Desporto

Capim invade rectângulo de jogo do Estádio Nacional do Chiazi

Joaquim Suami | Cabinda

O capim amontoado à volta da vedação e no interior do Estádio Nacional do Chiazi, com maior incidência para o recinto de jogos, atingiu proporções alarmantes, e que se não forem tomadas medidas rapidamente, pouco a pouco, a maior infra-estrutura desportiva de Cabinda em breve é totalmente invadida pela erva.

As imagens atestam bem o estado lastimável em que se encontra o piso onde os craques marfinenses Didier Drogba e Yaya Touré mostraram os seus dotes
Fotografia: António Soares | Edições Novembro

O  “Chiazi” não é um estádio de futebol qualquer, nem uma infra-estrutura sem valor, pelo que deve ser limpo e reabilitado para voltar a acolher competições  locais,  nacionais e até internacionais.
O estádio, que custou ao Estado o equivalente a 85 mi-lhões de dólares  degrada-se cada vez mais, desde que deixou de acolher jogos do Girabola e do campeonato provincial de futebol, após a disputa do Campeonato Africano das Nações, CAN’2010, alberga-do por Angola em quatro ci-dades diferentes, Cabinda, Luanda, Huíla e Benguela. Hoje, mais não é do que um local, onde impera o capim e a sujidade que impedem  que seja utilizado para actividades desportivas.
Com capacidade para 20 mil espectadores, e construído em 18 meses por uma empresa chinesa, o estádio tem, entre outras provas da degradação, fissuras nas paredes, infiltrações de água, a zona de imprensa danificada, sujidade a cada canto, além de falhas nos sistemas eléctrico e de água potável.
Problemas com os equipamentos dos serviços de bombeiros e de segurança são visíveis, a maior parte dos mo-saicos está partida e o salalé tomou conta de portas e janelas de madeira.
Por todas estas razões,  nos dias de hoje o Chiazi não serve para a prática desportiva, o que levou o Governo Provincial a instalar em espaços contíguos a infra-estrutura as Secretarias da Indústria-Comercio, Agricultura, Justiça, bem como o Instituto de Desenvolvimen-to Agrário, serviços de Registo Civil e o Balcão Único do Empreendedor.  
O secretário provincial da Juventude e Desportos, Óscar Dilo, disse ao Jornal de Ango-la que o Governo de Cabinda prepara um plano de recuperação que lhe permita voltar a receber algumas actividades desportivas e que o primeiro passo é “uma campanha de limpeza no interior e exterior do estádio”, incluindo o corte do capim que, “depende de verbas”, pelo que se está tentar encontrar uma solução na província.
“A relva do campo desapareceu por completo e precisa de ser substituída, mas como esta infra-estrutura depende, em termos  financeiros e de orientação do Ministério da Juventude e Desportos, cabe a este órgão repor a relva”, fez saber.
O campo adjacente ao estádio, onde treinaram, no CAN 2010, as selecções do Grupo B,  Ghana, Costa do Marfim e Burkina Faso, desapareceu “engolido” pelo capim e os balneários também já não têm utilidade alguma.
Óscar Dilo declarou ao Jornal de Angola que, após o CAN2010, “o Ministério da Juventude e Desportos apresentou um projecto para rentabilização da infra-estrutura”, mas que a anterior governadora de Cabinda o inviabilizou por “ter melhor plano de gestão com o apoio das empresas petrolíferas”, mas que acabou “por não solucionar em nada”. “Lamentamos ter um estádio como este e não termos dado conta da sua degradação.
Quando vejo as actuais condições do estádio sinto-me triste, porque, quando estivemos no sector deixamos as coisas a funcionar, realizaram-se até alguns jogos do Girabola e do campeonato provincial”, lamentou.
O Chiazi faz parte de um conjunto de estádios - os ou-tros são 11 de Novembro, o único onde se realizam jogos regularmente, Ombaka e Tundavala - construídos pelo Executivo para os jogos da XXVII edição do CAN.
Zonas VIP com 323 lugares, 31 camarotes com 604 cadeiras, um posto policial, sala de conferências, outra de imprensa, 128 lugares para pessoas com deficiência física, quatro balneários para jogadores, duas salas de controlo antidoping, 18 salas para primeiros-socorros, 23 lojas restaurantes e sete elevadores, para além de outros espaços, compõem os compartimentos do estádio.

Executivo presta “pouca atenção”

O dirigente desportivo Joaquim Mota, em declarações ao Jornal de Angola, acusa o Executivo de dar “pouca atenção” ao Estádio Nacional de Chiazi, que “se não beneficiar em breve de uma intervenção pode degradar-se por completo”.
O também presidente da Associação Provincial de Futebol sublinhou que o estádio de Chiazi, que “custou tanto dinheiro ao Governo Central, caiu completamente no esquecimento, sob o olhar impávido das autoridades competentes”.
“A população da província de Cabinda, em geral, e os desportistas, em particular, estão indignados com o estado de degradação do estádio do Chiazi que custou muito dinheiro ao Estado e podia ter sido investido na construção de escolas, hospitais e outras infra-estruturas sociais, incluindo campos de futebol”, disse Joaquim Mota.
“A relva do campo de jogos já não existe, o estádio de-grada-se cada vez mais, há fissuras na maioria das paredes. Estou muito triste com a situação”, salientou Joaquim Mota, que acrescentou: “O estádio devia, neste momento, acolher jogos como Sporting-1º de Agosto, Sporting-Petro de Luanda ou Sporting-Kabuscorp, mas, infelizmente tal não sucede.”
António José, 48 anos, adepto de boxe, deseja que as autoridades recuperem depressa o estádio do Chiazi para voltar a acolher competições. Benício Sambo, 35, ex-praticante de futebol, sugere a realização de um concurso público para privatização da infra-estrutura, de for-ma a ser recuperada.

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