Desporto

Angola acorda do pesadelo para arrancar triunfo gordo

Honorato Silva

Exibição de gala, depois de recuperar do susto provocado pelo golo madrugador do adversário, deu aos Palancas Negras o controlo da liderança do Grupo I de apuramento para o CAN’2019, nos Camarões, mercê do triunfo (4-1), frente aos Mourabitounes da Mauritânia, ontem, no Estádio Nacional 11 de Novembro.

Médio ofensivo Djalma Campos foi determinante nas acções ofensivas da equipa
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Contra todas as expectativas, até dos mais cépticos, a Selecção Nacional de Honras de futebol apanhou-se a perder logo no segundo minuto do jogo, após um apagão defensivo que teve origem num erro de principiante do experiente Bastos, que optou por fazer a saída de bola pelo corredor central, sem o mínimo de segurança, quando os manuais aconselham o uso dos corredores laterais.
Diante da permissividade de Show e Herenilson, a parelha de pivôs defensivos, bem como a lentidão de Dani Masunguna a emendar a falha, o encorpado El Hacen El Id colocou os mauritanianos em vantagem, claramente sem saber ler nem escrever. Um lance fortuito, que chegou a criar dúvidas quanto à competência competitiva dos pupilos de Srdjan Vasiljevic.
Mas a resposta não tardou. Foi voraz. Bastaram 13 minutos para o arreganho dos forasteiros dar lugar a uma postura de pura submissão, pela ousadia do golo marcado na aurora de um jogo aguardado com grande expectativa, porque apenas a vitória interessava aos Palancas Negras.
Avisado da dureza de rins do eixo defensivo dos Mourabitounes, Gelson Dala acreditou no embaraço de Abdoul Ba, que algo desengonçado carregou o avançado angolano. Chamado a cobrar a grande penalidade, Mateus Galiano devolveu a alegria aos adeptos, animados pelo facto de os jogadores terem reagido à desvantagem.
Em tarde inspirada, Mateus fez, pouco tempo depois, o golo que colocou a Selecção Nacional à frente do marcador e abriu caminho para um triunfo a ser recordado no futuro. Em perfeita sintonia com a equipa, os adeptos emitiam comandos das bancadas, certos de que a vitória merecia números mais expressivos.

Geraldo à solta
No regresso dos balneários, os Palancas Negras apertaram o cerco aos limites defensivos dos mauritanianos, que se viram em total desassossego, após à entrada de Geraldo, o agitador das acções de ataque pelos flancos. O fantasista do 1º de Agosto colocou ao serviço da equipa parte do repertório de fintas, sem dar hipóteses de reacção aos defesas.
A torrente ofensiva culminou no triunfo expressivo, que teve tudo para registar números industriais. Em melhor forma, comparativamente à prestação diante do Botswana, Djalma Campos assumiu a autoria do (3-1), enquanto Gelson Dala, o novo abono de família do combinado angolano, conseguiu o golo que tanto procurou, o terceiro em três jogos, fixando o resultado final.
Show saiu com queixas físicas e abriu caminho para o regresso de Stélvio Cruz, que, além do peso e músculo, deu equilíbrio ao meio campo da Selecção. Na defesa, Paizo foi dono e senhor na lateral esquerda, quando Masunguna compensou os desacertos de Bastos.
A equipa viajou ontem à noite, em voo fretado, para preparar o desafio da próxima terça-feira, referente à quarta jornada. Vasiljevic espera pontuar no reduto da Mauritânia, apesar de pedir respeito pelo adversário.

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