Desporto

Covid-19: Paralisação causa perdas bilionárias no basquetebol

António Ferreira (*)

A pandemia do COVID-19 paralisou o desporto à escala planetária, com prejuízos incalculáveis nas ligas mais mediáticas e, quiçá, nas principais economias. No caso vertente da Liga Profissional Norte-Americana de Basquetebol (NBA), que gera receitas astronómicas, cálculos feitos por alto, os prejuízos rondam a um (1) bilião de dólares, desde que foi decretada a suspensão.

Liga da bola ao cesto que reúne as melhores estrelas enfrenta dificuldades financeiras
Fotografia: DR

Apesar da saúde estar na primeira linha, em que urge proteger os fazedores do espectáculo e toda a sua envolvente, a NBA enfrenta um cenário de incertezas que derruba qualquer plano de contingência. Os mais obstinados, face a um conjunto de factores e números, já ponderam se valerá a pena manter a paralisação ou dar como terminada a época regular, que já tem uma equipa apurada para a fase seguinte.
Trata-se do Milwaukee Bucks, que têm garantido o acesso aos “play-off” pela Conferência Este, com um registo histórico. Os Bucks precisaram de apenas 56 jogos para assegurar a qualificação, tornando-se na equipa mais rápida a confirmar o apuramento. O anterior recorde pertencia aos Golden State Warriors, que em 2017 e 2018 fizeram-no em 58 partidas. De resto, os Bucks do grego Giannis Antetokounmpo têm o melhor registo da NBA, com 48 vitórias e apenas 8 derrotas. Porém, nesta fase de crise mundial, ninguém está imune aos factores de risco e, em função disso, a NBA se prepara para um cenário mais negativo, mas alerta que fará tudo o que estiver ao seu alcance para salvar a temporada.
Todos os cenários estão em cima da mesa, como a possibilidade de mudança de datas, ou seja, dar como terminada a época regular, encurtar os “play-off” e até já há quem admita a transferência do calendário para 2021. Nada é dado como certo e um cancelamento definitivo pode gerar prejuízos acima dos mil milhões de dólares. O limite salarial 2020-21 pode ser reduzido em até oito milhões de dólares e a NBA pagará, para já, salários completos até ao dia 1 Abril. Depois logo se verá como fica a questão salarial.
Os responsáveis da NBA aventam a hipótese de retoma da competição em Junho, período de abrandamento da pandemia, mas as equipas preferem falar em suspensão definitiva e já fazem contas à vida, com prejuízos na ordem dos 40 milhões de dólares por equipa.
Com um quinto da época cumprido e se somarmos as receitas de bilheteira e de televisão, descontando o valor a devolver aos patrocinadores, os prejuízos seriam maiores se ajuntarmos a esse cenário os “play-off”, seja com a disputa de menos jogos ou com o cancelamento definitivo.
Ainda assim, a confirmarem-se as nossas previsões no que diz respeito às perdas, o limite salarial para 2020-21 seria significativamente reduzido. Por outro lado, a NBA poderá começar a reter parte dos valores, para tentar recuperar o dinheiro perdido com jogos cancelados, baseado numa cláusula de “força maior” no seu acordo de negociação colectiva com os jogadores.
Com base nos termos do acordo sindical, a NBA pode reter uma percentagem do salário dos jogadores, por uma situação catastrófica, que obrigue o cancelamento dos jogos, incluindo uma pandemia.
Ainda não é claro quando a NBA poderá reiniciar a temporada. Segundo a imprensa norte-americana, os proprietários das franquias preparam-se para sofrer um rombo financeiro. Na NBA, a maioria dos jogadores colecta as folhas de pagamento a cada 15 dias durante a temporada e esse último pagamento para a campanha 2019-2020 pode ser reduzido se a Liga considerar adequado.
Numa das cláusulas do contrato de trabalho, a NBA poderia reter uma pequena parte do salário devido a circunstâncias de força maior, como uma guerra ou uma pandemia. Essa pequena quantia é de um em 92,6 (equivalente a 5 jogos da pré-temporada, 82 da temporada regular e 5,6 dos play-off), o que significa que se um jogador tiver um contrato de 10 milhões de dólares por temporada, ele parará momentaneamente e receberá pouco mais de 107 milhões de dólares. Entretanto, os jogadores podem recuperar essa quantia mais tarde, se os jogos cancelados forem disputados, algo pelo qual a NBA continua à procura de alternativas, valorizando até estender a competição para o final de Agosto, dois meses depois do habitual.
Neste ano, os salários dos jogadores mais bem pagos chegam aos 540 milhões de dólares. LeBron James é o jogador mais bem pago, com 88,7 milhões em ganhos, incluindo os 53 milhões arrecadados fora das quadras. Seguem-se-lhe Stephen Curry (79,5 milhões) e Kevin Durant (65 milhões).
Os três primeiros jogadores fazem parte de um grupo exclusivo de atletas que ganham mais dinheiro fora das quadras do que dentro. Os acordos publicitários são a maior fonte do trio, com destaque para marcas de ténis. (* com Agências)

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