Desporto

Djalma Campos escreve história única na Selecção

Honorato Silva | Suez

A sabedoria popular nos diz que “o botão sai a casa”, em alusão às qualidades (defeitos e virtudes) que os filhos puxam dos pais. Porém, o uso da expressão é mais recorrente quando se alude a facto negativo.

Tal como o progenitor, avançado é uma referência no ataque dos Palancas Negras
Fotografia: José Cola |Edições Novembro

Nos Palancas Negras, instituição dois anos mais velha da Federação Angolana de Futebol, que completa quatro décadas de existência, a referência ao adágio é pelas melhores razões. Por algo raro no país e no continente. A presença de pai e filho no historial de uma selecção.
Djalma Campos, autor do golo que valeu a Angola a conquista do primeiro ponto, na Taça de África das Nações (CAN), em curso no Egipto até 19 de Julho, assina pela quarta vez um facto digno de realce, por representar o país na fase final da prova, à semelhança do pai, Afonso Abel Campos, referência incontornável do nosso futebol.
Aos 32 anos, celebrados em Maio, o avançado do Alanyaspor da Turquia prolongou na segunda-feira, frente às Águias de Cartago da Tunísia, uma marca única na equipa que mais aglutina os angolanos.
De personalidade forte, o “sub-capitão” dos Palancas Negras estreou-se no CAN de 2010, em Luanda, com o português Manuel José. Voltou a merecer a confiança de Lito Vidigal, em 2012, no Gabão e Guiné Equatorial, como constou das escolhas do uruguaio Gustavo Ferrin, em 2013, na África do Sul.
Quando em 1996 Abel Campos fez parte dos eleitos do cabo-verdiano Carlos Alhinho, para o baptismo de Angola na cobiçada montra da modalidade em África, Djalma tinha nove anos. Estava longe de pensar que um dia pisaria o mesmo palco, na defesa dos anseios do povo, de ver a sua bandeira bem representada no contexto das nações.
Em 1987, ano em que nasceu o dono da camisola 7 da Selecção, Abel, a “Gazela” de passada larga com a bola no pé, brilhava no Girabola ao serviço do Petro de Luanda. A habilidade que seduziu o Sport Lisboa e Benfica, em 1988, depois do brilharete dos tricolores no célebre torneio intercontinental alusivo aos 10 anos da Sonangol, é hoje perpetuada por Djalma, cujo registo do trajecto desportivo assinala a passagem pelo FC Porto, rival das Águias da Luz em Portugal.
A família Abel Campos assina uma história ímpar no desporto angolano do pós-independência. Os casos de parentesco na selecção encontramos apenas em irmãos, como os de Joaquim Dinis, Chico Dinis e Miúdo Chico, João e Eduardo Machado, Novato e Hélder Vicente, no futebol, as irmãs Ceita, Kiala e Sibo, no andebol, Justiano e Carlos Araújo, e Rui André e Rui Miguel Gomes, no hóquei em patins.

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