Desporto

Chegada tardia pesa na revalidação do título

Anaximandro Magalhães

A chegada tardia a Bamako, Mali, motivada pela falta de dinheiro para os bilhetes de passagem, pesou na derrota na partida de estreia diante do Senegal e, consequentemente, na classificação final da Selecção Nacional Sub-18 de basquetebol masculina, na disputa do Campeonato Africano das Nações, Afrobasket.

Manuel Silva “Gi” deixa o comando da equipa júnior masculina tão logo chegue ao país
Fotografia: Contreiras Pipas | Edições Novembro

A constatação foi feita pelo seleccionador  Manuel Silva “Gi”, em declarações ao Jornal de Angola, ao avaliar a prestação na prova decorrida de 24 de Agosto a 2 do corrente. Detentora do título, Angola ficou-se pela quarta posição.
Para o técnico, a prepara-ção deve ser encarada com o mesmo rigor comparativamente a uma selecção sénior. Segundo Gi, só desta forma será possível alcançar bons resultados nos africanos.
“A preparação Sub-18 deve ser vista conforme encaramos a de seniores, isso em função do que vimos há dois anos em Kigali. Naquela altura, cheguei a conclusão que temos de trabalhar com muita antecedência, ou seja, começarmos pelos Sub-16. Infelizmente, isso não aconteceu connosco”, exteriorizou, fazendo lembrar a ausência da selecção no campeonato de 2017, por alegada fraude nas idades.
Prosseguindo, o treinador justificou parte da prestação com o facto de: “os nossos atletas não tinham qualquer experiência internacional, contrariamente aos principais adversários. A nossa competição interna carece de competitividade e maior volume de jogos. Os opositores directos apresentaram níveis muito altos porque vieram de presenças no Afrobasket Sub-16 e Mundial Sub-17, além de estágios de preparação, aliado ao facto de alguns deles jogarem nos Estados Unidos e nalguns clubes europeus.”
O facto de até ao último instante a viagem ao palco da competição estar envolvida em incertezas também foi prejudicial conforme assume: “queríamos definir os 12 jogadores  dias antes, mas as questões administrativas fizeram-nos arrastar a decisão até ao limite. Portanto, todos estes factores influenciaram na estabilidade psicoemocional da equipa.”
A quarta posição, defende Gi, é benéfica, mas obriga a uma reflexão mediante os problemas enumerados aquando dos trabalhos de preparação. “Temos de pensar o que queremos e nas nossas pretensões.”   
Questionado se dos 12 atletas qual deles tem maiores possibilidades de no imediato entrar de caras na Selecção Nacional sénior, Ma-nuel Silva não hesitou e apontou: “ o base Selton Miguel, 1,92 metros, integrante do “cinco” ideal do Afrobasket Sub-18, como o principal candidato sobretudo pelas qualidades.”
“Os demais, tal como o próprio Selton, têm de continuar a trabalhar”, aconselhou. Relativamente à sua saída da selecção o treinador, auxiliado nas funções por Miguel Lutonda e Cesaltino Reis, diz que se mantém fiel à palavra.
Para Bamako, “Gi” levou: Selton Miguel, António Dinis, Francisco Gomes, Malcon Tungo, Eliseu Ventura, Benedito Sambongue, Gil Silva, Emanuel Sebastião, Geovanne Kibinga, Ângelo Alexandre e Pascoal Konde.
Em sete desafios, Angola ganhou quatro: três na primeira fase, 80-79, Ruanda, 73-68, Tunísia, 86-50, Argélia, e nos quartos-de-final 62-44, ante o Congo Democrático. No primeiro turno, derrota por 76-77, frente o Senegal, nas meias-finais, 59-84, con-tra o Mali, e 78-89, Egipto, para o terceiro lugar.
Eis a classificação final: Mali, Senegal, Egipto, Angola, Congo Democrático, Ruanda, Tunísia, Líbia, Guiné Conacri, Uganda e Argélia.


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