Desporto

Deputados auscultam agentes desportivos

António de Brito

Preocupados com o fenómeno desportivo no país, os deputados da 7ª Comissão da Assembleia Nacional auscultaram, ontem, as Federações e Associações Desportivas, atletas, dirigentes e ex-praticantes, na sede do Parlamento Angolano, num debate aberto e ameno.

Fotografia: Edições Novembro

Durante três horas, os participantes levantaram várias questões que contribuem para o insucesso do desporto no país, sobretudo o apoio financeiro e a degradação acentuada das infra-estruturas para a prática desportiva.
A lei do mecenato já aprovada, mas que aguarda pela sua regulamentação e implementação, o desporto escolar, a pensão e o seguro dos atletas marcaram a maioria das intervenções dos agentes desportivos. Abriu os debates, Paulo Pombolo, presidente da Comissão de Cultura, Assuntos Religiosos, Comunicação Social e Juventude e Desportos.
Auxílio Jacob, presidente da Federação Angolana de Ginástica, primeiro a intervir no debate, diz não entender a morosidade na regulamentação da lei do mecenato.
O dirigente federativo disse ainda que, com a aprovação deste instrumento jurídico, os ganhos são imensos. “Vai permitir encontrar fontes de rendimento, com vista ao desenvolvimento do desporto. Esta regulamentação tem de ser aprovada o quanto antes”.
Rigor nas finanças públicas Carlos Dinis, treinador da equipa masculina de basquetebol do ASA, defendeu uma maior fiscalização dos deputados, no concernente aos dinheiros gastos pelos clubes e federações.“Temos de ter a cultura de justificar os valores gastos. Quem não justificar, tem de ser responsabilizado”, sugeriu.
Para levar a cabo em grande escala o desporto escolar, Domingos Torres “Didi”, director nacional da Acção Social do Ministério da Educação, advoga o reforço do orçamento, bem como a construção de mais escolas em todo o país.”O valor é bastante exíguo. Precisamos de mais escolas e professores qualificados “.
Mário Rosa, membro do Comité Olímpico Angolano, disse que é urgente a criação de políticas de Estado para o desenvolvimento desportivo.“Temos menos de um por cento da população a fazer desporto. Mesmo assim, temos conseguido títulos nas provas internacionais”.
Dos cinco minutos estabelecidos, Rogério Silva consumiu dez e foi directo na abordagem.“O desporto faz-se com dinheiro. Hoje, somos importadores de atletas, colocando de parte a prata da casa”, disse o antigo presidente do Comité Olímpico Angolano (COA).
Rui Mingas, deputado da bancada parlamentar do MPLA, valorizou o encontro realizado com os agentes desportivos.“Foi bastante proveitoso. Abordámos os problemas que mais inquietam o desporto angolano. As contribuições foram muito valiosas”.

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