Desporto

Estado das infra-estruturas preocupa utentes de Benguela

Maximiano Filipe | Benguela

A degradação acentuada das infra-estruturas desportivas construídas há menos de 12 anos, preocupa o sector de tutela na província, que pensa na escassez de recursos financeiros para fazer face ao estado que as mesmas apresentam.

O pavilhão foi recentemente palco dos Campeonatos Nacionais de Andebol dos escalões de formação apesar dos problemas que apresenta
Fotografia: Miqueias Machangongo | Edições Novembro

Em declarações ao Jornal de Angola, o chefe de departamento da direcção local da Juventude e Desportos, Júlio Paiva, disse que foi feito recentemente um levantamento, que revela ser necessário acima de 36 milhões de kwanzas, só para a recuperação do Pavilhão Acácias Rubras, construído na zona F, no bairro do Calohombo.

Construída numa área sem asfalto, sem zonas verdes, com a degradação, toda a poeira vai para o interior da infra-estrutura, que tem capacidade para 2.500 espectadores sentados, e uma área para pessoas com deficiência. Hoje, o cenário é de cadeiras  degradadas e a água das chuvas entra normalmente para o interior do edifício. 

Neste momento decorrem trabalhos de análise e recolha de dados técnicos, para se apurar o valor global  dos custos de recuperação do Estádio Nacional de Ombaka, construído na zona F, e do Pavilhão Matrindindi, na zona A, no bairro da Cambanda, arredores da cidade de Benguela. 

Segundo o responsável, as infra-estruturas desportivas de Benguela, construídas para os Campeonatos Africanos de Basquetebol (Afrobasket ) e de futebol (CAN), estão em péssimo estado. “É bem verdade que após a expansão das infra-estruturas desportivas no país, Benguela é uma das províncias que mais beneficiou, quer na construção quer na reabilitação das que já existiam”, lembrou

Avançou também que com as competições disputadas em 2007/2018, Benguela viu serem construídas de raiz  duas infra-estruturas de grande dimensão: os pavilhões Acácias Rubras e Matrindindi.

Júlio Paiva acrescentou que o mesmo projecto visou também a recuperação de campos não cobertos, do  Estrela Club 1º de Maio e do Sporting de Benguela, acções que felizmente foram concluídas, apesar de as referidas obras não terem correspondido às expectativas dos desportistas.

Para dar maior dignidade ao desporto local, houve a necessidade de efectuar-se a cobertura destes campos, situação que impossibilitou que as actividades desportivas já em curso fossem alargadas, principalmente as que anteriormente eram praticadas, tais como o andebol e o futsal, frisou.

Hoje, passados menos de 15 anos, essas infra-estruturas encontram-se  em estado avançado de degradação, apesar de estarem nesse momento sob gestão do Estado. O pavilhão Acácias Rubras está com a parte do tecto totalmente danificada, o que faz com que todo o interior do recinto esteja em péssimas condições, desde o tecto falso, instalação eléctrica danificada, portas, e outros apetrechos. Tudo isso facilita a penetração de água no interior do pavilhão nas épocas chuvosas, o que aumenta o nível de degradação.O piso é a única parte do recinto que ainda apresenta uma certa durabilidade, apesar de necessitar urgentemente de uma recuperação, para evitar custos mais onerosos no futuro, visto que precisa apenas de um reforço do envernizamento na camada superior para que possa durar mais tempo.

Júlio Paiva explica que toda a parede exterior do pavilhão Acácias está   degradada, em função de ser feita de madeira de um tipo não tratada e todos os painéis de cobertura lateral mal,  que com o andar do tempo foi corroída pelos bichos.

Ainda no âmbito da constatação feita, referiu que, “as zonas de ondulação na cobertura de entrada do mesmo Pavilhão, aquando da sua construção não obedeceu às melhores regras, se tivermos em conta que não foi feita qualquer inclinação, e facilmente acumula as águas da chuva no interior, sem que sejam evacuadas para os esgotos. 

O responsável sustentou que a falta do muro de vedação, que garante a protecção geral do pavilhão contra qualquer tipo de vandalização, é outro problema, visto que até ao  momento o edifício tem sido banalizado pela população residente ao seu redor. Mesmo  o seu interior já foi alvo da acção de meliantes.

Disse também que, face à situação e com a nova dinâmica, gizada pelo ministério de tutela, para a recuperação das infra-estruturas, o pavilhão Acácias Rubras consta das prioridades e decorrem trabalhos neste sentido. Também está em curso a substituição de algumas portas de madeira degradadas por outras de alumínio, e aguarda-se a revisão da instalação eléctrica, bem como a mudança de todos os assentos degradados, por má  utilização constante durante as actividades. O exemplo mais recente disso ocorreu durante o Campeonato Nacional de juvenis de andebol, em ambos os sexos, disputado  em Benguela, onde os espectadores acabaram por  danificar os assentos.

O pavilhão Matrindindi também está a beneficiar de trabalhos de vedação, para que tenha mais tempo de vida. O interior deste património começa a conhecer algumas melhorias.

Alguns equipamentos deste pavilhão também foram vandalizados, com roubos sistemáticos dos candeeiros, do sistema de iluminação eléctrica. 

Com capacidade de 580 espectadores, e foi construído para apoiar os outros recintos, servindo para treinos, jogos amigáveis, diversão entre outras actividades. 

Neste momento, Benguela apenas tem dois pavilhões que oferecem condições para a prática de modalidades de salão, o Matrindindi e o Acácias Rubras, porque os outros (Estrela Clube 1º de Maio e Pavilhão do Sporting) os seus pisos já não estão em condições de receber jogos ou provas de âmbito nacional.

  Estádio Nacional de Ombaka recebe  benfeitorias


O Estádio de Ombaka está, de forma provisória, sob gestão do gabinete provincial ligado aos desportos. Foi um dos quatro palcos do CAN'2010, realizado de 10 a 31 de Janeiro de 2010.
É o segundo maior do país, depois do “11 de Novembro” em Luanda. Com um custo aproximado de 116 milhões de dólares, ocupa uma área de 41.500 metros quadrados e  tem capacidade para acolher 26 mil espectadores.
Hoje, entre outras situações menos boas, uma das preocupações que mais aflige os praticantes de desporto é o facto de estar durante longos anos com os problema de falta de água, situação que ficou ultrapassada, dada a dinâmica da actual direcção dos desportos, que tudo fez para que a infra-estrutura hoje viva dias melhores.
Júlio Paiva considerou que a degradação do Estádio de O’mbaka,  e dos pavilhões multiusos, surge em função de não terem sido construídos com material de qualidade e apropriado para infra-estruturas do género. 
Neste momento, com o apoio do executivo local e algumas empresas, foram reunidos alguns apoios que estão a permitir efectuar trabalhos de substituição dos tubos da canalização no Estádio de O'mbaka, para facilitar a rega da relva. Os tubos para a rega do relvado são de estrutura metálica e, tendo em conta a proximidade ao mar, ela  apresenta roturas, o que exige a sua substituição total. Decorrem também trabalhos de pintura à volta do interior do estádio, para que se evite a degradação acelerada da estrutura, como se registava nos últimos dias. 
Outras acções em curso no estádio, apesar da escassez de recursos, são a recuperação da iluminação exterior, que de um tempo para cá não oferecia condições para uma movimentação segura, sobretudo à noite.
Com a alocação de verbas por parte do executivo, outras acções vão prosseguir. O responsável anunciou que a grande novidade são os trabalhos que estão a ser feitos para a recuperação dos balneários de todas as infra-estruturas desportivas, que devem culminar no segundo semestre deste ano.

Recursos humanos e meios

As acções de melhoramento estão a ser executados por 20 funcionários eventuais, e com algumas máquinas que fazem parte do património do estádio, o que permite o andamento normal dos trabalhos em todas áreas,  e evita custos elevados, bem como promove uma gestão rigorosa dos recursos financeiros disponíveis. Estão igualmente a ser feitos trabalhos de drenagem para que a água das chuvas siga normalmente para os esgotos. 
Segundo o dirigente desportivo, o estádio devia ter um furo próprio de água, para  alimentar os tanques reservatórios, para em caso de carência não houvesse dificuldade de regar o relvado e evitar que ela seque.
O governo de Benguela pretende transformar o estádio num local para a realização de grandes eventos, que visam a promoção da cultura local e nacional.
Para o melhor aproveitamento do perímetro do estádio foi instalada uma escola de karting, que está a formar pilotos com idades entre os 18 e os 42 anos.

Maioria dos recintos está destruída ou degradada


Fernando Cunha


A província do Huambo, que no passado foi das principais referências desportivas do país, vive, há mais de uma década, um período negro no seu historial. O desinvestimento é total nas políticas viradas para a salvação deste segmento, sendo as infra-estruturas - muitas delas edificadas antes de o país alcançar a independência -, as mais prejudicadas.
O Huambo possui, catalogados pela estrutura governamental, 783 campos, dois estádios, 24 quadras polidesportivas, cinco pavilhões multiusos e 13 ginásios de manutenção física, num total de 827 recintos, distribuídos pelos onze municípios que compõem a província. Dos dados avançados, 510 campos, um estádio, quatro dos seis pavilhões gimnodesportivos e oito ginásios estão no município sede do Huambo.
Um estádio, 113 campos de futebol e um pavilhão encontram-se na vila da Caála, e um recinto de futebol, 93 campos e um pavilhão polidesportivo no Bailundo.
Das infra-estruturas identificadas, apenas os estádios Mártires da Canhãla e os pavilhões multiusos Serra Van-Dúnem, um outro complementar ao principal do Serra Van-Dúnem e o do Petro do Huambo estão funcionais. As restantes estruturas desportivas ou estão em degradação ou destruídas. 
Em finais de 2006, o Governo de Angola, na antecâmara da realização no país da 24ª edição do Afrobasket, disputado entre 15 e 26 de Agosto de 2007, mandou construir em seis meses um pavilhão multiuso, que acolheu a disputa do grupo C da referida competição, que envolveu as selecções da Nigéria, República Centro Africana, Moçambique, Camarões e Tunísia.
Foi a primeira infra-estrutura edificada nas terras do Planalto Central em 32 anos de Independência. A um custo de 11 milhões de dólares, o pavilhão multiuso baptizado de Osvaldo de Jesus Serra Van-Dúnem acolheu uma das séries do CAN de Andebol de seniores em ambas os sexos. 
De lá para cá, albergou mais umas  poucas actividades desportivas, servindo, na maior parte das vezes, actividades fora do âmbito social para o qual foi construído, durante os seus quase 13 anos de existência.     
Este mau uso levou à degradação de mais 75 por cento do pavilhão Osvaldo Serra Van-Dúnem, vindo a ser recuperado na sua totalidade em Julho de 2018, pelo governo provincial, para acolher em Setembro do mesmo ano as actividades da Expo e Investe Huambo, uma feira multisectorial que acolheu mais de 300 expositores vindos de todo o país.

Estádio das Cacilhas espera reabilitação há seis anos

Em 2011, o governo da província do Huambo chegou a investir mais de 27 milhões de dólares na edificação de um novo Estádio Mártires da Canhãla, propriedade do Clube Recreativo da Caála, comprometendo-se, na altura, em realizar a mesma benesse nos dos outros dois tradicionais clubes locais, o mítico Mambrôa Sport e Benfica, das Cacilhas, e o Petro Atlético do Huambo.
O clube alvi-negro do bairro Kapango, que viu-se esbulhado, por particulares, de um terreno onde pretendia edificar a sua cidade desportiva, no início da década de 90 do século passado, nunca teve o seu projecto discutido superiormente. Actualmente corre o risco de perder um outro espaço que possui na zona do Cambiote, arredores da cidade do Huambo, em favor de projectos da Universidade José Eduardo dos Santos, que pretende edificar no mesmo espaço o seu campus.
Já o Mambrôa Sport e Benfica do Huambo, sofreu o maior revês da sua história, quando a 6 de Setembro de 2012  viu o seu mítico estádio das Cacilhas ser reduzido a pó. Na altura, o então ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba, presente no acto de derrube, perspectivou momentos áureos para o lendário clube,  com a edificação  de um novo recinto padronizado à dimensão de uma infra-estrutura moderna do século XXI. Passados mais de seis anos, no espaço do estádio das Cacilhas, hoje existem alguns escombros das bilheteiras e do pavilhão gimnodesportivo, algumas hortas familiares, vários depósitos de lixo e esconderijos para delinquentes levaram avante crimes contra cidadãos que circulam pela zona.
Em degradação está também o estádio dos Kuricutelas, propriedade do Ferroviário do Huambo, afecto aos Caminhos de Ferro de Benguela, cujo complexo dispõe de um campo de futebol, um campo polidesportivo para a prática do andebol, basquetebol e outros desportos de sala, como o ténis de campo.
Destruído encontra-se o campo do Electro Clube do Huambo, cuja infra-estrutura é composta por um campo de futebol, uma piscina de 50 metros e estúdio de cinema.


Estádio do Chiazi com obras de recuperação


A falta de cabimentação financeira tem sido, todos os anos, a grande “dor de cabeça” da secretaria provincial da Juventude e Desportos para garantir a funcionalidade e manutenção regular das infra-estruturas desportivas existentes na província de Cabinda.
De acordo com responsável local dos desportos, Óscar Dilo, Cabinda está bem servida, em termos de infra-estruturas desportivas. Segundo avançou, o único problema tem sido garantir a manutenção e conservação dos recintos.
“A problemática das infra-estruturas desportivas, em Cabinda, tem sido  assunto que temos abordado em várias ocasiões para encontrar soluções viáveis. Podemos dizer que Cabinda está de parabéns em recintos desportivos, mas o único problema é garantir a manutenção e a conservação dessas infra-estruturas, por não existir cabimentação financeira”, explicou. 
O estádio Nacional do Chiazi, construído em 2009, num período de 18 meses, para albergar os jogos da 27ª edição do CAN, que o país acolheu de 10 a 31 de Janeiro de 2010, está a ser recuperado pelo Ministério da Juventude e Desportos para voltar a funcionar. A infra-estrutura encontrava-se num estado de abandono, o que causou sérios danos à relva e às principais estruturas funcionais do empreendimento.   
“No 2º semestre do ano passado, o Ministério da Juventude e Desportos cabimentou algum financiamento para a manutenção do estádio. Hoje está a ser recuperado. O sistema de rega, os poços, as máquinas de tratamento da relva e os geradores já estão em condições”, garantiu  Oscar Dilo.     
O estádio do Chiazi, que possui uma área de 36.868m2, tem zonas VIP com 323 lugares, 31 camarotes com 604 lugares, posto policial, sala de conferências, sala de imprensa, 128 lugares para deficientes físicos, quatro balneários para jogadores, duas salas de controlo anti-doping, 18 salas para primeiros socorros, 23 lojas e igual número de restaurantes e sete elevadores. Além do Estádio Nacional do Chiazi, a província tem ainda o Municipal do Tafe, que tem merecido atenção especial do governo provincial, porque é o único recinto que alberga jogos do Girabola. Com capacidade para dois mil espectadores, o estádio do Tafe é a casa do Sporting de Cabinda e das equipas que competem no campeonato provincial de futebol.
Para Oscar Dilo, o Tafe apesar das dificuldades que apresenta foi recuperado a 60 por cento para permitir que a infra-estrutura desportiva albergue jogos do Girabola e do campeonato provincial de futebol. “O Tafe tem sido melhorado, porque tem recebido visitas dos inspectores da FAF. Apesar de alguns problemas, temos recuperado o campo para o Girabola”. 

Pavilhão do Tafe votado ao abandonado 

No quadro da realização dos campeonatos africanos de basquetebol e de andebol, em masculinos, que o país albergou, em 2007 e 2008, foi construído o pavilhão do Tafe e recuperados os pavilhões do Sporting de Cabinda, Barão de Puna, Dangeroux, Cabassango, Lombo-Lombo e do Gika. 
Esses pavilhões serviram como recintos de treinos das selecções nacionais que competiram em Cabinda nos Campeonatos Africanos de basquetebol e de andebol  masculinos. O pavilhão do Tafe serviu como principal palco das competições. Hoje, estes recintos estão totalmente abandonados e sem condições para a prática desportiva. o Oscar Dilo assegura que o MINJU possui um programa  para a recuperação dos pavilhões.  
A par do pavilhão do Tafe, está a ser construído em Cabinda, o pavilhão do Mbaka. Uma infra-estrutura sob tutela do Ministério da Juventude e Desportos. Para Oscar Dilo, é um centro de estágio que vai servir para o desenvolvimento da prática desportiva. “É uma obra que iniciou em 2008 e aguardamos a sua conclusão. O centro de estágio de Mbaka é composto por um pavilhão gimnodesportivo, campo de futebol, hotel de 44 quatros,  piscina e uma série de infra-estruturas que estão inseridas no complexo”, disse. 
 
Joaquim Suami | Cabinda







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