Desporto

Documentário alemão mostra doping no Quénia

Um documentário sobre doping no atletismo queniano exibido, no domingo, no canal televisivo alemão ZDF, mostra a administração de EPO a um atleta de alta competição. Em plena contagem decrescente para os mundiais, em Doha (Qatar), são feitas revelações comprometedoras para a federação e a agência antidopagem daquele país africano de referência na modalidade.

Fotografia: DR

Sob anonimato, um médico conta ao jornalista da ZDF o procedimento: “Não há doping antes da corrida ou de uma prova importante. Aqui, utilizam a EPO no treino. Da actual equipa nacional, tinha comigo oito atletas, no total”.
A Federação queniana é também visada no documentário. Apesar de ter adoptado medidas punitivas para combater o doping - quem tiver resultados positivos é banido da modalidade -, são revelados documentos comprometedores, designadamente, uma carta de um alto responsável da agência de antidopagem queniana a dar conta de “resultados positivos” de um atleta e a pedir uma reunião para “discutir o assunto”: “A federação tem a capacidade de garantir a liberdade de um atleta suspenso, e nós estamos em contacto com as autoridades competentes”.
Um antigo funcionário da agência local de combate ao doping denuncia o alegado procedimento levado a cabo “em conjunto” pelas duas instituições. “Eles escondem os resultados, de maneira que eles não podem ser banidos”.
Confrontado com as denúncias e os documentos, Brett Clothier, chefe da Unidade de Integridade da IAAF, entidade que superintende a modalidade a nível internacional, admitiu que “estas alegações são muito graves”: “Não somos ingénuos, sabemos tais problemas que corrupções existem no Quénia”. “Se as regras não são respeitadas, a Federação Internacional pode suspender completamente o país”.

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