Desporto

Conselho Técnico da FAF estuda saída do impasse

Honorato Silva

A disputa de uma finalíssima, em dois jogos, entre o Petro de Luanda e o 1º de Agosto, pode ser uma das saídas para a definição do título do Campeonato Nacional de Futebol, Girabola, caso se prolongue a paralisação da prova até finais de Abril e princípios de Maio.

Tricolores têm a vantagem parcial do triunfo sobre os arqui-rivais no clássico da primeira volta
Fotografia: DR

Uma preocupação à escala mundial, com muitos países, incluindo a FIFA e as confederações continentais, a equacionarem a possibilidade de cancelamento da época, o Conselho Técnico Desportivo (CTD) da Federação Angolana de Futebol (FAF), organizador das provas nacionais, tem analisado várias soluções para o Campeonato da I Divisão, sobretudo a questão do título.

Ao Jornal de Angola, o presidente do CTD, Jeremias Simão, manifestou-se preocupado com o risco de o Girabola ser cancelado, mas aponta como uma das soluções, para se encontrar o campeão, a realização de dois jogos entre o Petro, líder 54 pontos, e o 1º de Agosto, 51, no segundo lugar.
“Qualquer decisão a ser tomada depende da auscultação dos clubes, à semelhança do que foi feito quando decidimos pelos jogos à porta fechada. Temos contactado vários treinadores, de modo a nos esclarecerem as implicações da longa paragem na forma e no rendimento desportivos. Está claro que será necessário, caso voltemos a ter condições para competir, dar um tempo de preparação aos atletas”, garantiu.
As equipas que perseguem a permanência na prova podem decidir a disputa no mesmo modelo de competição. “São conhecidos os clubes em risco de descida. Se voltar a ser possível jogar, uma espécie de “liguilha” consta entre as saídas para a questão da continuidade no campeonato. O cancelamento é uma medida extrema. Só em último recurso será aplicada. Por enquanto vamos continuar a seguir o desenrolar da situação”.
A dois dias de completarem duas semanas sem competição, nem treinos, portanto de total inactividade, depois de a FAF ter sido obrigada a cumprir o instrutivo do Ministério da Juventude e Desportos, reforçado pela observância do Estado de Emergência, tendente a estancar a propagação da Covid-19, a maioria dos atletas realiza exercícios de manutenção e condicionamento físico-atlético em casa.

Pico da pandemia

De acordo com os dados recentemente avançados pelo Ministério da Saúde, o pico da pandemia em Angola está estimado para o mês de Junho, com um contágio de 10 mil casos, cenário a ser determinado pelo comportamento da população, no actual momento de isolamento social, por forma a impedir que o país chegue ao terceiro estágio, o da transmissão comunitária, depois da local. Até ao momento, os testes positivos são de importação, pessoas vindas do exterior.
Por enquanto as actividades desportivas estão sem perspectiva de regresso, facto que leva a prever a inexistência de condições de competição no horizonte temporal inferior ao período avançado pelos serviços sanitários.
Há uma semana, o vice-presidente para o Basquetebol do Petro de Luanda, Artur Barros, especialista em treinamento desportivo, traçou, em entrevista à Rádio 5, um quadro pouco favorável à conclusão das competições, dada a necessidade de os plantéis cumprirem um novo período de pré-época.
“A forma desportiva tem duração de três meses. No quadro actual, de completa inactividade, os jogadores terão de treinar durante 30 dias, numa espécie de pré-temporada, de modo a estarem aptos a regressar ao contexto competitivo. São remotas as hipóteses de conclusão da época, se a paragem for prolongada”, explicou.
Mais dramática foi a projecção feita pelo médico João Mulima, director do Centro de Medicina Desportiva de Angola, ao dar ênfase à integridade dos praticantes, face ao risco de lesões e, na pior da hipóteses, de mortes.
“Não está posta de parte um desfecho trágico, caso a inactividade se arreste para lá do tempo inicialmente estipulado. Os atletas estão parados, apesar dos planos individuais que cumprem em casa. Jogar nessas condições pode terminar até em mortes, porque todo o indivíduo bem treinado resiste apenas entre cinco a sete dias de paragem. A solução é anular a época ou fazer uma preparação nunca inferior ao tempo de paragem”, alertou.
A questão do título tem ocupado os adeptos dos dois clubes e os considerados neutros. Os identificados com o Petro são favoráveis a entrega do troféu aos tricolores, por serem os líderes da prova, pretensão recusada pelos seguidores do 1º de Agosto, por causa da desconformidade do número de jogos.

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