Desporto

FAF sorteia Girabola sem apoio dos clubes

Honorato Silva e Paulo Caculo e Valódia Kambata

A Federação Angolana de Futebol (FAF) sorteou ontem, na sua sede, em Luanda, a 43ª edição do Girabola, sem o consentimento do grosso dos clubes habilitados a disputar a prova, devido ao braço-de-ferro resultante da discordância em relação ao controlo da estrutura organizativa.

Acto aconteceu ontem na sede da Federação sem a presença dos dois principais clubes
Fotografia: DR

Ainda sem certezas quanto ao início da competição, já que a data indicativa de 3 de Outubro está muito próxima do regresso aos treinos no sábado, o Conselho Técnico Desportivo da Federação emparceirou as equipas nas 30 jornadas. Na abertura, salta à vista a recepção do Petro de Luanda ao FC Bravos do Maquis e a deslocação do Interclube ao Estádio Nacional 11 de Novembro, para defrontar o 1º de Agosto, detentor do título.

O jogo mais aguardado, entre militares e petrolíferos, normalmente agendado para uma fase adiantada do Girabola, é disputado à nona jornada, na primeira volta, e 24ª, na segunda, no caso a seis rondas do final da prova, com a discussão do título a dominar as atenções, se o quadro de equilíbrio dos últimos anos persistir.

Na edição interrompida em Março, por força da propagação da Covid-19, o clássico dos clássicos ficou sem efeito no segundo turno, depois do triunfo dos tricolores, por 2-0, na primeira volta, desfecho que deixou os rubro-negros obrigados a vencer os arqui-rivais, de modo a evitar a dependência de terceiros na corrida à conquista do troféu mais cobiçado do futebol nacional.

Num cenário condicionado pelo novo normal, a adopção de medidas com vista a evitar o contágio dos integrantes das equipas pelo novo coronavírus, as atenções no topo da competição vão, certamente, continuar focadas na materialização do quinto título consecutivo do 1º de Agosto e no fim do jejum de mais de uma década do Petro de Luanda.

A segunda linha é encabeçada pelo Sagrada Esperança da Lunda-Norte, agremiação apostada em dividir a primazia com os dois colossos e dar cartas nas Afrotaças, sob a presidência de José Muacabalo. FC Bravos do Maquis, Desportivo da Huíla, Recreativo do Libolo e Interclube completam a provável composição da parte alta da tabela classificativa.

Aviso dos dirigentes

O Jornal de Angola apurou ontem, de fonte próxima ao núcleo dos clubes que disputam o Girabola, que foi enviada uma carta na terça-feira, a dar a conhecer a ausência no sorteio, pelo facto de a FAF não incluir nos seus comunicados a alteração solicitada em relação à estrutura organizativa da prova, já no quadro da criação da futura Liga de Futebol, pretensão rejeitada por imperativos legais.

Os dirigentes das agremiações desportivas defendem a criação de um organismo integrado pelos conselhos Técnico-Desportivo, de Disciplina e de Arbitragem da FAF, encarregue de realizar o campeonato. O artigo 72º, da Lei 6/14, das Associações Desportivas, diz no número 1 que as federações nacionais que realizarem actividades de carácter profissional devem possuir um organismo autónomo.

Com efeito, os clubes são obrigados a criar as SAD (Sociedades Anónimas Desportivas), e de seguida estabelecer uma relação contratual com o organismo reitor da modalidade.  Em função da falta em bloco, resta saber se os clubes vão aceitar disputar a prova com base no sorteio que não respaldaram. O aparente cenário de aproximação das partes, no calor do ambiente eleitoral, parece estar comprometido, pois continua difícil o entendimento, num processo que pede cedências e ponderação.

Equipas modestas têm

calendário desfavorável

Quis o sorteio do próximo Girabola que as equipas do Ferrovia do Huambo, Santa Rita de Cássia do Uíge, Cuando Cubango FC, Sporting de Cabinda e Baixa de Kassanje de Malanje, esta última recém-promovida, cruzassem com candidatos ao título nas primeiras quatro jornadas. O quinteto de equipas definiu como objectivo a discussão pelos lugares que garantem a continuidade em 2022, razão pela qual não encaram com agrado a contrariedade de enfrentar adversários teoricamente mais fortes no começo do campeonato.

Na segunda jornada, o pior teste de estreia está reservado à equipa do Cuando Cubango FC, na recepção ao campeão 1º de Agosto, o Ferrovia desloca-se ao terreno do Desportivo da Huíla (quarto colocado da época passada), Santa Rita recebe a visita da Caála, o Williete vem a Luanda medir forças com o Interclube, enquanto o Progresso 'baptiza' o agora primodivisionário Baixa de Kassanje.

Na terceira jornada, o conjunto de Malanje cruza o caminho do Petro de Luanda, naquele que será o primeiro “teste de fogo”. Já a formação do Williete de Benguela é recebida pelo 1º de Agosto e o Santa Rita de Cássia do Uíge visita o Progresso Sambizanga, antes de enfrentar o Petro na quarta jornada. A mesma ronda, o Ferrovia tem a deslocação difícil ao Moxico para defrontar o Bravos do Maquis, ao passo que o Sporting tentará resistir ao “inferno” de Calulo, no embate com o Recreativo do Libolo.

O êxito deste naipe de equipas no próximo Girabola dependerá, seguramente, da capacidade de resposta em superar um calendário que se apresenta desfavorável nas primeiras cinco jornadas, com o particular de alguns destes jogos serem com equipas candidatas ao título.  Para materializar o propósito de permanecer no Girabola, exige-se igualmente destas equipas força colectiva e solidez competitiva para, sobretudo, nas fases mais complicadas da competição, em que são obrigadas a consolidar posições, competência suficiente para amealhar os considerados “pontos fáceis” entre si.

Emparceiramento satisfaz
David Dias e Manuel Santos

O emparceiramento do Girabola'2020/2021 ditado ontem pelo sorteio realizado na sede da Federação Angolana de Futebol (FAF) satisfaz as pretensões de David Dias e Manuel Dias dos Santos. O treinador do Recreativo da Caála do Huambo e o vice-presidente do Progresso Sambizanga estreiam na competição em casa.

“Estamos satisfeitos por fazer o primeiro jogo em casa. A nossa estreia acontece diante da Baixa de Cassanje, uma equipa que joga pela primeira vez o Girabola. Creio que vai ser um bom jogo”, disse David Dias, visivelmente alegre. Na avaliação de outros jogos, o treinador disse que “são todos acessíveis também, visto que vamos jogar todos contra todos”.

Quanto à preparação da equipa, assegurou que o grupo começou nesta terça-feira: “A nossa programação estava definida para ter início na segunda-feira, mas apenas foi possível na terça-feira”.  Cinco novos atletas devem ser apresentados em breve para reforçar o plantel. Dias assegura que os escolhidos devem estar na cidade da Caála já na próxima semana devido aos exames médicos. “Vamos começar a tratar dos reforços, pois é bom para a equipa”, disse.

O vice-presidente Manuel Dias dos Santos defende começo “em grande” para ajudar a apagar a imagem negativa pintada no último campeonato. A estreia acontece diante do Recreativo do Libolo. “É sempre bom começar em casa. O Progresso trabalha no sentido de participar condignamente no Girabola; estamos a criar as condições básicas”, afirmou.

Quanto às dificuldades, assegurou que “estão num universo muito grande” e a continuidade do treinador Hélder Teixeira no comando deve ser reflectida.
“O treinador faz parte do nosso projecto, apesar das eleições de renovação de mandatos de 14 de Novembro. Por isso, esse processo deve ser feito de forma ponderada. Vem uma nova direcção segurar o projecto. Ainda assim, de uma coisa tenho a certeza: o Progresso vai participar na competição”, disse.

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