Desporto

1º de Agosto joga tudo pela história em África

Honorato Silva, Hammamet

Em tarde de decisão, o 1º de Agosto joga tudo, hoje às 17h00, no Estádio Olímpico de Radès, diante do Esperance de Tunis, para marcar presença, de forma inédita, na disputa do título da 22ª edição da Liga dos Clubes Campeões Africanos de futebol. 

Tricampeão angolano persegue a final inédita da competição milionária africana
Fotografia: Miqueias Machangongo | Edições Novembro

A motivação é o maior capital competitivo dos militares do Rio Seco, que têm vencido o cansaço resultante do prolongamento da época, recheado de longas e desgastantes viagens, com o recurso à força mental, apoiados no trinómio fé, foco e ambição. 
O peso e a grandeza da empreitada faz com que a liderança técnica de Zoran Macki, auxiliado por Ivo Traça e Filipe Nzanza, seja reforçada por outros profissionais, sobretudo do ramo da Psicologia. Marco Patrice Victor, mentor motivacional do plantel rubro e negro há três anos, tem sido o principal conselheiro dos jogadores. 
No derradeiro exercício de concentração para o jogo, pediu aos atletas que descrevessem as características de uma má equipa. Como resposta recebeu falta de união, grupo sem espírito de entreajuda, indisciplina táctica, discussões por falhas individuais, pouca ambição dos dirigentes e pouca auto-estima. 
A partir da exposição feita pelo plantel, o motivador traçou o roteiro de sucesso do 1º de Agosto, diante da equipa tunisina.  “Para chegarmos ao objectivo traçado, temos de afastar todas as características de uma má equipa”, disse, antes de acrescentar que apenas deste jeito é possível atingir as metas mínimas, agora fixadas na disputa da final de 2 e 9 de Novembro.
E, para evitar a dispersão de energias com preocupações extra jogo, a direcção do clube, representada na Tunísia pelo presidente, Carlos Hendrick da Silva, o vice para o futebol, Paulo Magueijo, e o director-geral, Fernando Barbosa “Barbosinha”, reuniu domingo à noite, após ao jantar, com os 18 atletas.
Ficou definido o valor do prémio pela qualificação para a fase de grupos, presença nos quartos e nas meias-finais, bem como da provável presença na decisão do título continental. Aliás, Carlos Hendrick fez questão de sublinhar que o facto de estar na comitiva expressa a confiança do seu elenco no sucesso.

Receita ganhadora 
A vantagem na eliminatória, mercê da vitória  (1-0), há 21 dias, no Estádio Nacional 11 de Novembro, está longe de deixar os tri-campeões do Girabola relaxados. Pelo contrário, Zoran Macki pede a cada jogador vigilância e entrega redobradas.
Sem que para tal apele à adopção de uma postura de renúncia às acções de ataque, o treinador agostino chama atenção dos pupilos ao cumprimento da matriz de sucesso da equipa, assente na coesão defensiva, cuja marca é o notável registo de apenas 8 golos sofridos, em 28 partidas disputadas no Girabola, números repetidos em 14 aparições na Liga dos Clubes Campeões.
Deste modo, com vista a estancar o avanço do Esperance, que nos últimos três jogos, incluindo a visita a Luanda, soma um empate e duas derrotas, a mais recente por 0-2, diante do Sfaxien, para a Liga da Tunísia, que fragilizou o técnico Khaled Ben Yahia, o reforço do meio campo é a grande preocupação do 1º de Agosto.
Com o “capitão” Khalil Chemmam de fora, por ter sido expulso, o desafio passa por condicionar o desempenho dos médios Franck Kom, Fousseny Coulibaly e Ghaylen Chaaleli, o trio municiador de Youcef Belail, Anice Badri e Taha Yassine Khemissi, no ataque.
É quase certa a utilização da dupla Show e Macaia, enquanto no ataque Razaq pode ser a primeira escolha, pela maior disponibilidade física e capacidade de perfuração no ataque à área, em detrimento de Jacques, avançado mais vocacionado para o jogo em posse e controlo da bola.
Para o início do desafio, Macki mostrou inclinação na equipa formada por Tony Cabaça; Paizo, Dani Masunguna, Bobó e Isaac; Macaia e Show; Ibukun, Mongo e Geraldo; Razaq. Estão igualmente disponíveis Julião, Mingo Bile, Anderson Guelor, Yisa, Buá, Mário e Jacques.

Tempo

Multimédia