Desporto

1º de Agosto faz treino no recinto do jogo

Honorato Silva

A assinar uma época excepcional, marcada pela conquista do tri-campeonato no Girabola e a presença nos quartos-de-final da Liga de Clubes de África de futebol, o 1º de Agosto reconhece, hoje à tarde, o relvado sintético do Estádio TP Mazembe, em Lubumbashi, Congo Democrático, palco de amanhã, às 15h00, para a decisão da presença nas meias-finais.

Guelor tem sido um dos esteios do sector defensivo dos militares na campanha africana
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

Sem muito tempo para treinar, depois do empate (0-0), sábado no Estádio Nacional 11 de Novembro, a equipa militar, orientada pelo sérvio Zoran Maki, deve fazer, durante a ligeira sessão de aproximadamente 45 minutos, alguns retoques pontuais na estratégia montada, com o firme propósito de travar a força ofensiva do adversário, cujos jogadores revelam maior frescura física, por terem terminado mais cedo o campeonato local, no qual foram detonados pelo Vita Club de Kinshasa.
A solidez defensiva, com a definição de um bloco médio, de modo a travar a projecção ofensiva, na se-gunda linha de construção do TP Mazembe, sector dominado pelo trio formado por Elia Mechak, Michel Mika e Jackson Muleika, os criadores de situações de vantagem para o finalizador Ben Malango, volta a ser a primeira preocupação dos tri-campeões angolanos, que têm a ligeira vantagem decorrente do facto de terminarem o jogo em casa sem sofrer qualquer golo.
Assim, defende Ivo Traça, adjunto de Maki e porta-voz da equipa técnica, integrada ainda por Filipe Nzanza, outra antiga glória do clube e conhecedor do futebol do Congo, a pressão está agora do lado do gigante africano, que saiu de Luanda certo de que se apostar abertamente no ataque vai ser surpreendido.
“O adversário é de respeito. O seu histórico, e acima de tudo os registos mais recentes no palmarés, três títulos da prova nos últimos cinco anos, tornam arrojado e dispensável qualquer tentativa de apresentação. Mas esse estatuto de colosso africano dá-nos mais confiança, pois em Luanda mostrámos os nossos argumentos. Apesar de jogar diante dos seus adeptos, o TP Mazembe sabe dos cuidados defensivos a adoptar, para evitar ser surpreendido, porque vamos procurar marcar e não sofrer, sabendo que o empate com golos nos favorece”, argumentou o treinador.
Numa espécie de retrospectiva do ambiente vivido antes e durante o jogo da primeira “mão”, Ivo considerou excessivo o enfoque dado aos visitantes, “ao ponto de ficar confuso” quem na verdade era o anfitrião.
“É verdade que foi feito um excelente trabalho na chamada do público ao estádio. Infelizmente tivemos aquela situação triste no final, que resultou na morte de cinco adeptos, dentre os quais duas crianças. Estamos muito sentidos. Partilhamos a dor com as famílias. Mas, na apresentação das equipas, o TP Mazembe saiu favorecido. Sabemos que é importante estarmos preparados para os três resultados possíveis. Só que ficou a imagem de sermos nós os visitantes. O 1 de Agosto, se quiser ser grande, tem de jogar com os grandes”, desabafou.

Presença ofensiva

Pouco efectivos no ataque, dada a falta de capacidade demonstrada pelos jogadores lançados com tarefas mais ofensivas, nomeadamente na disputa com contacto físico, os rubro e negros aplaudem o regresso de Geraldo, impedido de alinhar por acumulação de cartões amarelos.
A presença do médio ofensivo, agitador da vertigem nas acções de ataque, em ambos os flancos, liberta Ibukun, Mongo e Mário da marcação adversária, nuance do jogo que pode embaraçar a insegura estrutura defensiva dos “Corvos”, pecha que ficou patente sempre que os militares conseguiram sair do “colete de forças” do contacto físico. O recurso à falta é a alternativa escolhida.
Os remates à entrada da área, por forma a tirar partido da meia distância de Mongo, Ibukun e Mário, com Jacques a surgir na finalização da segunda bola, em caso de defesa incompleta do guardaredes, fazem partes dos detalhes tácticos ensaiados para vencer a eliminatória. “A presença do Geraldo nos dá maior profundidade no ataque. Vamos explorar as nossas melhores armas, nos pontos fracos do adversário, que conhecemos muito bem”, avançou Ivo Traça, antes de elogiar Anderson Guelor: “É um operário abnegado na defesa do grupo. Um jogador muito útil à equipa, pelo elevado rigor táctico e cumprimento das orientações. Tem sido criticado, por ter chegado ao clube como ponta-de-lança. Felizmente teve num nível muito elevado, no último jogo”.
A equipa do 1º de Agosto, que saiu de Luanda na terça-feira, numa delegação de 30 elementos, chefiada pelo presidente do clube, Carlos Hendrick da Silva, está desde ontem em Lubumbashi, depois de ter pernoitado em Joanesburgo, África do Sul. O regresso acontece sábado, pela mesma rota.

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