Desporto

Federação de Futebol confirma divórcio anunciado no Egipto

Honorato Silva

A Federação Angolana de Futebol (FAF) confirmou na sexta-feira, em comunicado de imprensa, o divórcio anunciado no Egipto, durante a disputa da Taça de África da Nações (CAN), com o técnico sérvio Srdjan Vasiljevic, por quebra de confiança na relação entre as partes.

Fim do vínculo com o técnico foi a saída encontrada para pôr termo ao ambiente de crispação
Fotografia: José Cola| Edições Novembro

O fim do vínculo contratual, de forma amigável, foi a saída encontrada para pôr termo ao ambiente de pura crispação instalado ainda durante o estágio em Portugal e adensado no palco da prova continental, sobretudo depois de ter sido noticiada a pretensão de greve dos jogadores, a seguir ao jogo frente à Mauritânia, na segunda jornada do Grupo E.
Chegado à Selecção Nacional em Dezembro de 2017, com o propósito de relançar a campanha de Angola na corrida ao CAN, em substituição do hispano-brasileiro Roberto Bianchi, cuja ligação foi interrompida de forma unilateral pela estrutura directiva do Petro de Luanda, na partilha do treinador, Vasiljevic criou laços no balneário apoiado na aposta em jogadores experientes, como Mateus Galiano, Djalma Campos, Fredy e Bastos, que puxaram pelos jovens, casos de Paizo, Herenilson, Show e Gelson Dala. A discussão de diárias e do prémio de apuramento, dado pela Confederação Africana aos países que disputam a Taça das Nações, acabou por ser o pomo da discórdia que minou o relacionamento dos dirigentes federativos com o treinador, que se colocou do lado dos atletas, num claro afastamento da entidade patronal.
Contactado para reagir ao anúncio da rotura, o técnico confirmou a rescisão amigável, mas preferiu adiar uma abordagem mais detalhada do fim do seu consulado à frente dos Palancas Negras, que esperava ver assinar um melhor desempenho, caso tivesse sido evitada a turbulência que tomou conta da delegação angolana.

Negar evidências

Preocupado com a preparação do duplo compromisso diante dos Escorpiões da Gâmbia, nomeadamente saber quem vai orientar a equipa nacional na preliminar da corrida ao Mundial de 2022, no Qatar, quando o primeiro jogo foi remarcado para o dia 6 de Setembro, em Banjul, o Jornal de Angola contactou na segunda-feira o vice-presidente da FAF, Adão Costa, que se mostrou indisponível, por razões de saúde, porém, respondeu a um questionário.
Ao colocar o acento tónico em alegadas especulações, que acabaram por ser confirmadas, o dirigente respondeu: “Se a preparação a que se refere for técnica, penso que sabe os marcos das convocatórias. Se for administrativa, essa começou há muito tempo”.
Confrontado com a possibilidade de o português Pedro Gonçalves, seleccionador dos Sub-17, que em Outubro vão disputar o Mundial no Brasil, assumir o comando das Honras, caso se mantivesse o impasse entre a FAF e Vasiljevic. Chegou-se a falar na interacção do treinador e os dirigentes através de advogados.
“O distanciamento em questão é uma afirmação vossa ou um facto anunciado pela FAF? Pede o meu pronunciamento, com base numa especulação? Penso que o correcto seria falar com base em dados oficiais. Certo? Asseguro também que nunca falámos com o treinador por via de advogados. Logo, isso é falso. Aliás, pode sempre saber junto do próprio treinador ou de alguém próximo dele”, esclareceu o vice-presidente, a negar evidências.

Apelo do capitão sem força parajuntar as partes

O apelo de Mateus Galiano, preocupado com a coesão do grupo, depois das peripécias vividas em Portugal, durante a preparação, no Cairo, Suez e Ismailia, já no calor da disputa da Taça de África das Nações, acabou por não produzir os efeitos desejados: a melhoria do ambiente de trabalho.
Contactado na altura ao telefone, o capitão do combinado angolano informou que tem falado com os restantes jogadores chamados do estrangeiro, de modo a reforçar a união, em defesa do interesse nacional.
O avançado do Boavista, da Liga NOS portuguesa, concentrado para o jogo de hoje, com o Vitória Sport Clube, sublinhou a necessidade de se clarificar o actual momento da Selecção, sobretudo do seu comando técnico.
“Acredito que vamos todos tirar a maior lição do que nos aconteceu. Está claro que queremos todos dar alegria ao nosso povo, sobretudo nesta fase especial da vida do país. Queremos continuar com Vasiljevic”, alimentou esperanças. Melhor marcador dos Palancas Negras na campanha de apuramento, com quatro golos, Mateus lembrou que alguns colegas ficaram melindrados. “Principalmente os que vieram pela primeira vez. Mas temos de puxar todos para o mesmo lado, com a valorização dos atletas. O sucesso começa em pequenos detalhes, gestos e palavras simples.”

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