Desporto

Futebol angolano regista movimento de pré-época

Honorato Silva

Na contra-mão da mudança do Estado de Emergência para a Situação de Calamidade Pública, no combate à pandemia da Covid-19, que estabelece o regresso aos treinos e actividades desportivas oficiais a partir de 27 de Junho, o futebol angolano está em modo de pré-época.

Herenilson pode deixar Petro e reforçar o rival 1º de Agosto
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

Com os campeonatos interrompidos de forma definitiva, sem campeão e despromoções, nomeadamente o Girabola, numa altura em que o Petro de Luanda procurava ultrapassar o jejum na conquista do título de mais de uma década e o 1º de Agosto igualar a marca de penta-campeão do arqui-rival, clubes, associações e Federação Angolana (FAF) cuidam dos deveres de casa, antes do retorno aos campos, à porta fechada.

Ao ritmo do desconfinamento, as direcções começam a abordar o mercado, ainda de maneira tímida. Algumas transferências prometem causar impacto, caso sejam confirmadas, a julgar pelos emblemas envolvidos, sobretudo os identificados com os lugares cimeiros da classificação.

Ganha força nos bastidores a mudança de Herenilson do Carmo, dos petrolíferos do Eixo Viário para os militares do Rio Seco. Fala-se na assinatura de um vínculo por duas épocas, quando o contrato com os tricolores termina em Novembro, o que pressupõe que o atleta terá de esperar pela desvinculação, salvo disposição contrária do organismo reitor da modalidade no país.

O médio-defensivo passou por momentos conturbados, no início da temporada recém-interrompida. Chegou a ficar várias vezes fora das opções do técnico espanhol Antonio Cosano, por ser alegadamente afastado pela concorrência no plantel, enquanto fontes próximas ao clube tricolor falavam em retaliação, dada a recusa em prolongar o contrato. No mesmo período, Herenilson surgia como primeira escolha de Pedro Gonçalves nos Palancas Negras, em detrimento de Além, titular na equipa do Catetão.

Cobiça por Gaspar

A preparar o regresso às Afrotaças, após assegurar a presença na Taça da Confederação “Nelson Mandela”, o Sagrada Esperança pode perder o central Gaspar, 22 anos, para a concorrência instalada em Luanda. As informações disponíveis dão conta do interesse do Interclube e do Petro, à partida mais afirmativo nas abordagens.

Distinguido pela agilidade, poder de antecipação, bem como o domínio do passe e da condução da bola, o defesa central é dos diamantes mais cobiçados na formação lunda às ordens de Roque Sapiri. Foi um dos destaques na recuperação que levou o clube ao quarto lugar no Girabola, depois de um arranque sonolento, e à disputa das meias-finais da Taça de Angola.

A direcção encabeçada por José Muacabalo está focada no dimensionamento do Sagrada ao nível dos grandes do desporto nacional, longe da intermitência na disputa do topo no futebol e, por arrasto, da ausência das provas continentais. O clube trabalha na criação das bases para o regresso ao título, feito alcançado em 2005, sob o comando de Mário Calado, num plantel que tinha entre os destaques Goliath, Lebo Lebo, Chinho (falecido), Santana Carlos e o actual treinador.

Continuidade e saída

A par do reforço das equipas, várias são as direcções com processos de renovação de mandato por realizar. No Petro tudo aponta para a continuidade de Tomás Faria, ultrapassada a fase de contestação decorrente da falta de conquistas no futebol de sénior, lacuna que esteve prestes a ser quebrada.

O alargamento das infra-estruturas, mormente a construção de um estádio, em espaço ainda por definir, é uma das prioridades dos dirigentes tricolores, no próximo quadriénio. Faria olha para a afirmação entre os melhores de África, através da disputa das principais provas de futebol, e assim valorizar activos a serem transferidos no estrangeiro.

Indicação contrária surge do Interclube. Vários anos à frente dos destinos da agremiação, Alves Simões está de saída do Rocha Pinto, sendo apontado como “nome forte” a ocupar a liderança da futura Liga de Clubes de Angola, organização com trabalho adiantado, no entanto sem perspectivas de sair do papel.

Candidatos aguardam pelo tiro de partida

Frustrada, pelo Ministério da Juventude e Desportos, a pretensão do elenco de Artur de Almeida e Silva de adiar as eleições, face à mudança registada no calendário dos Jogos Olímpicos de Tóquio, transferidos para 2021, por força da Covid-19, os candidatos ao cadeirão da FAF aguardam pelo tiro de partida.
O presidente-cessante deve pedir à Mesa da Assembleia-Geral a realização do encontro para marcar a data.

Nos blocos de partida estão vários concorrentes interessados na mudança do poder no futebol angolano, como Nando Jordão, Norberto de Castro e José Alberto Macaia. Muito elogiado no plano externo, pela melhoria da imagem do país junto da FIFA, Artur de Almeida chega ao final do primeiro mandato sob fortes críticas, por ter cumprido pouco do que prometeu em campanha, pecha insuficiente para o desanimar, uma vez acreditar na melhoria do desempenho, agora com maior conhecimento da realidade.

 

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