Desporto

Construtora clarifica razões da paralisação das Cacilhas

Paulo Caculo

A paralisação das obras de construção do novo estádio de futebol do Benfica do Hu-ambo, no bairro das Cacilhas, está envolta em polémica. A empreitada foi adjudicada à empresa Omatapalo, em 2011, por concurso público, na sequência de um contrato com o Ministério da Juventude e Desportos.

Edificação da infra-estrutura começou em 2011 e foi paralisada por falta de pagamento
Fotografia: DR

A direcção do clube do Planalto Central acusa a construtora de ter abandonado as obras, mas a empresa defende-se com a justificação de ter sido obrigada a suspender os trabalhos por indisponibilidade financeira do contratante.

Ao Jornal de Angola, a construtora disse ter cumprido a sua parte, mas em Outubro de 2012, face a uma percentagem física de obra executada, 13,5 por cento, e cumprimento financeiro de apenas 3,2 por cento (do valor total da obra, 844 milhões, 462 mil e 654 kwanzas), viu-se forçada a comunicar a paralisação dos trabalhos ao “dono da obra”, no caso o Ministério da Juventude e Desportos, na altura encabeçado por Gonçalves Muandumba.

“Ainda assim, mantivemos o estaleiro e a segurança do local até Dezembro de 2017, durante mais cinco anos, apesar das dificuldades e custos inerentes”, esclarece a construtora em comunicado enviado à Redacção do Jornal de Angola.

Segundo a Omatapalo, no processo de construção do novo estádio não firmou qualquer contrato com o Benfica do Huambo, apesar de ser a principal beneficiária da infra-estrutura. Em face disto, a empreiteira disse reagir “com espanto” às recentes declarações feitas à imprensa pelo presidente do clube, Amílcar Kandimba, que ameaça levar a tribunal a empresa por ter abandonado a reabilitação do estádio.

“A direcção do Benfica do Huambo não tem qualquer suporte jurídico que lhe permita intentar uma acção judicial contra a nossa empresa, em virtude de não ter assinado qualquer relação contratual connosco. O contrato que existe é com o Ministério da Juventude e Desportos”, afirma a construtora.

A Omatapalo lamenta, por outro lado, que se esteja a associar o governador da Huíla, Luís Nunes, ao actual conselho directivo da empresa. Apesar de ser accionista, esclarece, o governante está afastado da direcção desde 2017, estando a funcionar uma gestão autónoma, liderada por Carlos Alves.

As obras de construção do estádio do Benfica do Huambo, co-financiada pelos Ministérios da Construção e da Juventude e Desportos, estaria pronta nove meses depois (Julho de 2012).

A construtora assegura que se mantém disponível para com o Executivo arranjar as soluções financeiras viáveis para a retoma dos trabalhos de conclusão das obras.


“Fomos colocados à margem de tudo”

O presidente de direcção do Benfica do Huambo (ex-Mambrôa), Amílcar Kandimba, admitiu ontem, em entrevista ao Jornal de Angola, haver responsabilidades dos ministérios da Juventude e Desportos e da Construção pela paralisação das obras do estádio das Cacilhas.

“Até à presente data, não recebemos qualquer esclarecimento dos ministérios da Juventude e Desportos, nem da Construção e Obras Públicas. Já escrevemos para o Ministério da Juventude e Desportos, mas não obtivemos nenhuma resposta”, disse o líder da direcção dos “encarnados” do Huambo, que adiantou: “Não sabemos quanto foi pago. Fomos colocados à margem de tudo, mesmo sendo beneficiários imediatos, nunca alguém nos informou acerca dos trabalhos. Infelizmente, nem sequer nos foi mostrado o projecto para não falarmos de outras situações.”

Kandimba justificou que as informações disponíveis faziam crer o pagamento de 50 por cento das verbas do contrato e, nessa altura, aventou-se a possibilidade de intentar uma acção judicial contra a Omatapalo.

Gonçalves Muandumba, ex-ministro da Juventude e Desportos, reconheceu, em recentes declarações à imprensa, haver responsabilidades do ministério sobre a reabilitação do estádio.

“A obra não era do Ministério da Juventude e Desportos, mas do Ministério da Construção e Obras Públicas. Tínhamos algumas obras de recuperação de infra-estruturas no Huambo, decidimos apoiar com cinco milhões de kwanzas para que as obras arrancassem”, disse o actual governador provincial do Moxico.

 

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