Desporto

Corpo de Rui Jordão foi cremado e sem exéquias

A família de Rui Jordão, falecido sexta-feira, no Hospital de Cascais, emitiu ontem um comunicado em que sublinha que, a pedido do antigo jogador, não haverá lugar a exéquias. O corpo do “craque” foi incinerado, ontem.

Antigo avançado do Benfica e Sporting morreu aos 67 anos
Fotografia: DR

Num momento em que a perda de um ente querido nos fragiliza, comove-nos, acima de tudo, o facto de percebermos que mais pessoas do que pensávamos sabem, na alma, que o Rui Jordão era – e sempre foi – muito mais que um dos melhores jogadores de futebol portugueses do século XX.
Nos confrontamos com a brutalidade irónica da existência, vimos, agradecer a todos os que, directa ou indirectamente, o acompanharam, o apoiaram e, acima de tudo, o compreenderam.
A narrativa da vida do nosso Rui não terminou. Tal como nunca terminam as narrativas daqueles que transcenderam as glórias mundanas, a favor da contemplação humanista – figura pública, ou não.
Jordão, nascido em Benguela, a 9 de Agosto de 1952, iniciou a carreira em 1971 no Benfica, onde alinhou até 1976. Depois de uma breve passagem por Espanha, onde jogou pelo Saragoça, ingressou no Sporting, onde cumpriu nove épocas e marcou 186 golos em 286 jogos, tornando-se num dos símbolos dos “leões” durante as décadas de 1970 e 80.
Numa nota no site do Sporting, noticia o jornal “Público”, é lamentada a morte de “um dos maiores nomes da história do clube” e de “um atleta de excelência que deixou tudo em campo com o objectivo de engrandecer o nome” do emblema lisboeta, recordando a “dupla temível e inesquecível” que formava com Manuel Fernandes.
Pelo Sporting, Jordão conquistou dois campeonatos nacionais (1979/80 e 1981/82) e duas Taças de Portugal (1977/78 e 1981/82). Antes, no Benfica, foi campeão quatro vezes e conquistou outra Taça de Portugal. Foi por duas vezes o melhor marcador do campeonato português, uma pelo Benfica (1975/76) e outra pelo Sporting (1979/80).
No site do clube da Luz, o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, expressa “o mais profundo pesar” em nome pessoal e dos “encarnados”, manifestando ainda “as mais sentidas condolências para toda a sua família e ao Sporting”.
Jordão representou por fim o Vitória de Setúbal, onde terminou a carreira em 1989. Nas redes sociais, o clube sadino também manifestou pesar.Pela selecção portuguesa onde somou 43 internacionalizações, é sobretudo recordado pela meia-final do Campeonato da Europa de 1984, frente à França, onde marcou dois golos, não evitando contudo a eliminação de Portugal (2-3) nos últimos minutos do prolongamento.

Tempo

Multimédia