível competitivo, identificou poucas diferenças entre Angola e Portugal.
“A realização da Volta a Angola foi um êxito. Uma das melhores organizações. Se tivermos investimento contínuo, vamos registar um progresso igual ou maior. Em Portugal as provas são mais difíceis. Os atletas seniores estão quase todos no mesmo patamar.”
O plano de treino de Bruno Araújo varia entre quatro a cinco horas diárias, sendo o mais curto de uma hora e meia. “Estou cem por cento dedicado ao ciclismo. O maior sacrifício é estar distante da família. Às vezes faço vídeo-chamada. A minha irmã mais nova começa a chorar de saudade. É muito difícil.”
Bruno frisou ainda que fazer parte de uma família de ciclistas é outro factor de motivação e responsabilidade acrescida. O pai e o tio Carlos Araújo foram ciclistas de excelência. “Eles me ensinam até hoje. Tenho de dar o meu melhor e preservar o nome da família.”
Leonel Araújo (campeão nacional de BTT) e Dário António (Misto de Luanda) são atletas que deviam estar na Europa, de modo a melhorar  fisicamente, refere. “Seria bom, por causa dos estágios.”
Justiniano Araújo e o eslovaco Peter Sagan são as referências no ciclismo de Bruno, que se considera um atleta preparado a dominar todas as áreas da modalidade. “Não sou trepador. Consigo subir, sprintar e rolar. Sou completo.”

* Entrevista de Honorato Silva

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