Desporto

Espanha conquista estatuto de candidata na competição

Anaximandro Magalhães | Beijing

Menos cotada na lista de candidatos à conquista do título da 18ª edição do Mundial sénior masculino de basquetebol, o percurso da Espanha, agora bicampeã, fez-se a palmo e ganhou visibilidade no decorrer do campeonato, à medida que foi suplantando adversários de maior quilate comparativamente à Tunísia, a quem venceu na estreia por 101-62, em desafio pontuável para o Grupo C da fase preliminar.

Campeões mundiais estavam entre os menos cotados como favoritos ao triunfo em Beijing
Fotografia: DR

Inferiores nos prognósticos, quando colocados na balança ao lado dos Estados Unidos, Grécia, Turquia, Lituânia e Sérvia, os espanhóis fizeram da ausência de pressão exterior o foco maior, pois eram tidos como uma selecção do quinto, sexto e sétimo postos, contrariando o estatuto de campeões do Mundo em 2006.
A colocação num plano inferior foi muito em função da prestação nas edições subsequentes à conquista de 2006. Oito anos foi o tempo de ausência no pódio. Na Série C preliminar, onde fez o pleno de vitórias, 73-63 e 73-65, frente a Porto Rico e ao Irão, era esperado, face à qualidade dos opositores, terminar na primeira posição.
Qualificados para o Grupo J, à semelhança dos oitavos-de-final, nos moldes de disputa anteriores do campe- onato, e com obrigação de ter de defrontar Itália e Sérvia, adversários de peso, as apostas não recaíam para a Espanha, que no entanto suplantou, por 67-60 e 81-69, os dois obstáculos.
Daí em diante, uma vez chegada aos quartos-de-final, com uma Polónia até à altura sensação da prova, os comandados do técnico de nacionalidade italiana, Sergio Scariolo, 58 anos, voltaram a ser superiores.
Com a Austrália do base Patty Mills, dos San Antonio Spurs da NBA, nas meias-finais, os apostadores continuaram a não dar crédito à equipa do país da Península Ibérica, que uma vez mais saiu imaculada, vencendo por 95-88, deitando por terra os intentos da concorrência.
Domingo, no encontro decisivo, onde tudo era esperado, venceu por 95-75, nú- meros expressivos para uma partida de final. Ponto assente é que a Espanha se não é, devia ser um caso de estudo para os demais países tomarem nota, ou mesmo copiar o modelo adoptado, pois da selecção bicampeã apenas dois atletas são provenientes da equipa de há 13 anos: Marc Gasol e Rudy Fernandez.
Nota de destaque é o facto de duas gerações distintas terem conseguido erguer o ceptro da principal competição do calendário da Federação Internacional de Bas- quetebol Associado (FIBA).
O base Ricky Rubio, 28 anos, com uma exibição de gala no último desafio, embora se tivesse destacado antes, foi eleito Jogador Mais Valioso (MVP) e recebeu da organização o prémio Tissot. Rubio terminou a final com 20 pontos, 7 ressaltos e 3 assistências, bem secundado por Marc Gasol (14/7/7) e Rudy Fernández (11+10).
Do cinco ideal constou também o companheiro de equipa, o poste Marc Gasol. Completaram a lista o poste argentino Luis Scola, o extremo francês Evan Fournier e o extremo-base sérvio, Bogdan Bogdanovic.

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